A Região de Planejamento da Grande Fortaleza concentra o maior valor médio de renda mensal entre os 14 territórios do Ceará: R$ 2.609,36. (Foto: Envato Elements)
A Região de Planejamento da Grande Fortaleza concentra o maior valor médio de renda mensal entre os 14 territórios do Ceará: R$ 2.609,36. A informação consta no Ipece/Informe Nº 271 (julho/2025), que analisou dados do Censo Demográfico 2022 sobre rendimento das pessoas responsáveis pelos domicílios.
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A região inclui municípios com maior dinamismo econômico e grau de urbanização, como Fortaleza, Eusébio, Itaitinga, Aquiraz, Caucaia e Maracanaú. O estudo aponta a correlação entre urbanização, formalização do mercado de trabalho e acesso à infraestrutura como fatores determinantes da renda.
As regiões do Cariri (R$ 1.570,30) e do Sertão de Sobral (R$ 1.562,68) ocupam as posições seguintes, impulsionadas por centros urbanos como Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha e Sobral. Na base da lista estão o Maciço de Baturité, Sertão de Canindé e Litoral Oeste/Vale do Curu, todos com média abaixo de R$ 1.260,00.
O analista de Políticas Públicas Cleyber Nascimento de Medeiros, um dos responsáveis pelo trabalho, que contou com a participação de Rafaela Martins Leite Monteiro, titular da Gerência de Estatística, Geografia e Informações (Gegin), de Victor Hugo de Oliveira Silva, analista de políticas Públicas da Diretoria de Estudos Sociais (Disoc), e colaboração de Jáder Ribeiro de Lima, assistente de gestão
O município de Eusébio, na Grande Fortaleza, lidera o ranking estadual de renda média mensal das pessoas responsáveis pelos domicílios, com R$ 4.607,83. Fortaleza ocupa a segunda posição, com R$ 3.084,07.

A lista dos 20 primeiros é dominada por municípios da Grande Fortaleza, como Aquiraz (R$ 2.025,55), Itaitinga (R$ 1.821,18), Caucaia (R$ 1.782,25) e Maracanaú (R$ 1.737,23), além de centros regionais como Jaguaribara (R$ 2.258,48), Sobral (R$ 1.977,14) e Crato (R$ 1.910,24).
Esses municípios compartilham maior presença do mercado de trabalho formal e setores produtivos estruturados, o que contribui para a concentração de renda.
Em contrapartida, os menores valores estão em municípios do interior. Os cinco piores indicadores foram registrados em Graça (R$ 1.058,02), Deputado Irapuan Pinheiro (R$ 1.056,72), Ararendá (R$ 1.045,85), Tejuçuoca (R$ 1.014,02) e Miraíma (R$ 1.003,70).

Mesmo em regiões com média superior à estadual, o estudo identificou municípios com renda abaixo da linha mínima, o que revela forte heterogeneidade interna. Para o analista Cleyber Medeiros, o objetivo foi oferecer um diagnóstico detalhado das desigualdades territoriais, apoiando o planejamento de políticas públicas mais focalizadas.
Nascimento explica que, mesmo em áreas com renda média mais elevada, como a Grande Fortaleza, o Cariri e o Sertão de Sobral, é possível identificar municípios com valores significativamente inferiores à média regional, o que evidencia a complexidade do cenário socioeconômico cearense. Para ele, o trabalho busca gerar evidências para subsidiar políticas públicas mais eficazes e territorialmente focalizadas, contribuindo para o planejamento e a gestão do território de forma mais sensível às desigualdades.
A ferramenta Ceará em Mapas Interativos, usada no levantamento, permite análises ao nível de setor censitário, identificando padrões espaciais que auxiliam o poder público na formulação de estratégias locais.
Ao todo, 20 municípios do Ceará apresentaram renda média inferior ao salário mínimo de 2022, evidenciando a concentração das carências em regiões menos urbanizadas do interior do Estado.
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