Economista-chefe do Citi: dólar fraco e juros em queda favorecem América Latina

Por: Redação | Em:
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Johanna Chua, economista-chefe global do Citi América latina e dólar

Ambiente macroeconômico tem impulsionado o apetite por risco na região, segundo Johanna Chua, economista-chefe global do Citi para emergentes. (Foto: Divulgação)

Mercados latino-americanos vêm se beneficiando de um cenário externo mais favorável em 2025, segundo Johanna Chua, economista-chefe global do Citi para emergentes. A combinação de dólar enfraquecido e expectativas de cortes nos juros dos Estados Unidos (EUA) tem impulsionado o apetite por risco em países da região.


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Chua avalia que, apesar da desaceleração econômica em várias economias da América Latina, o movimento não decorre de choques externos, mas de fatores internos. No caso do Brasil, por exemplo, a perda de tração na atividade não está relacionada ao comércio global, ao contrário de países mais integrados ao ciclo externo.

A economista reforçou que o chamado ambiente “Goldilocks”, com crescimento moderado e inflação sob controle, é ideal para a América Latina, mas exige equilíbrio delicado nas variáveis macroeconômicas globais. “O dólar está fraco e as taxas de juros apontam para uma redução, esse é um ambiente muito amigável para a América Latina”, disse.

A economista destacou ainda que, em contextos de desvalorização do dólar e estabilidade nos juros internacionais, os mercados latino-americanos tendem a atrair mais fluxo de capital estrangeiro. A sensibilidade da região ao ambiente financeiro global torna esses momentos estratégicos para investidores.

O México, no entanto, foi citado como caso à parte, devido à sua maior dependência da economia dos EUA. Segundo Chua, o desempenho do país deve variar conforme o ritmo da atividade americana nos próximos trimestres.

Dólar e riscos de reversão no cenário global

Entre as exceções no continente, a Argentina foi apontada como destaque positivo. O país tem atraído atenção de analistas e pode registrar uma recuperação no crescimento econômico neste ano, segundo projeções do Citi.

Além disso, mesmo com o cenário favorável, Chua alertou que a sustentação desse movimento depende da manutenção de uma política monetária mais branda por parte do Federal Reserve (Fed). Há consenso entre analistas sobre a direção dos juros, mas o calendário ainda é incerto.

Se a economia dos EUA surpreender com dados mais fortes, o dólar pode se fortalecer novamente, revertendo parte dos fluxos para mercados emergentes. Nesse contexto, países da América Latina com maior dependência de financiamento externo podem sofrer com a reprecificação do risco.

*Com informações da Bloomberg.

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