Ceará: o paraíso dos negócios de turismo tropical

Por: Eleazar Barbosa | Em:
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Jijoca

Lagoa do Paraíso, no Parque Nacional de Jericoacara, no estado do Ceará – imagem. Jijoca de Jericoacoara é vitrine para o turismo nacional. (Foto: Sec. do Turismo de Jijoca de Jericoacoara)

turismo é uma ramificação que permeia o imaginário popular, mas que com o decorrer do tempo o segmento angariou contornos de alcançar tendências nas variadas matizes da economia, tanto no turismo de eventos, quanto na diretriz de negócios, acrescido ao contexto, os impactos monetários do turismo de passeio.


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A Superintendência Estadual do Ceará do Banco do Nordeste (BNB) elucida que o planejamento estratégico da instituição para o setor se amplia em ações de financiamento de crédito em ambientações como hotelaria, também ao alcance de bares e restaurantesagências receptivaslocadorascasas de eventos e produtores culturais, cobrindo investimentos que se agregam à preservação do patrimônio histórico citadino, à busca da eficiência energética, através da matriz renovável, além de atribuir ações sazonais ao movimento de baixa e alta estação.

O BNB também pontua investimentos institucionais através de patrocínios mercadológicos que são efetuados no aspecto de associar leis de incentivos, na absorção de projetos que forneçam retorno de marketing e impacto territorial, no aspecto de atender visibilidade no fluxo turístico, na ocupação hoteleira e no faturamento local.

Nos pilares de suporte técnico para governanças locais, envolvendo diagnóstico, roteirização, capacitações, e bancos de projetos, o BNB conta com apoio institucional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e também do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Para programas de empreendedorismo e empresas de pequeno porte, o BNB disponibiliza recursos através do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, o FNE.

O ex-presidente do BNB, Paulo Câmara, salienta que o turismo é uma cadeia produtiva incluída no planejamento da entidade, e que o órgão tem impulsionado ações para o setor. Ele reforça que o orgão bancário atua nas várias frentes, desde as obras de infraestrutura, passando por bares, restaurantes, na congregação pleiteando auxílio a guias turísticos e na abrangência dos serviços ofertados.

“Temos linhas específicas para isso, linhas que são subsidiadas dentro do FNE, com taxas de juros atrativas, bem menores que no mercado, e prazos também mais elásticos, além da carência para a aplicação desses recursos. Então é muito importante as pessoas que atuam no setor procurarem conhecer os produtos do banco. Diante dos volumes que o banco atua, abrange desde o pequenininho, desde as pessoas que têm menos experiência e negócios pequenos, mas que nós queremos dar uma atenção com microcrédito produtivo orientado, e os setores estruturadores, tudo para nós é importante. Estamos investindo muito, nesse ano nós vamos bater recorde na aplicação de recursos do turismo, tem vários empreendimentos na região acontecendo e vamos apoiar cada vez mais”, frisa o ex-presidente do BNB.

Ex-presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara. (Foto: BNB)

Distribuição de recursos para estimular o turismo alencarino

Exemplo concreto posto em execução pelo Banco do Nordeste é na linhagem de aplicação de recursos no turismo cearense que se reflete na abrangência de projetos patrocinados e verbas direcionadas ao trade turístico alencarino.

No ano passado, durante a realização de um programa focado em estimular conhecimentos e ferramentas na área da tecnologia sob a tutela da unidade cearense do Sebrae, o Banco do Nordeste aplicou em patrocínio a quantia de R$ 80 mil para a execução logística do Siará Tech Summit 2024. Reflexo do turismo de negócios, durante os três dias de efetivação programática, o STS 2024, atraiu a participação de mais de 15 mil visitantes, o que compreendeu a estruturação de palestras, workshops, mesas-redondas e rodadas de negócios que resultaram em mais de R$ 2 milhões em intenções de investimentos.

Neste ano, a programação executiva do Sebrae resolveu unir o Siará Tech Summit ao também evento gerido pelo respectivo órgão, a Feira do Empreendedor, que visa incentivar ações relacionadas ao empreendedorismo. De acordo com a organização desta edição do evento do Sebrae, estabeleceu-se a vinda de 120 caravanas do interior do estado do Ceará, além de contar com o já aguardado quadro técnico de palestrantes, como também a participação ilustre neste quesito, do ator Murilo Rosa, do ex-jogador da seleção brasileira de futebol e campeão da Copa do Mundo de 1994, o Raí.

O setor de eventos, configuração que desencadeia no circuito turístico, desde a alocação de transportes, acompanhado pelo impulso ao mercado interno, como hospedagem, alimentação, até o desembolso no próprio estabelecimento onde está acontecendo o fator panorâmico. De acordo com a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), o segmento movimentou no Brasil a quantia de R$ 57,8 bilhões em consumo na etapa que compreende de janeiro a maio de 2025, maior valor registrado para o período desde o início do cálculo da série histórica, em 2019.

Artesanato, cultura e negócios

A sétima edição da Feira Nacional de Artesanato e Cultura, o Festival Fenacce, ocorreu no Centro de Eventos do Ceará em setembro deste ano, durante seis dias. A feira angaria patrocínio do Banco do Nordeste, e reúne lançamentos nacionais e internacionais da conjuntura, incorporando vitrine que engloba o varejo, o food service, e o segmento hoteleiro.

Participante da Fenacce 2025, a artesã Maria Bernadete de Souza, de 58 anos, atua fazendo um tipo de renda chamado de renascença, artesanato nordestino introduzido pelos portugueses durante o período colonial, o qual manuseia técnica meticulosa. No Ceará, Bernadete é a única profissional que trabalha com este tipo de renda.

Natural de Pernambuco, Maria mora no Ceará há 37 anos. Ela conta que começou a aprender a fazer renda aos seis anos de idade, e com oito anos vendeu a primeira peça. Hoje, Bernadete tira o sustento somente com o artesanato e expõe os bordados para venda no Centro do Artesanato do Ceará (Ceart).

Ela relata que participou pela primeira vez da edição da Fenacce de 2019 em uma rodada de negócios, e destaca que se manteve afastada do evento por motivos pessoais, contudo retornou este ano, ingressando no edital elaborado pela própria Ceart. A artesã foi contemplada com um stand no evento. “Foi maravilhoso, vendi bem, conheci muita gente, repassei meu contato para muitas pessoas, além de ter recebido muitos elogios pelo meu trabalho. Só gratidão”, menciona Bernadete.

Negócio “imperial”

Na região do Cariri, sul do estado do Ceará, no município de Barbalha, um hotel se notabiliza pela conjectura de ativação de negócios com o Banco do Nordeste: é o Imperial Palace Hotel, cliente do BNB desde 2006. Considerado pela própria instituição bancária como um empreendimento tradicional da cadeia turística da região, localidade célebre marcada pelo fluxo intenso, devido ao turismo religioso.

Em viabilidade através do Programa de Desenvolvimento Territorial do Banco do Nordeste (PRODETER), o hotel adquiriu um financiamento via agência bancária regional do BNB de Barbalha, no valor de R$ 1,6 milhão, utilizando recursos do FNE, direcionando as verbas para expansão e modernização do estabelecimento. No momento, as obras se encontram em andamento, e após a conclusão, o equipamento se denominará Verde da Mata Hotel.

Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga

Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga é um evento que se consolidou no calendário cultural momino do Ceará, o qual acontece desde 2009 no período do carnaval, no município serrano de Guaramiranga, e também com apresentações na capital cearense. O Banco do Nordeste patrocina o circuito artístico, e em 2024, a instituição bancária desembolsou R$ 180 mil.

Na programação deste ano, o festival realizou 14 atrações artísticas em Guaramiranga, em destaque, duas nas igrejas do município, e um show infantil na praça central. Além disso, na ocasião, intervenções de cunho ambiental, como mutirão de limpeza, blitz ecológica e observação de pássaros. A parceria contou com a participação das secretarias de Meio Ambiente do Governo do Estado e da Prefeitura de Guaramiranga.

A conjuntura musical envolve na maioria pontuações instrumentais com foco em canções de jazz e blues. O impacto econômico contempla mais de 200 empregos diretos durante a realização do panorama. A rede hoteleira tem quase 100% de ocupação, além de movimentação de aluguéis de casas e apartamentos. A diretora do Festival, Maria Amélia Mamede, destaca que a oferta de emprego dobra, segundo dados da Prefeitura, e segundo ela, são mais de 10 mil turistas e transeuntes assistindo aos espetáculos.

Maria Amélia acentua que os incentivos culturais estão atrelados nas leis de incentivo, e ao que consiste o enfoque federal, como por exemplo a Lei Rouanet, ela menciona que a concentração da disponibilização dos recursos está na região Sudeste, por conforme ela, é onde se localizam as sedes das grandes empresas do país. Neste aspecto, ela considera fundamental o incentivo fiscal do BNB ao englobamento artístico-cultural para incentivar a formulação de benefícios aos produtores e artistas nordestinos.

“No caso do Festival Jazz e Blues, se não fosse o patrocínio do BNB, não conseguiríamos atingir o mínimo exigido pela lei para usar os recursos. Ano passado, os R$ 180 mil destinados ao Festival permitiram a inclusão cultural por meio da ação “Música é para Vida”, programa de formação para alunos da rede pública de ensino, por exemplo. O BNB ainda mantém seus centros culturais que também desempenham um papel importante para a circulação e valorização cultural de nossos artistas”, enfatiza Maria Amélia. 

Atração da edição deste ano do Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga. Show: Natureza é Casa. (Foto: Carol Panesi)

Envergadura e desafios para aprimorar o turismo nordestino e o cearense

O economista Lauro Chaves Neto, integrante do Conselho Federal de Economia (Cofecon), elucida que o Nordeste possui alguns diferenciais muito importantes para o turismo, em virtude de fatores relacionados à localização, ao clima, à beleza natural e à diversidade. No entanto, o economista aponta que existem dois desafios a serem pleiteados na região, ao que consiste a infraestrutura e também o capital humano, em proporcionar direcionamentos conjugados para a recepção ao turista de maior poder aquisitivo financeiro.

“Ele pode deixar mais na economia, pode fazer girar mais a economia, tem a atratividade em vir para o Nordeste, então nós precisamos de uma infraestrutura maior, desde quando ele desce no aeroporto até a estrada, até onde se locomover, a mobilidade humana, como se hospedar, como sair de um lugar para outro. E o outro é o capital humano, ele precisa ter um bom atendimento, ele precisa ter serviço, precisa ter um atendimento com educação, com cordialidade. Para atender o estrangeiro precisamos de serviços de idiomas, que possam falar pelo menos o inglês e o espanhol”, salienta Lauro Chaves.

Ao que consiste o Ceará, o especialista realça o critério natural da disponibilidade de sol e praia, desde a divisa do Piauí, na orla marítima, até a divisa com o estado do Rio Grande do Norte. O economista destaca que esta faixa litorânea se desenvolveu, contudo ressalta que há também uma diversidade no interior do estado que pode atrair primordialmente o turismo regional.

“Nós temos a serra, como o Maciço de Baturité, a Ibiapaba, a Chapada do Araripe; nós temos a questão dos monólitos em Quixadá; temos também a questão do Cânion no rio Poti. Entre outros atrativos regionais, tem a região de Icó, que poucos cearenses conhecem, isso é fantástico, e isso pode ser transformado num atrativo turístico. Nós temos o turismo religioso que inicialmente era concentrado em Canindé e Juazeiro do Norte, e hoje existem outros polos de turismo religioso no estado do Ceará. Então o Ceará tem, sim, um potencial de se desenvolver e tornar o turismo um dos principais eixos da economia cearense”, assegura Lauro Chaves. 

Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) implementa ainda neste ano um programa de qualificação profissional distribuindo ações nas rotas turísticas do Ceará. O Senac dispõe de R$ 7,6 milhões, que visa beneficiar mais de 17 mil profissionais em 40 municípios cearenses, delimitados em oito rotas: Fortaleza, Rota das Falésias, Rota Costa dos Ventos, Rota das Emoções, Rota Verde do Café, Rota Mirantes da Ibiapaba, Rota Cariri e Rota da Fé. Os cursos são voltados para gestão de empreendimentos turísticos, hospitalidade, receptivo turístico, e gastronomia.

Canion
Cânion do Rio Poti, situado na divisa dos estados do Ceará e Piauí. No lado cearense, o paredão rochoso se localiza entre os municípios de Crateús e Poranga. (Foto: Sema)

O magnífico oásis do turismo cearense

Secretaria do Turismo do Estado do Ceará (Setur) assinala que no período que compreende de janeiro a julho deste ano, o estado recebeu 2,3 milhões de turistas, e a taxa média de ocupação hoteleira abarcou 73,8%. O gasto médio por turista na fase desta estação alcançou o valor de R$ 3.965,45, auxiliando na geração de receita no segmento de R$ 9 bilhões. Em julho, o setor turístico do Ceará cresceu 6,9% (variação anual), superando a média nacional de 3,3%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a Setur, o Ceará possui uma diversificada agenda de eventos turísticos, atribuindo a Fortaleza a predominância de encontros de negócios e feiras, realizados no Centro de Eventos do Ceará, atraindo visitantes de todo o país e da América Latina. A pasta evidencia no litoral os campeonatos internacionais de kitesurf e windsurf, fator que contribui para consolidar o estado como referência mundial em esportes náuticos. No interior do estado, em destaque, acontecimentos culturais e religiosos, ambos tradicionais, por assim citar a Festa de Santo Antônio, em Barbalha, e festivais gastronômicos. Além disso, shows musicais, gastronomia e cinema movimentam municípios como Sobral, Guaramiranga e Canoa Quebrada.

De acordo com o secretário do Turismo do CearáEduardo Bismarck, os eventos são decisivos para manter a taxa de ocupação hoteleira elevada ao longo do ano e reduzir a sazonalidade típica do turismo de sol e praia. “Um congresso ou festival em Fortaleza, por exemplo, pode aumentar em até 30% a taxa de reservas em hotéis e pousadas. Além disso, gera impactos diretos no comércio, na gastronomia e nos serviços. Isso significa mais renda para pequenos empreendedores, taxistas, guias de turismo, artesãos e toda a cadeia produtiva”, pontua.

Eduardo Bismarck atesta ações integradas, desde a melhoria do acesso viário até a ampliação da conectividade aérea, além também de programas em parceria com o Sebrae e instituições privadas que estimulam a inovação e a competitividade de hotéis, restaurantes, agências de viagens e demais negócios ligados ao setor turístico.

“As festas tradicionais e os eventos culturais são essenciais para o turismo sustentável, porque fortalecem a identidade cultural, distribuem o fluxo turístico para além da capital e promovem desenvolvimento regional. Quando o visitante participa de uma festa religiosa em Juazeiro, de um festival de jazz em Guaramiranga ou de uma celebração junina no interior, ele consome produtos locais, valoriza a cultura cearense e ajuda a manter viva nossa tradição. Isso gera benefícios econômicos, sociais e culturais para as comunidades, respeitando a autenticidade do território”, esclarece Bismarck.

Eduardo
Secretário do Turismo do Ceará, Eduardo Bismarck. (Foto: Divulgação)

Município Categoria A

O município de Jijoca de Jericoacoara é considerado pelo Ministério do Turismo localidade enquadrada na Categoria A do Mapa do Turismo Brasileiro, o que estabelece parâmetros inseridos no requisito potencial de atração turística. A secretária de turismo do município, Rosana Lima, afirma que a hotelaria da região se encontra frequentemente em manutenção e crescimento sustentável. No total, os meios de hospedagem somam 450 empreendimentos.

Na estação ao que concerne o fluxo turístico, no primeiro semestre, em Jijoca de Jericoacoara, o perfil se caracteriza por turistas nacionais, oriundos do interior de São Paulo, Goiás, e da região Nordeste, o qual a distribuição é aquecida nas férias de julho. No segundo semestre, há um acentuado crescimento de turistas internacionais na busca por praticar esportes aquáticos.

“Esse percentual atualmente cresceu em mais de 20%, comparado ao ano anterior. Atualmente a vila está repleta de turistas nacionais e internacionais. A perspectiva é que tenhamos um dos maiores finais de ano desde a pandemia, inclusive com Réveillon a ser realizado pela prefeitura municipal de Jijoca De Jericoacoara”, salienta Rosana. 

A titular da pasta reforça que a secretaria atua alinhada com as leis de preservação ambiental, promovendo ações e atividades em paralelo às práticas conectadas à limpeza de praias e lagoas, assim como educação ambiental, no aspecto de preservação em sensibilizar turistas, visitantes e empresários.

Ao que tange o suporte institucional do BNB ao trade turístico da cidade, Rosana aponta que a rede municipal participa em conjunto ao PRODETER no âmbito de incentivos para contratação de apresentações culturais e musicais.

Rosana
Secretária de Turismo de Jijoca de Jericoacara, Rosana Lima. (Foto: Secretaria do Turismo de Jijoca de Jericoacoara)

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