A expansão da inteligência artificial e o aumento do tráfego de dados estão levando a Angola Cables a revisar o projeto de seu segundo data center no Ceará. A companhia avalia uma estrutura de maior escala, com possibilidade de atender grandes plataformas digitais e empresas de IA.
A mudança no planejamento foi confirmada por Samuel Carvalho, CEO da Angola Cables Europa, durante a 3ª edição do Atlantic Convergence, conferência promovida pela DE-CIX, em Lisboa. Segundo o executivo, a empresa ainda analisa o formato e a localização mais adequados para o novo empreendimento.
Demanda por IA muda projeto
O projeto inicialmente previa um investimento de US$ 40 milhões para a construção de um segundo data center. A Angola Cables firmou uma parceria com o Governo do Ceará em 2022 para viabilizar o empreendimento.
Entretanto, o crescimento da demanda por processamento de dados levou a companhia a rever a estratégia. Além da inteligência artificial, o mercado de jogos também aparece entre as áreas que podem ampliar a necessidade por infraestrutura digital.
Nesse cenário, a empresa avalia a possibilidade de desenvolver um data center de hiperescala. Esse modelo atende operações com grande volume de processamento e armazenamento, especialmente aquelas associadas a grandes plataformas digitais.
Carvalho afirma que a Angola Cables mantém contato com empresas de conteúdo e inteligência artificial. Por isso, a companhia considera os requisitos apresentados por esses potenciais clientes na definição do novo projeto.
Fortaleza e Pecém entram na avaliação
A empresa ainda não definiu quando formalizará o novo empreendimento. Ao mesmo tempo, avalia alternativas de localização tanto na Praia do Futuro, onde já mantém uma operação, quanto na região do Pecém.
A Angola Cables opera um data center na Praia do Futuro desde 2019. Além disso, a companhia administra uma rede de aproximadamente 33 mil quilômetros de cabos submarinos, formada pelos sistemas WACS, SACS e MONET.
Os sistemas WACS e SACS chegam ao hub de cabos de Fortaleza. Dessa forma, a infraestrutura instalada no Ceará oferece conexão com diferentes mercados e baixa latência para Europa e África.
Segundo Carvalho, a empresa também analisa diferentes formatos para atender à demanda. Entre as possibilidades estão uma estrutura compartilhada com um operador existente ou uma instalação própria voltada a uma empresa de inteligência artificial.
Nesse modelo, a companhia considera que um data center pode ser construído em aproximadamente 12 meses, permitindo ampliar a capacidade conforme a necessidade de clientes de grande escala.
Praia do Futuro pode ampliar papel na conectividade
Além do novo data center, a Angola Cables pretende reforçar sua infraestrutura de conectividade por cabos submarinos. A estratégia considera a expansão da Praia do Futuro como um polo de interconexão entre redes submarinas e centros de processamento de dados.
Nesse contexto, a empresa trabalha com a perspectiva de ampliar a quantidade de cabos que chegam à região. Por sua vez, a companhia também considera a possibilidade de novos projetos de conexão entre diferentes pontos da costa sul-americana.
A lógica acompanha uma mudança na infraestrutura necessária para operações digitais intensivas. Com o avanço da inteligência artificial, conteúdos e aplicações demandam maior capacidade de conectividade, computação em nuvem e processamento físico.
Assim, a estratégia da Angola Cables combina a expansão dos cabos submarinos com a possibilidade de ampliar a capacidade de data centers. A definição do novo projeto, contudo, ainda depende da avaliação da demanda e do modelo de operação mais adequado.
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