O Brasil está próximo de superar os Estados Unidos como maior exportador agrícola do mundo. A avaliação é do jornal britânico Financial Times, que destaca o avanço do agronegócio brasileiro e a redução da diferença entre os dois países nos últimos anos.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA e do Ministério da Agricultura, os norte-americanos exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas em 2025, apenas US$ 2 bilhões acima dos US$ 169 bilhões registrados pelo Brasil. Em 2021, essa diferença era de US$ 56 bilhões.
Exportações brasileiras seguem em alta
De acordo com a reportagem, as exportações do agronegócio brasileiro cresceram 6% no primeiro semestre de 2026, alcançando o recorde de US$ 87 bilhões.
O desempenho reflete a liderança do Brasil na produção de soja, carne bovina e carne de frango. Além disso, o país ampliou sua presença em outras cadeias, como a do algodão, segmento em que ultrapassou os Estados Unidos como principal exportador mundial.
China acelerou mudança no comércio global
O Financial Times atribui parte dessa mudança às disputas comerciais iniciadas durante o primeiro governo de Donald Trump.
Segundo analistas ouvidos pelo jornal, as tarifas impostas pelos Estados Unidos em 2018 provocaram uma forte redução das compras chinesas de produtos agrícolas americanos. Como consequência, a China ampliou as importações de commodities brasileiras.
Dados do UN Comtrade mostram que, em 2016, Brasil e Estados Unidos exportavam volumes semelhantes de soja para o mercado chinês. Entretanto, após a retaliação comercial de Pequim, o Brasil ampliou rapidamente sua participação. Em 2025, o país exportou mais de 80 milhões de toneladas de soja para a China.
Agricultura brasileira amplia competitividade
O jornal ressalta que o crescimento do agronegócio brasileiro não resulta apenas das tensões comerciais entre Estados Unidos e China.
A reportagem destaca que, desde a década de 1970, o Brasil expandiu sua produção agrícola com investimentos em tecnologia, adaptação de cultivos ao Cerrado e aproveitamento de áreas antes consideradas pouco produtivas.
Além disso, o modelo de produção permite, em muitas regiões, realizar duas ou até três safras por ano, aumentando a produtividade e diluindo custos.
Segundo Raphael Bulascoschi, analista da StoneX, esse sistema melhora a rentabilidade das propriedades rurais ao distribuir os custos fixos por um volume maior de produção.
Setor também enfrenta desafios
Apesar do avanço, especialistas ouvidos pelo Financial Times afirmam que o agronegócio brasileiro também enfrenta desafios importantes.
Entre eles estão os juros elevados, a queda dos preços internacionais das commodities e o aumento do custo dos fertilizantes após os conflitos no Oriente Médio. Como o Brasil depende da importação de boa parte desses insumos, oscilações no mercado internacional podem pressionar os custos de produção.
Enquanto isso, o jornal destaca que produtores americanos continuam registrando alta produtividade, mas enfrentam margens menores devido às disputas comerciais e aos preços mais baixos das commodities agrícolas. Segundo a American Farm Bureau Federation, diversas culturas deverão operar com prejuízo na próxima safra.
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