Os portos brasileiros começam a receber, em outubro, os navios da temporada de cruzeiros marítimos 2026/2027. Segundo o Ministério do Turismo, o novo ciclo prevê oito navios, 187 roteiros e 675 escalas, além de mais de 831 mil leitos disponíveis.
O número representa uma alta de 24% na oferta de leitos em comparação com a temporada anterior. Com isso, o setor amplia a capacidade de receber turistas e movimentar atividades ligadas ao transporte, hospedagem, alimentação e serviços turísticos.
Além disso, a programação contempla diferentes destinos brasileiros, que recebem passageiros tanto para embarque e desembarque quanto para escalas durante os roteiros.
Bahia prevê 179 mil passageiros
Na Bahia, a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) estima a passagem de aproximadamente 179 mil passageiros pelos portos de Salvador e Ilhéus durante o ciclo 2026/2027.
Em Salvador, a temporada começa em 7 de outubro, com a chegada do World Odyssey. Já em Ilhéus, a primeira escala está prevista para 10 de novembro, com a chegada do AIDAsol.
A movimentação, entretanto, não se limita aos passageiros. Ao longo das escalas, os destinos também recebem tripulantes e registram demanda por transporte, alimentação, hospedagem, comércio e atrações turísticas.
Santos terá 146 escalas
Enquanto a Bahia inicia a programação em outubro, o Porto de Santos (SP) terá a primeira atracação da temporada em 20 de outubro. Na data, o Buenavista, da Corazul Cruzeiros, chega ao terminal.
Três dias depois, em 23 de outubro, o navio realiza sua primeira saída comercial. Segundo a Prefeitura de Santos, a operação seguirá por 92 dias, até 4 de abril de 2027.
Nesse período, o porto deve receber 146 escalas de dez embarcações de sete companhias. Desse total, 142 serão de cabotagem e quatro corresponderão a operações de longo curso.
A expectativa da prefeitura é movimentar aproximadamente 785 mil passageiros e tripulantes durante a temporada.
Para preparar a estrutura para o novo ciclo, representantes do setor, autoridades públicas, companhias marítimas e órgãos envolvidos na operação se reuniram no início de setembro, no Terminal Marítimo de Passageiros (Concais).
Na ocasião, os participantes alinharam procedimentos de embarque, desembarque e trânsito de passageiros. Dessa forma, a reunião buscou antecipar ajustes operacionais antes do início do período de maior movimentação.
Temporada anterior movimentou R$ 4,28 bilhões
O desempenho do setor na temporada anterior ajuda a dimensionar esse mercado. Entre outubro de 2025 e abril de 2026, sete navios realizaram cruzeiros de cabotagem no Brasil.
De acordo com o estudo Cruzeiros Marítimos – Estudo de Perfil e Impactos Econômicos no Brasil, elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a CLIA Brasil, os navios registraram 602.864 cruzeiristas embarcados.
O resultado representou uma redução de aproximadamente 28% em relação ao ciclo anterior. Por outro lado, o país também recebeu embarcações em roteiros internacionais.
Ao todo, 21 navios internacionais fizeram escalas no Brasil. Juntas, essas embarcações passaram por 35 destinos e registraram 293.596 visitas de passageiros e 139.108 visitas de tripulantes.
Impacto econômico chega a R$ 4,28 bilhões
A operação de cabotagem gerou um impacto econômico estimado em R$ 4,28 bilhões na temporada 2025/2026. Desse total, aproximadamente R$ 2,28 bilhões vieram dos gastos das armadoras com operação e logística.
Enquanto isso, passageiros e tripulantes movimentaram cerca de R$ 2 bilhões nas cidades de embarque, desembarque e trânsito.
Além da movimentação financeira, a atividade esteve associada à geração de mais de 64,5 mil postos de trabalho e à arrecadação de R$ 166,3 milhões em tributos.
Para a temporada 2026/2027, a oferta maior de leitos ocorre, portanto, em um cenário de ampliação da capacidade do setor. Ao mesmo tempo, a presença dos navios mantém os destinos costeiros conectados a uma cadeia que envolve turismo, transporte, comércio e serviços.
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