Agro concentra R$ 158 bi e lidera renúncias tributárias no Brasil

agro e dinheiro tributário
Agro concentra R$ 158 bilhões em benefícios fiscais em 2024 e passa a ocupar o centro do debate sobre incentivos tributários no Brasil. (Foto: Magnific)

Os benefícios fiscais destinados ao agronegócio somaram cerca de R$ 158 bilhões em 2024, segundo dados do novo painel lançado pelo Ministério da Fazenda. O valor representa quase metade dos R$ 339,86 bilhões em renúncias tributárias registradas no país e coloca o setor no centro das discussões sobre transparência, eficiência e revisão dos incentivos.

Além disso, o montante declarado pelo setor ficou próximo do dobro da estimativa inicial, de aproximadamente R$ 83 bilhões. Com isso, o agronegócio passa a concentrar parte relevante do debate sobre a calibragem das políticas tributárias e os critérios para manutenção dos benefícios.

Agro no centro do debate

O novo painel da Fazenda detalha a distribuição das desonerações tributárias no Brasil. A plataforma reúne informações sobre 87 programas e cerca de 86 mil empresas beneficiadas, permitindo identificar setores, regiões, municípios e empresas que recebem incentivos.

Nesse contexto, o agronegócio se destaca pelo volume de recursos concentrados. Como resultado, cresce a cobrança por informações mais detalhadas sobre os impactos econômicos gerados pelos benefícios concedidos ao setor.

Benefícios fiscais podem reduzir custos, estimular investimentos e fortalecer cadeias produtivas estratégicas. Ao mesmo tempo, representam receitas que deixam de ingressar nos cofres públicos. Por essa razão, a dimensão dos incentivos destinados ao agro amplia o interesse sobre sua efetividade.

Benefícios fiscais

O dado que mais chamou atenção no levantamento foi a diferença entre a projeção inicial e o valor efetivamente registrado. Enquanto as estimativas apontavam cerca de R$ 83 bilhões em incentivos ao setor, o valor declarado alcançou aproximadamente R$ 158 bilhões.

Dessa forma, o painel reforça o debate sobre a necessidade de aperfeiçoar mecanismos de acompanhamento e avaliação das renúncias tributárias.

O peso do agronegócio, contudo, reflete sua relevância para a economia brasileira. Afinal, o setor possui participação expressiva nas exportações, no abastecimento interno e na geração de divisas para o país.

Mais transparência

Quanto maior o incentivo, maior tende a ser a cobrança por critérios claros de manutenção. Nesse sentido, especialistas defendem avaliações periódicas capazes de demonstrar resultados concretos em produtividade, investimentos e geração de empregos.

Além disso, os dados revelam que cerca de 46% dos benefícios tributários foram direcionados a setores classificados como de baixa intensidade tecnológica. Por consequência, o debate sobre eficiência e retorno econômico deve ganhar força nos próximos meses.

A distribuição geográfica também entra na discussão. Segundo o painel, 59,1% das renúncias fiscais foram destinadas a municípios de baixa vulnerabilidade, o que amplia os questionamentos sobre os critérios utilizados para direcionar os incentivos.

Perse e folha aparecem

Embora o agro concentre a maior parcela dos benefícios fiscais, outros programas também chamam atenção.

O Perse registrou R$ 17,81 bilhões em benefícios tributários em 2024. Inicialmente, a estimativa variava entre R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões. Assim, o programa voltou ao centro das discussões sobre monitoramento e controle das renúncias fiscais.

Por sua vez, a desoneração da folha de pagamentos somou cerca de R$ 19,1 bilhões no período. O tema envolve debates sobre emprego formal, competitividade empresarial e arrecadação previdenciária.

Agenda econômica

O lançamento do painel ocorre em meio às discussões sobre equilíbrio fiscal, arrecadação e qualidade do gasto público. Nesse cenário, os incentivos tributários passam a ocupar espaço crescente na agenda econômica.

Segundo Débora Freire, secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, o objetivo da ferramenta é “colocar luz” sobre o debate relacionado aos benefícios tributários.

Contudo, o painel não mede sozinho os impactos econômicos dos programas. A plataforma organiza informações da Receita Federal e caracteriza os incentivos existentes. Para avaliar resultados efetivos, será necessário analisar indicadores relacionados a emprego, investimento, produtividade e desenvolvimento regional.

Novo teste

O novo painel não altera imediatamente as regras dos incentivos tributários. Ainda assim, a ferramenta aumenta a transparência e reduz a opacidade em torno dos programas existentes.

A partir de agora, o desafio será demonstrar quais benefícios geram retorno econômico compatível com o custo fiscal envolvido. No caso do agronegócio, que concentra aproximadamente R$ 158 bilhões em incentivos, a discussão tende a ganhar ainda mais relevância.

Assim, o painel inaugura uma nova etapa do debate. Mais do que discutir o volume das renúncias, governo, Congresso e setor produtivo passam a discutir quem recebe, quanto recebe e quais resultados os benefícios fiscais efetivamente entregam para a economia brasileira.

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