Fusões e aquisições permitem que empresas menores recebam investimento de grandes players e bancos, acelerando o desenvolvimento. (Foto: Envato Elements)
O número de fusões e aquisições no setor financeiro brasileiro aumentou 97,36% entre janeiro e junho de 2025, passando de 38 operações no mesmo período de 2024 para 75. O crescimento reflete interesse de investidores estrangeiros, que participaram de 25 transações, ou 33% do total, segundo levantamento da KPMG.
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O setor financeiro ficou atrás apenas de tecnologia da informação, com 274 operações, e superou empresas de internet (46) pela primeira vez em 14 anos. Do total, 43 aquisições foram domésticas, 25 envolveram investidores estrangeiros comprando empresas brasileiras (CB1), seis de brasileiras adquirindo estrangeiras (CB2) e uma de brasileira adquirindo estrangeira no Brasil (CB3).
Segundo Fernando Mattar, sócio-líder de fusões e aquisições da KPMG, fundos de Private Equity e investidores globais usam empresas menores como porta de entrada para o mercado local. “É um canal indireto para entrar no Brasil e operar aqui, porque grandes bancos são mais difíceis de acessar”, afirma.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reforça que o setor bancário brasileiro é competitivo e aberto a novos entrantes. A entidade defende incentivo à competição, desde que segurança e tratamento regulatório isonômico sejam mantidos para todos os participantes.
O levantamento mostra que as fintechs concentraram 68% das operações (51), seguidas por gestoras de recursos (10), serviços de assessoria e consultoria financeira (9) e bancos ou instituições de crédito (5). A concentração em fintechs se deve à necessidade de aportes financeiros para desenvolver produtos e tecnologia.
Fusões e aquisições permitem que empresas menores recebam investimento de grandes players e bancos, acelerando o desenvolvimento de novos produtos e meios de pagamento, explica Mattar. Para ele, essa estratégia fortalece a inovação e amplia a oferta de soluções financeiras no mercado.
A ABFintech avalia o cenário de forma positiva. Para a associação, as operações ajudam a reforçar times, combinar bases de clientes e criar empresas mais robustas, aumentando a concorrência e a eficiência no setor. Além disso, a entrada de investidores estrangeiros sinaliza atratividade do Brasil para players globais.
O impacto direto para o consumidor é o acesso a novos produtos, soluções mais eficientes e desenvolvimento tecnológico. No entanto, a ABFintech alerta que efeitos negativos podem ocorrer quando uma fintech é adquirida apenas para absorver tecnologia ou reter talentos, sem continuar a proposta de valor original.
*Com informações do portal Valor Investe.
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