O circuito do mercado de capitais movimentou R$ 283 bilhões em ofertas encerradas nos primeiros cinco meses do ano, aumento de 14,1% no comparativo a 2025. Os dados foram anunciados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Os principais vetores se aludem ao desempenho dos Fundos de Investimento em Direitos Creditório (FIDCs), os títulos híbridos e o ambiente de ações. No critério de quantidades, houve um crescimento de 11,3%, somando 1.156 operações.
O presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, Guilherme Maranhão, realça a pujança do segmento.
“Os dados de emissões locais e externas reforçam a percepção de um mercado de capitais mais completo e com capacidade de atender diversos cenários de apetite a risco através de diferentes estratégias de captação”, afirma.
O ranking dos ativos do setor
Em primeiro lugar no período avaliado se configura as emissões de debêntures, totalizando R$ 146,3 bilhões. Contudo, apresentou recuo de de 5,9% na comparação ao ano passado.
Em destaque investimentos por itens: infraestrutura (43,1%), gestão ordinária (19,2%) e pagamento de dívidas (15,2%).
Na segunda colocação se situa dos FIDCs, volume que registrou captação R$ 41,7 bilhões, aumento de 36,5% na comparação com o balanço realizado nos primeiros cinco meses do ano passado.
Em seguida, os títulos híbridos que atingiram no total R$ 36,8 bilhões. Neste critério, somando os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e os Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagros).
Os ativos de facilitação de companhias de menor porte, as notas comerciais, alcançaram R$ 17,1 bilhões no período. Quantia em expansão de 44,9% em relação ao mesmo intervalo no ano anterior.
FIDCs na ponta de aquisições na economia de investidores
O CEO da Azumi Investimentos, Edgar Araujo, avalia que num cenário de crédito bancário mais seletivo, a relevância englobe os FIDCs na conexão de investidores e economia real.
A tendência se aplica também, conforme o gestor, em empresas pressionadas por capital de giro.
No entanto, aponta que a ponte necessita de um grau proeminente de confiança.
“O mercado está amadurecendo. A próxima fase dos FIDCs deve ser menos marcada pela euforia da rentabilidade e mais pela capacidade de provar qualidade de crédito, controle de dados e governança”, frisa.
Ele reforça que quando a estruturação é criteriosa, o fundo pode aproximar empresas que precisam de liquidez de investidores dispostos a financiar a economia real.
“Mas essa ponte só se sustenta com informação confiável e acompanhamento contínuo”, enfatiza.
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