A expectativa de investimentos e aplicações do Banco do Nordeste (BNB) na respectiva região de atuação para os próximos três anos situa-se em algo aproximado a R$ 70 bilhões.
A previsibilidade é uma perspectiva do diretor financeiro e de crédito do Banco do Nordeste, Wanger Rocha.
Atualmente, conforme dados do gestor, a instituição bancária aportou R$ 33 bilhões nesta conjuntura, nos últimos três anos.
“A meta em banco é sempre maior. Então acho que nós devemos continuar investindo muito, atrelado a toda nova política da Indústria Brasil, e é possível que a gente chegue a um número superior a esse”, complementa.
Os dois principais eixos de microcrédito do banco nos setores urbano e rural, respectivamente, o Crediamigo e o Agroamigo, Wanger avalia que estes pilares se vinculam a missão do BNB no critério de “transformar vidas”.
Wanger aponta que o Crediamigo no ano passado repassou R$ 12 bilhões, e juntando às aplicações do Agroamigo, os investimentos somaram em torno de R$ 22 bilhões.
“Os números são muito expressivos, atendendo aproximadamente 4,2 milhões de beneficiados, são os dois maiores programas da América Latina de microfinanças”, avalia.
Indagado acerca da transição energética no Nordeste, o gestor destaca que na geração de 33 GW de energia eólica do país, o Nordeste detém 31 GW.
Além do mais, no panorama do sistema industrial fotovoltaico, Wanger analisa que a produção nacional assinala 17 GW, enquanto somente no Nordeste detém 9,12 GW.
“O que tiver implantado nesse Nordeste, não se tenha dúvida que tem a presença do Banco do Nordeste. Se averiguar uma pá eólica circulando ou uma usina fotovoltaica, ali está o BNB”, pontua.
Os esclarecimentos foram efetivados em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (2) na sede do BNB, em Fortaleza, durante a realização do “Fórum BNB de Desenvolvimento”.
Nova Indústria Brasil é o principal eixo do Fórum BNB de Desenvolvimento
Na ocasião, o economista-chefe do BNB, Rogério Sobreira, realça que o fator primordial em debate no seminário se firmou na discussão dos pilares da territorialização da Nova Indústria Brasil (NIB).
“O qual é a política pública mais recente, é onde é reconhecido em critério de Brasil, a importância da reindustrialização como forma de reinserir o Brasil na nova divisão internacional do trabalho”, menciona Rogério.
O especialista relata que não se pode evidenciar industrialização no eixo setorial, no entanto no sentido de combinar os segmentos com localização e territorialização.
“De modo que junto a reindustrialização, venha também o desenvolvimento regional e a redução das desigualdades regionais”, reforça.
No que concerne à infraestrutura industrial do Nordeste, Rogério enfatiza que é necessário reconhecer que ocorreu uma deficiência no desenho inicial da política pública.
Contudo, ele elucida que é preciso construir uma estratégia de territorialização que articule a integração dos estados.
“Para que os estados da região articulados possam discutir e, junto ao Governo Federal, competir e provocar, essa territorialização”, frisa.
A princípio, o economista destaca que o Fórum se posicionou como um espaço de especulação no melhor sentido do termo.
Segundo Sobreira, o painel do circuito permite estender as fronteiras da linha de atuação institucional do banco, e para além disso, sugestões para a execução programática dos estados da região.
“É um espaço para essa discussão, reflexão, que num primeiro momento possa parecer que não tenha uma aplicação mais imediata, mas sim estimula, provoca a discussão interna no banco, e isso vai se traduzir em ações concretas”, salienta.
Fundos nacionais de crédito para o Nordeste poderiam ser o dobro
O aparato de fundos nacionais de crédito e financiamento para o Nordeste poderia ser o dobro do que é aplicado nos dias de hoje.
A ponderação é do técnico em planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPEA), Aristides Monteiro Neto.
Aristides constatou que, no ano de 2024, as fontes federais liberaram 14,7% para o Nordeste.
Ele remonta na conjuntura a linha de atuação do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, o FNE.
“Nós queríamos que tivesse um patamar muito mais elevado, pelo menos o dobro do que eu mostrei. Numa situação ideal, isso demoraria duas décadas”, ressalta.
O gestor acentua a viabilidade de acréscimo iminente anual dos 14,7% para os 16 e 17%. No entanto, considera insuficiente o que concerne ao censo da região, estimado, conforme ele, em 28% da população brasileira.
“Podia ter mais crédito, então todo crédito que vier a mais é bom, agora a intensidade é que é o problema”, afirma.
Aristides explica que uma das soluções se pontua no ‘funding’ crescente do Banco do Nordeste, fomentando a participação no financiamento nordestino.
Gestora do IBGE considera pesquisa digital desalinhada a critério regional
A inserção das big techs implementada na metodologia de pesquisa no campo do Instituto de Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é um cenário não criterioso.
Em conclusão, a impressão é da diretora executiva do IBGE, Flávia Vinhaes.
Ao passo que, apesar de considerar a rápida e ampla obtenção de dados pelos dispositivos digitais, a gestora questiona o rigor metodológico aplicado.
“E pode surgir uma produção de informações que não tem respaldo em critérios metodológicos testados internacionalmente, respeitando todas as diversidades regionais”, reforça.
Ponto fundamental apontado por Vinhaes é no que tange às características de linguagens adotadas regionalmente, no aspecto de detectar o entendimento da informação.
Ela destaca que o debate sempre se estabeleceu no âmbito institucional do IBGE.
“É que para a gente chegar ao domicílio das pessoas e coletar as informações relevantes para a sociedade, a gente precisa utilizar as linguagens, conhecer os hábitos. O que se consome no Nordeste é diferente do que se consome do Sudeste que também é diferente do que se consome no Sul”, realça.
Saiba Mais:
BNB registra lucro de R$ 488 milhões no 1º trimestre de 2026
BNB destina R$ 173 milhões para impulsionar turismo em Pernambuco