A concessão de crédito transforma vidas e estimula o desenvolvimento econômico. (Foto: Envato Elements)
Intelectual que contribuiu para a literatura econômica moderna, o britânico John Maynard Keynes relata que na teoria dos sistemas financeiros, os agentes capitalistas possuem a função intrínseca de financiar, decidir o investimento, no sentido de estimular a criação e a circulação da moeda, em artigo intitulado “Teorias Alternativas da Taxa de Juros”.
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O panorama o qual o economista se posiciona atende ao preceito de expressar a necessidade no intento de fomentar empréstimos a pessoas ou empresas através da concessão de créditos de curto prazo, formalizando uma rede financeira organizacional administrada por um banco.
Atualmente, o Banco do Nordeste (BNB), é o maior órgão público financeiro de desenvolvimento regional da América Latina. Nos detalhes dos ditames funcionais, o BNB possui a missão de atuar como instituição indutora do progresso da região Nordeste e também, no escopo conjuntural, o norte de Minas Gerais e o estado do Espírito Santo. No entanto, sob o prisma homólogo, com objetivo claro de atender ao Nordeste, delineando os pilares administrativos de promover o bem-estar das famílias e a competitividade das empresas da região.
No englobamento, um dos mecanismos oferecidos pelo Banco do Nordeste é o Crediamigo, programa de microcrédito produtivo orientado do órgão que facilita o acesso ao crédito a empreendedores e empreendedoras pertencentes aos setores informal ou formal da economia, àqueles que pretendem expandir os próprios negócios ou aos entes que se dispõem a começar alguma atividade no mercado referente.
O Crediamigo foi criado em 1998 para oferecer empréstimos, capacitação, orientação financeira e acompanhamento pessoal, com o objetivo de conceder gerência para capital de giro e investimento fixo, direcionado tanto para pessoas físicas como para grupos solidários, tais como autônomos, microempreendedor individual, microempresa, empresário Individual, ou sócio empresarial.
No balanço desde a fundação da instituição pública bancária até os dias atuais, o impacto gerado na cadeia produtiva beneficiou cerca de 8,8 milhões de clientes, injetando cerca de R$ 137 bilhões na economia brasileira, através da realização na aplicação de 63 milhões de operações. Os setores envolvidos pontuam as áreas da indústria, comércio e serviços.

Para o economista Vicente Ferrer, integrante do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), uma das linhas de atuação do Crediamigo se situa como instrumento de inclusão produtiva em áreas periféricas e regiões vulneráveis. O especialista acentua que o ingresso ao benefício possibilita o início de pequenos negócios, como por exemplo, fábricas de biscoito, salões de beleza, borracharias e oficinas, viabilizando a geração de renda e a subida gradual de patamar social.
“Ao garantir acesso ao crédito e permitir que os beneficiários renovem e aumentem seus financiamentos conforme ganham confiança, o Crediamigo estimula o crescimento sustentável dos empreendimentos locais. O programa tem papel fundamental no fomento ao empreendedorismo informal ao oferecer o primeiro impulso financeiro para pessoas que vivem da subsistência. A partir desse apoio inicial, os beneficiários conseguem desenvolver atividades produtivas e, com o tempo, estruturam seus negócios. Ao repetir o ciclo de crédito e ganhar confiança financeira, muitos empreendedores informais avançam no processo de formalização, impulsionados pela experiência e pelo fortalecimento das atividades que iniciaram com o apoio do microcrédito”, esclarece Vicente.
O economista acrescenta que a sistemática do Crediamigo, sendo implementada na base comunitária, é discorrida na prática como a única forma de gerar renda para pessoas em situação de pobreza absoluta. Ele aponta que o panorama sendo aplicado em alocações empreendedoras nas comunidades contribui diretamente para a dinamização econômica, com impacto tanto nas cidades quanto na via rural.
“A pulverização da atividade empreendedora promovida pelo microcrédito fortalece o ecossistema local e permite que iniciativas individuais gerem desenvolvimento coletivo e inclusão econômica.”
Vicente Ferrer, economista e conselheiro do Corecon-CE

A história da comerciante Valdenice Castro se conjuga em paralelo à explanação do economista Vicente Ferrer, onde ela destaca que o Crediamigo transformou a respectiva trajetória de vida por causa da utilização do crédito monetário fornecido pelo projeto. A primeira vez que solicitou empréstimo em uma agência do BNB foi há 16 anos e começou com o valor de R$ 400,00 para a venda de espetinhos, cerveja, pratinhos e sanduíches. Ela afirma que trabalhou no ramo com toda demanda possível de comercialização de produtos.
O campo de movimento são eventos na capital cearense, como jogos no Castelão, os pré-carnavais e o agitado “período momino” na praça da Gentilândia, no bairro Benfica. Ela é regularizada pela Prefeitura de Fortaleza e aproveita toda festa realizada na cidade para efetuar os negócios.
Valdenice reforça que criou os filhos trabalhando neste circuito, sempre solicitando e pagando novas concessões de crédito. O momento áureo da empreendedora foi que, com o lucro obtido, viabilizou a compra de um carro, e a partir de então o negócio deslanchou, porque a comerciante deixou de pagar o frete do transporte de locomoção de mercadorias para empregar a renda no próprio crescimento comercial.
A saga de Maria de Jesus Dantas, 49 anos, é o semblante da realidade cotidiana de brasileiras que despertam cedo para lutar pela sobrevivência diária. Há mais de 20 anos, quando decidiu ingressar no ramo que hoje atua, o início difícil, batendo na porta de várias residências em Caucaia empunhada de sua sacola, para venda de cosméticos e artigos de dormir.
No entanto, a veia empreendedora de Maria a fez decolar nos negócios, apurando em pouco tempo de cinco mil a 10 mil reais mensais. Ela destaca que o primeiro empréstimo que fez no Crediamigo, em 2004, a auxiliou na compra das mercadorias para revenda.
“Eu não me recordo, mas eu tenho mais de 15 anos de história com o Banco do Nordeste, uma relação que me auxiliou no crescimento do meu negócio. O Crediamigo me ajudou muito durante todos os momentos de minha trajetória. Quando comecei no Crediamigo, eu era a famosa ‘sacoleira’, e o meu primeiro empréstimo nunca esqueci, pois foi crucial para melhorar a minha compra de mercadoria”, esclarece Maria.
A visão para a ampliação nos negócios da futura empresária que sonhava em proporcionar atendimento adequado e qualidade em um espaço físico, para oferecer conforto à clientela, foi o que fez acontecer na prática com a aquisição da loja que instalou em Caucaia. Segundo o BNB, Maria de Jesus tem 59 ciclos de investida na aquisição de empréstimos através do Crediamigo.
Nos dias de hoje, a empresária Maria de Jesus gerencia a Neta Dantas Cosméticos e Perfumaria, com atendimento online e presencial, empregando 14 funcionários, trabalhando com vendas de produtos árabes, importados, marcas de perfume, e variados tipos de cosméticos e lançamentos. Pelo segundo ano consecutivo, em 2025, a corporação angariou o prêmio Top Excelência Caucaia, evento que evidencia os profissionais e empresas de destaque do município, através de pesquisa de opinião pública pela internet. O faturamento da Neta Dantas Cosméticos e Perfumaria varia de 800 a 900 mil reais mensais.

Fazendo doces em casa, a confeiteira Mair Silva, de 42 anos, iniciou no ramo há 13 anos e sempre foi uma cliente ativa nas tratativas do Crediamigo. Ela ressalta que o programa se agregou para somar na própria empresa, e associa o sistema de crédito até a um “amigo”, revelando taxas baixas e conjuntura desprovida de burocracia.
Hoje, Mair tem uma loja localizada no bairro Jóquei Clube, o Formiga Doces, onde fabrica e vende biscoitos, doces, bolos, bem-casados, brownies e também presta atendimentos em aniversários, casamentos, e todo tipo de evento, o faturamento anual é de mais de R$ 150 mil.

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