Analistas do Boletim Focus apontam que as projeções da taxa básica dos juros podem auferir dois cortes de 0,25 ponto percentual da Selic até o fim do ano.
A expectativa da mediana para a taxa básica de juros no fim do próximo ano caiu de 14%, onde permaneceu nas últimas cinco semanas, para 13,75%.
A avaliação ocorrida nesta segunda-feira (3) surge quando se encontra na iminência de acontecer a obtenção da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).
Nesta terça-feira (4) inicia o encontro com os entes do Copom debatendo o cenário econômico com expectativa de que a nova Taxa Selic seja anunciada amanhã.
O panorama atribui num momento sobre a sequência de dados inflacionários favoráveis ao contexto, com destaque para o IPCA-15 de julho, que projetou índices abaixo do esperado.
Segundo a Ativa Investimentos, a mudança nas projeções reflete uma “reação direta à melhor conjuntura inflacionária”, após dados recentes da inflação resultar melhores do que o esperado e uma perspectiva mais branda para o preço das commodities.
Especialistas avaliam possibilidade de corte mais profundo da Selic
O Copom ainda irá realizar mais três reuniões, contabilizando com a projeção deste mês. O CEO da Asset, Gustavo Assis, destaca que a nova decisão tende a produzir um corte de 0,25 ponto percentual.
No entanto, menciona que a redução da projeção do Focus para 13,75% no fim do ano indica que o mercado começou a admitir mais algum espaço para flexibilização, mas não autoriza projetar 13% automaticamente.
“Para chegar a esse patamar em 2026, o Banco Central precisaria abandonar em algum momento o ritmo de 0,25 ponto, algo que exigiria uma sequência consistente de inflação abaixo do esperado”, frisa.
Ao passo que o especialista ressalta que o cenário mais provável continua sendo de cortes graduais, intercalados por eventual pausa para reavaliar os dados.
“Para a gestão de patrimônio, o ponto central não é antecipar uma queda linear da Selic, mas construir carteiras capazes de capturar o fechamento da curva sem abandonar liquidez, diversificação e proteção contra cenários alternativos”, pontua.
Foco: emprego e renda
A Sócia da Finscale, Letícia Moschioni, reforça que a inflação corrente cedeu, a indústria enfraqueceu, porém os índices de emprego e a renda continuam sustentando a demanda.
Ela analisa que a revisão do Focus para uma Selic de 13,75% no fim do ano sugere continuidade moderada do ciclo.
“Já a taxa de 13% exigiria aceleração em uma das próximas reuniões e, para isso, seria necessário enxergar uma desaceleração mais persistente também nos serviços, no crédito e no mercado de trabalho”, afirma.
O CEO do Grupo Intra, Valdir Piran Jr., relata que a política monetária continua dependente dos dados, mas também da confiança do mercado na trajetória das contas públicas.
O especialista pondera que a projeção da Selic em 13,75% no fim de 2026 é compatível com o cenário atual, contudo destaca que uma taxa próxima de 13% ainda parece distante.
“Será necessário observar uma redução mais consistente das expectativas, maior estabilidade cambial e, principalmente, uma percepção de maior sustentabilidade da dívida pública”, acentua.
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