A gastronomia de Fortaleza como ícone da promoção turística na amplitude de simbolizar a identidade da sociedade local é na percepção da secretária de Turismo de Fortaleza, Denise Carrá, o pilar identitário que transforma a experiência de quem visita a capital cearense no significado de provocar estímulos sensoriais e afetivos, além de experiências inesquecíveis.
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“Fortaleza tem sabores marcantes e diversos. Por isso, a nossa culinária é tratada como um pilar estratégico na promoção do destino. Inclusive na campanha ‘Fortaleza. Sem Igual’, ela aparece com protagonismo, nos materiais promocionais, nas feiras, nos eventos e nas ações que realizamos com operadores de turismo em todo o Brasil e também no exterior. Fazemos questão de levar um pouco do nosso sabor para onde formos, porque sabemos que o turista também se conquista pela barriga”, reforça Denise.
A secretária ressalta que ao impulsionar a gastronomia fortalezense, o setor consolida a economia criativa local com chefs autorais, barracas de praia, food trucks, feiras orgânicas e outros negócios, o qual segundo Denise, ganham visibilidade, movimentam a economia e geram renda.
“Fortaleza é uma cidade de sabores únicos e se destaca como referência no turismo gastronômico. Temos experiências que vão dos mercados tradicionais aos festivais especializados e polos gastronômicos. Quem visita Fortaleza pode explorar o Mercado São Sebastião, onde é possível saborear pratos tradicionais como baião de dois, panelada e carne de sol. Há também o Mercado Central, conhecido pela venda de ingredientes típicos como rapadura, castanhas e cachaças artesanais. Já no Mercado dos Peixes, o turista escolhe o fruto do mar e acompanha o preparo na hora, com vista privilegiada para a praia do Mucuripe. E é claro que não pode faltar a famosa Quinta do Caranguejo, tradição fortalezense que já integra o Calendário Turístico Oficial do Brasil”, explana a gestora.

Gastronomia como negócio: alcance de 30 mil estabelecimentos
De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a gastronomia de Fortaleza é um dos principais motores da economia criativa local, o qual o setor de alimentação fora do lar abrange mais de 30 mil estabelecimentos na cidade, incluindo restaurantes, barracas de praia, quiosques, lanchonetes, pizzarias, cafeterias, food trucks e deliveries.
A entidade aponta que os negócios estabelecidos geram mais de 100 mil empregos diretos e expansão nos indiretos, nas áreas de agricultura familiar, pesca, logística, distribuição de bebidas, produção artesanal, turismo e entretenimento.
Segundo a Abrasel, e economia gerada aborda que de cada R$ 1.000 desembolsados na conjuntura logística de bares e restaurantes de Fortaleza, amplifica o montante de R$ 3.640 na cadeia econômica do setor. De acordo com o órgão, o segmento possui a capacidade de inclusão social e geração de oportunidades, especialmente para jovens em busca do primeiro emprego, pessoas em transição de carreira e mulheres chefes de família.
“A gastronomia é muito mais do que um setor econômico importante, ela é expressão viva da nossa identidade. Quando a gente fala de um prato típico como a panelada, a peixada, o baião de dois ou o famoso caranguejo das quintas-feiras, a gente está falando da história do nosso povo, das tradições passadas de geração em geração, da forma como celebramos a vida em Fortaleza. A comida conecta a memória afetiva da população, atrai turistas, movimenta a economia e reforça quem somos. A gastronomia cearense tem alma, tem sabor e tem um papel essencial na construção do sentimento de pertencimento do fortalezense.”
Taiene Righetto, presidente da Abrasel no Ceará

O sócio-fundador do Grupo Social Clube, Rodrigo Ribeiro Moreira, organização que administra os restaurantes Santa Grelha (duas unidades: uma no Iguatemi e outra no Meireles), relata que a instituição empresarial gere quatro marcas no ramo. “O Santa Grelha e o Carbone têm o foco em carnes grelhadas, o Ryori em culinária oriental e o Allez Braserie, como o nome já diz, na gastronomia francesa, e representamos a franquia paulista italiana La Pasta Gialla, em Fortaleza. Temos 14 unidades, sendo oito em Fortaleza e as outras em João Pessoa, Teresina e Belém”, frisa.
Segundo Rodrigo, a expectativa de faturamento do grupo até o final do ano se estima em um valor acima de R$ 150 milhões. Ele afirma que o serviço ofertado no Santa Grelha tem conquistado turistas em todas as categorias gastronômicas, e conforme ele, os frutos do mar são o prato mais solicitado, o qual engendra em breve no lançamento de um restaurante específico com o perfil desta linha.
Um conselho que Rodrigo pontua para quem pretende empreender na área é no que consiste a presença diária do proprietário nas operações logísticas e de negócios. “Se estiver disposto a passar todas as datas em que todos que você conhece estão comemorando e você trabalhando, vá em frente. E o segundo conselho, tenha sempre um padrão constante, e imagine daqui 25 anos o seu primeiro cliente voltando ao seu restaurante e tendo a mesma ou uma melhor experiência que teve na primeira visita”, salienta.

Comida marinha e na orla: tendência em Fortaleza
Consolidando a envergadura de mercado gastronômico, o Grupo Host compõe no enquadramento empresarial seis recintos: Moleska Gastrobar, Giz Cozinha Boêmia, Hoots Gastropub, Mezzi (Mediterrâneo), Misaki (Japonês Contemporâneo) e Mestre Sussa (Bar de Orla – especializado em pescados e frutos do mar).
Mestre Sussa, localizado na Avenida Beira-Mar, estabelecimento de ponta no quesito culinária marítima, é, conforme o sócio-fundador do Grupo Host, Deda Gomes, um espaço que possui dois pratos no menu, que traduzem a essência da oferta, no qual segundo ele, caracterizam o restaurante em mar, sabor e afeto.
“O Peixe do Mestre é o grande clássico da casa, grelhado inteiro e servido com acompanhamentos que homenageiam nossa tradição de orla. E também a Panela do Pescador que é uma experiência à parte, com frutos do mar cozidos lentamente em um caldo aromático que conquista pelo sabor e pela generosidade. Ambos representam bem a proposta do Sussa: cozinha praiana com alma e simplicidade”, menciona Deda.
No ambiente, os petiscos mais pedidos e em evidência são o Atum Brisa, contendo combinação tropical e apimentada na medida, e o Pastel de Queijos, trazendo releitura dos sabores nacionais. Entre os pratos, o cliente local prefere por unir ingredientes regionais, o Peixe à Delícia.
Os turistas, no Mestre Sussa, solicitam como uma das preferidas a Carne de Sol na Manteiga da Terra, acebolada e servida com acompanhamentos regionais, e também considerada como a melhor pedida pelos visitantes de outras localidades, no que concerne a orla em prato, a Lagosta Inteira.

Tradicional e famoso recinto de Fortaleza com realce para formalizar a demanda por turistas e festas, o Pirata Bar, localizado em ponto estratégico na Praia de Iracema, com funcionamento regular nas segundas e sextas-feiras, possui como ponto principal no cardápio os pratos e petiscos regionais à base de carne de sol, peixe, feijão verde, isca de peixe, e escondidinhos.
No La Vilany, recinto localizado no Mucuripe, a especialidade da casa são os frutos do mar, com menu agraciado de moqueca de peixe, moqueca de camarão, moqueca de calapolvo, arroz de camarão e mariscada. Segundo a proprietária do estabelecimento, Maria Vilani Rodrigues, o restaurante só abre para almoço, contando com espaço para 45 pessoas, e possui faturamento mensal na média de R$ 75.000.

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