O material inserido para reciclagem na indústria pode reduzir de 20% e até 60% com custos da matéria-prima. (Foto: Envato Elements)
As resoluções tomadas para evitar o desperdício e incentivar sistemáticas de fomento à reciclagem, porque segundo estudos da Fundação Cabral em conjunto o Instituto Atmos, que numa estimativa mais otimista no avanço dos setores envolvidos, o segmento poderá gerar no país, mais 200 mil empregos diretos até 2040.
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As análises das entidades verificam que cada aumento de 1% na taxa de reciclagem pode gerar mais de nove mil empregos. Se o índice subisse 10 pontos percentuais, o país poderia criar 93 mil novos postos. A perspectiva evitaria perdas anuais de R$ 14 bilhões com o descarte de materiais que poderiam ser reutilizados.
Para Silmara Neves, doutora em Química e cofundadora da IQX, empresa do ramo tecnológico para atendimento ao mercado de reciclagem de plásticos e borrachas, o material inserido para reciclagem na indústria pode reduzir de 20% e até 60% com custos da matéria-prima, dependendo da qualidade do material reciclado e do tipo de polímero.
Silmara esclarece que a economia pode representar até 15% no custo total da produção, em virtude da desvinculação nas oscilações do mercado do impacto do valor emitido pelo mercado do petróleo – fator que influencia no preço dos produtos da indústria do setor.
“Reciclar é uma questão ambiental, mas também de estratégia econômica. Ao adotar resinas recicladas, a indústria reduz gastos, garante acesso a mercados mais exigentes e ainda se alinha a metas globais de descarbonização. O reciclado só será amplamente adotado se for competitivo com a matéria-prima virgem. E isso depende de tecnologia, estabilidade de fornecimento e incentivo à inovação. Empresas que fizerem esse movimento agora vão liderar o mercado amanhã”, explana Silmara.
O setor de reciclagem de latas vem acompanhando o crescimento nos procedimentos que adotam a reciclagem como modelo indutor do programa. A Associação Brasileira de Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), avaliou que a conjuntura tem se consolidado, pois conforme as estatísticas, a média do índice de reciclagem foi de 98,7%, do período que compreende de 2019 a 2023. Em destaque absoluto para 2022, que se detectou 100% de execução.
“Há cinco anos, já reciclávamos em níveis elevados. Mas o que impressiona é a consistência. O volume aumentou, o consumo aumentou — e mesmo assim, seguimos reciclando praticamente todo o montante colocado no mercado. É um sistema que amadureceu, que tem escala e que funciona”, pontua o secretário-executivo da Recicla Latas, Renato Paquet.
A engrenagem se atribui a uma cadeia integrada composta por 25 unidades fabris, 39 centros de coleta e o trabalho de mais de 800 mil catadores. O formato, segundo a Abralatas, pode servir como referência para outras nações, especialmente da América Latina, África e Ásia, onde o avanço da economia circular ainda enfrenta obstáculos.
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