O delineamento de imergir no ecossistema brasileiro para a correlação envolvendo o direito a educação, as diretrizes constitucionais de territórios educativos e a educação empreendedora inclusiva direcionada para a formação de crianças, jovens e adolescentes, este é o mote redimensionado por Lia Salomão, gestora do Programa Educação Território da Associação Cidade Escola Aprendiz.
Pela primeira vez em Fortaleza, a gestora apresentou um seminário nesta quinta-feira (8) no La Maison, onde abordou a temática “Educação Integral e Desenvolvimento Territorial: como a educação pode transformar o território”. A explanação faz parte do cronograma da 9ª edição do ConheCER, Seminário Internacional de Educação Empreendedora. Na ocasião, Lia concedeu entrevista exclusiva à Trends.
A geógrafa enfatizou sobre a mobilização juvenil sob a perspectiva da educação integral, produtiva e empreendedora, detalhou acerca de uma extensão da geração de renda, além de pontuar sobre a metodologia aplicada, no que consiste escutar para posteriormente ‘desenhar’ algum tipo de intervenção. Confira:
Trends: Como se aplica a metodologia de educação empreendedora no cotidiano da população?
Eu trabalho na Cidade de Escola Aprendiz, que é uma Organização Social lá de São Paulo. O nosso foco de atuação é a educação integral, pensando os territórios educativos e a proteção integral, principalmente de crianças e adolescentes, jovens e comunidades, essa a nossa linha de atuação principal.
Acho que a gente está aqui para conversar sobre como é a trajetória escolar, o combate à exclusão escolar, a educação integral, pensando numa educação de equidade, pensando na mobilização territorial, que são ativos muito importantes, para pensar em inserção produtiva, para pensar na inserção de jovens do mundo do trabalho.
Então, o nosso plano é dar três passos para trás, e pensar como é que a educação contribui para essa educação empreendedora, como a educação básica contribui pra inserção produtiva, e trazer e apresentar essa ideia dos territórios educativos como uma perspectiva de mobilização comunitária para que a educação básica aconteça, se fortaleça, e possa dar as bases necessárias para essa transformação.
Trends: A intermediação na amplitude de setores e segmentos, quais são os territórios e a interligação com agentes de intervenção?
A gente fala muito desse encontro entre escola e organizações do território. Então quando a gente tem esse encontro entre a escola e os agentes comunitários de saúde, a escola e os museus comunitários, quando a gente pensa nos serviços de convivência de cidadania, dos Cras, da Assistência Social. Como isso, ao se associar às culturas e aos saberes dos territórios, isso vai gerar uma oportunidade de desenvolvimento. Estamos olhando sempre pros territórios, cada uma de um jeito, e pensando com que encontros precisam o que acontecem nesses territórios que são geradores de conhecimento.
Trends: Ao que tange a absorção do fator empreendedorismo, o que você tem constatado na conexão diária com esses territórios?
Acho que o empreendedorismo tem organizado muito dos cotidianos dos territórios. Nisso quero destacar um desejo por territórios que se organizam a partir da geração de renda, a partir de uma ideia de desenvolvimento que tenha relação com geração de renda, e especificidades territoriais.
Mas a minha provocação aqui é justamente pensar, isso é suficiente? O que a educação empreendedora precisa se munir para que ela possa, de fato, trazer caminhos de transformação, para que ela não produza outros vieses de exclusão, para que ela não produza outros desconfortos e competições nesses territórios que vão ao encontro do que a gente está falando que vá ao encontro do que a gente está falando: do fazer junto, do fazer coletivo, de pensar no desenvolvimento para todos.
Trends: Você se encontra em Fortaleza para disseminar essa cultura empreendedora, no entanto, possui uma prática metodológica no sul do país. Neste contexto, com diferenças tão tangíveis, como elevar essa contribuição aqui para o Nordeste?
Na verdade, a nossa metodologia, é uma metodologia de escuta do território, para posterior desenho de intervenção. Então sempre a gente vai pensar em intervenção no território visando o desenvolvimento, visando transformação, a gente está falando de uma intervenção que responda aquele território. Então o processo de escuta, compreensão de quem são os agentes de território, de entendimento e verticalização daquela cultura, eles são balizadores do movimento metodológico.
É preciso entender esse território principalmente pensando quem são os setores, as políticas públicas que estão envolvidas, quais são as culturas e os saberes, que existem nesses territórios. Quem são esses agentes, para além da escola, também estão envolvidos no desenvolvimento territorial e na educação do território onde nos aproximamos, e como é que a gente traz e garante nos processos a participação social, principalmente de crianças e jovens, que a gente está falando de futuro.
Trends: E as unidades de atuação?
A gente atua diretamente com educação, com assistência social, e com saúde, então sempre articulando esses três pilares e a suas políticas públicas intersetoriais. E pensando sempre na dimensão da cultura, e do meio ambiente, que a gente entende que vai trazer muito pensamento inovador.
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