Com a maior costa marítima brasileira de 3.300 km ao longo dos nove estados, a região Nordeste tem potencial para ampliar e consolidar a liderança no crescente mercado da aquicultura e pescados. O comércio internacional de produtos aquáticos alcançou US$ 184 bilhões e 235 milhões de toneladas, com destaque para a aquicultura que ultrapassou, pela primeira vez, 100 milhões de toneladas (103 milhões), representando 53% do total produzido. Com isso, o setor se firmou como um dos principais pilares do abastecimento global de proteína aquática diante dos limites da pesca extrativa.
É nesta esteira que o Nordeste se posiciona. O Brasil, pela primeira vez, ultrapassou a marca de 1,0 milhão de toneladas de pescados. Deste total, o peixe de cultivo respondeu por 783 mil toneladas, 70% de tilápia. E o camarão do Ceará desponta com 172,4 mil toneladas, recorde em 2025, respondendo por 53,3% de toda a produção nacional.
O CEO da Abipesca, Jairo Gund, lembrou do impacto do setor com as tarifas definidas pelos EUA. “Inicialmente fomos beneficiados com a exportação de camarão, mas a situação se reverteu. Como entidade, conseguimos abrir espaço para apresentar o contraponto, pois o peixe é 1% do importado do Brasil pelos EUA. Nossa argumentação valeu a exclusão da tarifa”, historiou Gund, destacando a impossibilidade de definir cenário para 2027.
Expansão do mercado de pescados ainda é um desafio
Os números impressionam, mas poderiam ser ainda maiores, na avaliação de Ricardo Torres, head de portfólio da Seafood Show Latin America 2026, evento que acontece até esta quinta-feira (22), no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP). Para Torres, o desafio da expansão das diversas regiões produtoras, como o Nordeste, passa por uma maior representatividade do setor junto às autoridades com vistas a dar maior suporte à pesca artesanal. Outro desafio é aumentar o consumo per capita que embora tenha passado de 12 para 13 kg, ainda está longe dos 21,3 kg dos países desenvolvidos.
O ministro da Pesca e Aquicultura, Rivetla Edipo Araujo Cruz, afirmou que “o pescado do Brasil nasceu para ser protagonista no mercado global, podendo ampliar a produção e a presença internacional”. Como Ricardo Torres, o ministro também acha que, embora em ascensão, os números do setor podem aumentar de maneira consistente. É o caso das exportações brasileiras de pescados, de US$ 476 milhões em 2025. A performance é fruto da diversificação de produtos e da abertura de 700 novos mercados, e que agora também poderá abrir as portas da União Europeia, cujas negociações o ministro garante que estão bastante adiantadas. A expectativa é de chegar aos US$ 600 milhões neste ano.
Seafood Show Latin America 2026
Esse é o ambiente de otimismo e transformação da Seafood Show Latin America 2026, a maior plataforma de negócios do pescado da América Latina, reunindo produtores, indústria de processamento, importadores, exportadores, distribuidores, atacadistas, varejistas, restaurantes, hotéis, empresas de food service e fornecedores de equipamentos, tecnologia e serviços.
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