Terras raras: Brasil rejeita proposta do G7 para reserva estratégica

g7 e terras raras
Brasil decide não aderir à proposta do G7 para criação de reserva estratégica de terras raras e mantém posição de neutralidade. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O Brasil decidiu não aderir à proposta discutida pelo G7 para a criação de uma reserva estratégica internacional de terras raras. A iniciativa, liderada pelos Estados Unidos, busca fortalecer a segurança das cadeias globais de suprimento e reduzir a dependência da China na produção e no processamento desses minerais.

Embora o país tenha sido convidado a participar das discussões durante a cúpula do G7, realizada na França, fontes do governo informaram que o Brasil não pretende integrar a iniciativa. Segundo a avaliação do governo, a proposta não está alinhada à estratégia diplomática brasileira para o setor de minerais críticos.

Terras raras entram na agenda do G7

O G7 reúne Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá. Durante a cúpula, o grupo debate mecanismos para ampliar a segurança das cadeias de suprimento de minerais considerados estratégicos para setores como energia, tecnologia e defesa.

Nesse contexto, os países discutem a criação de uma reserva estratégica de terras raras. A proposta surge em meio às preocupações com a concentração da oferta global desses minerais na China.

Brasil fora da iniciativa

Segundo informações citadas no texto-base, o governo brasileiro descartou aderir à proposta. Uma fonte ouvida pela agência Eixos afirmou que o Brasil não costuma apoiar iniciativas que possam ser interpretadas como um “clube anti-China”.

Dessa forma, o governo busca manter sua estratégia de atração de investimentos para o setor mineral sem aderir a iniciativas voltadas ao isolamento da China.

Ao mesmo tempo, a posição acompanha declarações recentes de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, sobre a exploração de minerais críticos no país.

“Não temos veto, preferência por ninguém, pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano, quem quiser, desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas e a gente quer explorar aqui dentro”, declarou o presidente.

Brasil e Suíça

Durante a participação na cúpula, Lula se reuniu com Guy Parmelin, presidente da Suíça.

Segundo publicação do presidente brasileiro nas redes sociais, os dois países discutiram a ampliação da cooperação em áreas como inteligência artificial, transição energética, biotecnologia, defesa e minerais críticos.

Além disso, Lula destacou a importância do acordo entre Mercosul e EFTA para ampliar o comércio bilateral em um ambiente internacional marcado pelo aumento do protecionismo.

Disputa global

Nos últimos meses, os países do G7 intensificaram as discussões sobre minerais críticos diante da elevada concentração da produção e do processamento na China.

Nesse sentido, ministros do Comércio, das Finanças e presidentes de bancos centrais do grupo defenderam o fortalecimento de cadeias de suprimento mais resilientes e diversificadas.

Por sua vez, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a concentração da oferta desses minerais representa um desafio estratégico para as economias ocidentais.

Além disso, os países do G7 discutem mecanismos para ampliar investimentos em mineração e processamento fora do território chinês, incluindo propostas relacionadas a preços mínimos para determinados minerais estratégicos.

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