A América do Sul e a América Central registraram, em 2025, a matriz elétrica mais descarbonizada do mundo. Segundo o relatório Statistical Review of World Energy, 75% da eletricidade gerada na região veio de fontes renováveis, consolidando a liderança global em energia de baixo carbono.
Ao mesmo tempo, a região ampliou a produção de petróleo e gás natural, reforçando a dependência econômica das exportações de combustíveis fósseis. Os dados foram divulgados pelo The Energy Institute, em parceria com Ember, Kearney e KPMG.
Geração renovável
A geração de eletricidade na América do Sul e Central alcançou 1.528 terawatt-hora (TWh) em 2025. Desse total, três quartos tiveram origem em fontes de baixo carbono.
Além disso, as usinas hidrelétricas responderam por 48% de toda a eletricidade produzida na região. Segundo o relatório, as fontes renováveis registraram crescimento médio de 6,3% na última década.
Desafios na infraestrutura
Apesar da liderança mundial em geração renovável, o relatório destaca desafios para expansão do setor. No Brasil, por exemplo, fontes renováveis enfrentam cortes de geração, conhecidos como curtailment, devido às limitações da infraestrutura de transmissão e ao baixo crescimento da demanda por energia.
Recentemente, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) precisou cortar 14.278 GW de geração renovável no Nordeste. O volume supera a capacidade instalada da Itaipu Binacional.
Para Maria de Kleijn, sócia da área de Sustentabilidade da Kearney, a expansão das renováveis exige avanços em toda a infraestrutura do sistema elétrico.
“A implementação, por si só, não basta. A próxima fase da transição será definida por uma execução que abranja todo o sistema, garantindo que as redes, o armazenamento e as soluções de flexibilidade acompanhem esse ritmo, para que o crescimento da energia limpa se traduza em transformação econômica e social”, afirma.
América do Sul aumenta produção de petróleo
Por outro lado, os países sul-americanos ampliaram a produção de petróleo e gás natural em 2025. Ao todo, a região produziu, em média, 8,593 milhões de barris por dia, volume 10% superior ao registrado no ano anterior.
Esse crescimento concentrou-se principalmente em Argentina, Brasil, Venezuela e Guiana.
Pré-sal como destaque
No Brasil, a expansão da produção continua fortemente apoiada nos campos do pré-sal.
Recentemente, o Campo de Búzios ultrapassou a produção média de 1,2 milhão de barris de petróleo por dia. O novo recorde ocorreu com o avanço das plataformas P-78 e P-79, que seguem em processo de desenvolvimento da produção.
Dessa forma, o relatório indica que a América do Sul combina liderança global em geração renovável com o crescimento da produção de petróleo, evidenciando o desafio de equilibrar a transição energética com a relevância econômica dos combustíveis fósseis.
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