A economia circular já faz parte da rotina de mais da metade das indústrias brasileiras. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 57% das empresas adotam ao menos uma prática para reduzir o desperdício e ampliar o reaproveitamento de materiais.
O percentual, contudo, varia conforme o porte. Entre as grandes indústrias, a adoção chega a 66%. Nas médias, alcança 54%, enquanto entre as pequenas empresas fica em 43%.
Os dados fazem parte da Sondagem Especial nº 102 – Economia Circular 2026, que ouviu mais de 1.600 industriais em todo o país.
Reciclagem lidera práticas adotadas
Entre as iniciativas de economia circular, a reciclagem aparece na primeira posição, citada por 32% das empresas pesquisadas. Na sequência, aparecem a logística reversa de produtos e embalagens, com 26%, e a utilização de materiais reciclados ou recuperados na fabricação de produtos, também com 26%.
Além disso, alguns segmentos apresentam níveis de adesão acima da média nacional. A adoção chega a 86% entre fabricantes de equipamentos de informática e eletrônicos e a 85% na indústria de produtos de borracha.
Celulose e papel aparecem com 78%. Já o setor de calçados registra 76%, enquanto os biocombustíveis alcançam 75%.
Portanto, os dados indicam que a circularidade ganha espaço em diferentes cadeias industriais, embora a participação ainda dependa do porte e das características de cada setor.
Indústria relaciona circularidade à redução de emissões
A economia circular também aparece associada à agenda climática. Entre as empresas que adotam essas práticas, 57% consideram que as iniciativas contribuem para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Nesse grupo, a percepção varia novamente conforme o porte. O índice chega a 64% entre as grandes empresas, enquanto alcança 53% nas médias e 46% nas pequenas.
Além disso, setores como biocombustíveis, produtos de borracha, bebidas e celulose e papel apresentam mais de 70% das empresas reconhecendo essa relação.
A avaliação acompanha a estratégia climática brasileira. A Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do país considera a economia circular entre as iniciativas relacionadas à redução das emissões e à meta de neutralidade climática até 2050.
Redução de custos aparece entre os principais ganhos
Para as empresas que já adotam práticas circulares, os benefícios econômicos também pesam na decisão. A redução dos custos operacionais é apontada por 40% das indústrias como o principal benefício esperado.
Na sequência, aparecem a melhoria da imagem corporativa, citada por 31%, e o estímulo à inovação em produtos, processos e serviços, mencionado por 30%.
Por outro lado, quase metade das empresas ainda encontra dificuldade para mensurar os resultados financeiros dessas iniciativas. Ao todo, 46% afirmam não saber medir o impacto direto da economia circular sobre o faturamento.
Esse cenário pode estar relacionado ao fato de parte dos ganhos surgir de maneira indireta ou no médio e longo prazo. Entre os efeitos estão a redução de desperdícios, o uso mais eficiente de recursos e a criação de novas oportunidades de mercado.
Crédito e demanda desafiam expansão
Apesar do avanço, a indústria ainda enfrenta obstáculos para ampliar a circularidade. A pesquisa divide os principais desafios em três grupos: econômicos, tecnológicos e culturais.
No campo econômico, 25% das empresas apontam a falta de demanda por produtos circulares e as taxas de juros elevadas como obstáculos relevantes. Na sequência, 23% citam a falta de isonomia tributária entre materiais reciclados e matérias-primas virgens.
Já no aspecto tecnológico, a viabilidade econômica das soluções necessárias aparece como principal barreira para 30% das empresas.
Entre as pequenas indústrias, por sua vez, a falta de mão de obra qualificada lidera os entraves internos, com 21%.
No âmbito cultural, 37% dos industriais citam a falta de conhecimento do consumidor como uma barreira. Além disso, 21% apontam a percepção negativa do público sobre produtos circulares.
Indústria defende incentivos para acelerar transição
Diante dos obstáculos, o setor industrial defende medidas capazes de reduzir o custo de implementação e estimular novos investimentos.
Entre as principais demandas estão os incentivos econômicos para infraestrutura de reciclagem e logística reversa, apontados por 47% dos empresários.
Além disso, 46% defendem incentivos para projetos de inovação relacionados à economia circular.
Assim, embora a adoção já alcance 57% das indústrias brasileiras, os dados mostram que a expansão depende de fatores como acesso a crédito, tecnologia, qualificação profissional e maior demanda por produtos circulares.