A identificação e seleção de investimentos defensivos torna-se naturalmente o centro das atenções em momentos de instabilidade nos mercados. (Foto: Envato Elements)
Imagine os seguintes jogos: no jogo 1, você tem (A) 80% de chance de ganhar R$ 4 milhões ou (B) 100% de chance de ganhar 3 milhões; no jogo 2, você tem (A) 25% de chance de ganhar 4 milhões ou (B) 30% de chance de ganhar 3 milhões. A maioria das pessoas tende a escolher a opção B no jogo 1 e a opção A no jogo 2, muito embora matematicamente o valor esperado da opção A no jogo 1 seja maior que o da opção B. Essa situação hipotética ilustra muito bem um fenômeno conhecido por muitos investidores e gestores de ativos: a aversão à perda.
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A aversão à perda é um fenômeno de economia comportamental que descreve a tendência das pessoas em preferir evitar perdas a adquirir ganhos de valor equivalente. Em outras palavras, perder R$ 100.000,00 causa mais desconforto do que o prazer sentido ao ganhar os mesmos R$100.000,00. E os investidores têm pelo menos uma razão puramente matemática que explica essa situação: o mercado financeiro funciona por meio de porcentagens, portanto o perfil de performance de ativos é assimétrico.
Um investimento cujo valor caiu 50% precisa render 100% (2 vezes mais!) simplesmente para retornar ao valor inicial. Isso motiva investidores mundo afora a alocarem parte de seu patrimônio a investimentos defensivos, ou seja, que mostrem resiliência face às turbulências de mercado.
A identificação e seleção de investimentos defensivos torna-se naturalmente o centro das atenções em momentos de instabilidade nos mercados, assim como os pedestres procuram continuamente por uma loja que venda guarda-chuvas quando o tempo fecha e São Pedro abre as torneiras celestes.
Historicamente, os títulos soberanos de dívida, tais quais as letras do tesouro nacional, os treasuries americanos e os bunds alemães, dentre outros títulos, o ouro e o próprio dinheiro vivo são ativos cuja demanda aumenta durante crises, mas o quão defensivos eles realmente são? E a que custo? O custo de oportunidade de manter uma alta alocação a esses instrumentos deve ser considerado com cuidado. Se a intenção é apenas proteger-se da chuva, não é necessário ter em casa um guarda-chuva de 3 metros de diâmetro que custe R$ 1.000,00.
A gama de instrumentos financeiros disponível hoje em dia viabiliza a concepção de investimentos “porto seguro”, ou seja, aqueles que mitigam o risco de um portfólio com uma boa relação custo-benefício. Derivativos tais quais opções put, que dão ao comprador o direito de vender ao vendedor um ativo, por exemplo, uma ação, a um preço pré-determinado, e CDS (credit default swap), que dá direito ao comprador de ser ressarcido pelo vendedor no caso de um calote em um determinado título de dívida, são exemplos de instrumentos que, se usados com precisão e diligência, podem proporcionar ganhos em momentos de crise.
Assim, é possível manter posições de “ataque” no portfólio e se defender de turbulências sem ter que recorrer a realocações abruptas e frequentemente caras. Um guarda-chuva compacto cabe em qualquer bolsa, podendo nos deixar andar livremente num dia ensolarado e nos protegendo em dias chuvosos.

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