Segundo Robinson, ocorre às vezes, uma falta de comunicação mútua na conexão do contador com o empresário no sentido de aliar os rumos. (Foto: PH Ximenes)
Robinson de Castro, presidente da Controller, uma corporação que presta serviço na área de contabilidade, tributos e recursos humanos, relatou que apesar de haver consciência de uma parcela do empresariado sobre a função do contador, parte do setor empresarial se pontua distante do papel do contador para as atribuições empresariais.
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“Às vezes falta ao contador a atitude de chegar nesse empresário e dizer: olha, eu quero lhe apresentar os seus números, esses números são importantes para você. Criar essa cultura de profissionalizar a gestão, partindo do próprio empresário, por incentivo do contador, que tem todas essas informações. E que elas, muitas vezes, não estão à disposição por uma acomodação do contador, que está se colocando muito mais voltado para a área operacional, do dia a dia, fazendo compliance das informações tributárias, fiscais, previdenciárias e trabalhistas”, salienta Robinson.
Segundo o gestor, ocorre uma falta de comunicação mútua na conexão do contador com o empresário no sentido de aliar os rumos. “O empresário está preocupado em vender os seus produtos, maximizar suas vendas, mas nenhum dos dois se encontra para discutir os números do negócio, saber se as ações que estão sendo tomados estão corretas, se existe algum custo que possa ser eliminado, por exemplo, e assim maximizar o lucro, ou alguma estratégia para alavancar o negócio. Eu acho que essa cultura já melhorou muito, mas eu acho que ainda há um certo distanciamento da boa parte dos empresários e dos contadores”, pontuou.
Para Robinson, a contabilidade exerce uma incumbência primordial, quando atua como suporte de gestão para que o investidor, ou acionista ou líder da empresa para implementar as medidas assertivas da entidade. Ele afirma que com a chegada da Inteligência Artificial (IA) no universo global está ocorrendo uma apreensão no aspecto de que o dispositivo esteja ocupando o espaço humano nas prestações de serviço, não apenas no segmento de contabilidade, mas em todos os setores.
“Mas eu entendo que ela vai ser mais uma ferramenta para que a gente consiga fazer o nosso trabalho com mais propriedade, com mais eficiência e, principalmente, com mais velocidade, para que aquelas empresas que a gente atende, seja do setor público ou do setor privado, sejam organizações com fins lucrativos, tenham informações bem detalhadas e de forma rápida, que as ajudem a seguir o melhor caminho”, ressalta Robinson.
Robinson de Castro também geriu a presidência do clube cearense de futebol, o Ceará Sporting Club, no período que compreende 2016 a 2023, e conforme ele, na administração do cargo, ele elucida que a experiência na área de contabilidade foi redimensionada para a gestão do mandato.
“O contador tem um modelo mental muito próprio, então quando a gente tá em qualquer atividade, seja dentro da nossa função, primordial, em qualquer ambiente, está pensando junto ao computador. Abrindo o balanço, do lado esquerdo os ativos, do lado direito os passivos, e já começamos a estabelecer o que é a curto prazo e o que é longo prazo, o que é despesa, o que é custo, o que é resultado de contribuição, o que é resultado líquido, quais são os índices de endividamento, de retorno do capital, de retorno do investimento. E tudo isso faz parte da nossa escola, então é impossível você tirar do contador que está em qualquer ambiente, dentro de casa, ele tá ali pensando com esse modelo mental próprio”, menciona Robison.
As declarações foram realizadas em entrevista exclusiva concedida à Trends, durante a 8ª edição do “Ambiente Empresarial, a nova era dos negócios”. Na ocasião, o CEO da Betel Contabilidade, Lucas Gurgel, enfatizou que o contador precisa entender o cronograma de outras áreas que não seja apenas na área contábil. Ele considera que, assim, o contador estará propenso a fazer o negócio crescer e se desenvolver.
“Você não troca de contabilidade como troca de roupa, o contador vai muito na figura do médico, do advogado, do padre, então ele tem que ser um cara extremamente confiável, e tem que ser um cara que tem que estar ali na linha de frente para ajudar o empresário a tomar decisão. Então quando você se dispõe a fazer isso, o empresário lhe procura para tomar decisões, desde o investimento até a compra de algo”, reforça Lucas.
De acordo com o gestor, a configuração da aplicação dos investimentos acontece inicialmente com um determinado gasto de dinheiro, até que a empresa de contabilidade consiga alcançar a respectiva estratégia de direcionamento. “Então eu vou ter uma empresa de contabilidade, que eu vou cobrar menos pra ganhar no volume ou vou cobrar mais para não ganhar no volume, e ganhar na margem. então tudo isso tem que ser pensado na hora de se montar a estratégia”, frisou.

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