Os ativos de financiamentos relacionados à industrialização da região Nordeste do BNB, neste ano, chegaram ao patamar de R$ 6 bilhões. (Foto: Fernando Cavalcante)
O presidente do Banco do Nordeste (BNB), Paulo Câmara, afirmou que a instituição bancária juntamente com articulação intersetorial pública poderá direcionar aporte de R$ 10 bilhões para investimentos aplicados para fomentar a industrialização da região Nordeste, através de edital de projetos de chamamento público, numa ação envolvendo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Brasil, a Sudene, o Consórcio Nordeste e a Financiadora de Estudos e Projetos, a Finep.
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Segundo Câmara, em 2025, os ativos de financiamentos relacionados à industrialização da região Nordeste do BNB já estão dobrando em relação ao ano passado, chegando a cerca de R$ 6 bilhões do orçamento. “E estamos com um grande chamamento público para quem quer expandir a indústria que já tem, ou criar novas indústrias, de todo o porte, pode ser da pequenininha ou até as maiores”, frisou.
Paulo Câmara esteve reunido ontem (16) em Brasília com o presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, e segundo o presidente do BNB, foram apresentados na ocasião, os avanços logísticos econômicos do Banco do Nordeste, o qual conforme Câmara, ocorreram recordes nas aplicações nos anos de 2024, 2023 e no primeiro semestre deste ano.
“A reunião com o presidente foi sobre os bancos públicos, os resultados do PIB desse semestre de 2025, os bancos públicos têm dado uma contribuição importante no crescimento do país, muita ação de estrutura tem participação e financiamento nosso, foi mostrado esses resultados. É uma reunião importante porque a determinação do presidente é que os bancos continuem a aportar recursos mesmo nesse cenário de taxa de juros mais altas. Nosso papel é buscar alternativas para que o setor produtivo esteja cada vez mais em condições de empreender, e aqui no nosso caso na região Nordeste, que é fundamental pro desenvolvimento do país.”
Presidente do BNB, Paulo Câmara.
As declarações de Paulo Câmara foram efetuadas ontem na sede do BNB durante coletiva de imprensa, em Fortaleza, na realização do 31º Fórum Banco do Nordeste de Desenvolvimento, e na ocasião indagado sobre o recente tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas exportações dos produtos brasileiros ao país ianque, Paulo Câmara, disse que a temática é preocupante, porém no entanto, ele destaca que a deliberação se encontra na fase de discussão e negociação.
“Eu espero que haja retrocessos por parte dessas medidas que o governo americano fez, porque são totalmente irrazoáveis. Então a gente quer que isso seja no campo da diplomacia, das relações comerciais resolvidas, para que a gente continue a trabalhar da forma que a gente tá trabalhando, crescendo, isso que é importante para nós, continuar ajudando o país a crescer”, reforçou Paulo Câmara.
A diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES, Maria Fernanda Coelho, explicou que a destinação no que concerne o planejamento das verbas dos R$ 10 bilhões para a industrialização do Nordeste serão remanejados para projetos relacionados a transição energética, ao hidrogênio verde, o datacenter verde, a indústria automotiva focada em equipamentos agrícolas, e à bioeconomia com ênfase no processamento de fármacos.
As propostas estabelecem parâmetros correlacionados a aquisição de equipamentos, a implantação de plantas piloto, também no âmbito comercial infiltrando no aspecto do capital de giro. E atividades conectadas a pesquisa, ao desenvolvimento e inovação, em parcerias com universidades e centros de pesquisa.
“Tem disponível recursos para equipamentos, máquinas, para inovação, recursos reembolsáveis e não reembolsáveis, se tem uma gama de recursos que estão disponibilizados, para que com base nos projetos a serem apresentados. São projetos que incorporam inovação, por exemplo, você tem a própria Finep que disponibiliza recursos adequados, então você tem uma estratégia que combina a emergência de projetos inovadores, que estão acontecendo na região, com as instituições financeiras federais aportando os recursos adequados para responder a essa demanda”, relata Maria Fernanda.

O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, mencionou que existe um descompasso na distribuição de recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) concentrados na região Sul, e que de acordo com ele, a proposta da pasta é descentralizar o aporte das verbas para as outras localidades do país.
O ministro esteve ontem no Ceará para a entrega de uma área de 10.000 hectares de terra para 500 famílias cearenses beneficiárias do crédito fundiário, com intuito de desenvolvimento na plantação e produção de caju. Segundo Paulo Teixeira, o programa foi subsidiado com 40% de desconto na prestação, 5% de juros, três anos de carência, e 25 anos para pagar.
“O Agroamigo, ele opera um recurso do Ministério do Desenvolvimento Agrário, da agricultura familiar, que é o Pronaf B. E essa modalidade, nós entramos com o desafio, nós achamos que o valor era baixo, o valor era de R$ 6.000, nós resolvemos aumentar o valor, para ser um valor mais expressivo, para a produção de alimentos, nós aumentos de 6.000 para 35 mil, o aporte familiar. E hoje aqui no Nordeste, tem um milhão de contratos, o impacto que está tendo na renda, na agricultura, na vida dos trabalhadores, da produção de alimentos, e o Nordeste é uma potência agrícola”, ressalta o ministro.
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