Atlântico inaugura laboratório de IA de R$ 15 mi em Fortaleza

Instituto Atlântico inteligência artificial IA
Instituto Atlântico inaugura laboratório de IA em Fortaleza com robôs, fábrica simulada e foco em indústria, energia e Green AI. (Foto: Divulgação)

O Instituto Atlântico coloca em operação nesta quinta-feira (14), em Fortaleza, o Laboratório de Inteligência Artificial (Alia), estrutura voltada ao desenvolvimento de soluções de IA para a indústria brasileira. O projeto reúne investimento de R$ 15 milhões em infraestrutura tecnológica, robótica e computação de alto desempenho.

Além disso, o laboratório nasce com foco em tornar a inteligência artificial mais eficiente do ponto de vista econômico e energético. A estrutura inclui seis robôs, entre eles um humanoide, um quadrúpede, braços robóticos, drones, impressoras 3D e uma fábrica simulada para testes industriais em ambiente controlado.

Green AI para reduzir custo energético

O Alia direciona parte das pesquisas para o conceito de Green AI, modelo que busca reduzir o consumo energético dos sistemas de inteligência artificial sem comprometer desempenho computacional.

Segundo Alex Monteiro, gerente executivo de operação do laboratório, a proposta combina sustentabilidade ambiental e eficiência financeira. “Uma infraestrutura mais otimizada também reduz custo energético e operacional”, afirma.

Além disso, o laboratório trabalha em toda a cadeia da IA, incluindo hardware, sistemas operacionais, ferramentas e aplicações. Com isso, o Atlântico busca criar modelos mais especializados e com menor necessidade de processamento.

Laboratório simula chão de fábrica para testar tecnologias

Outro diferencial do Alia é a criação de uma microindústria dentro do laboratório. O ambiente replica processos industriais reais para acelerar o desenvolvimento e a validação de tecnologias antes da aplicação em fábricas.

Atualmente, a estrutura reúne:

  • um robô humanoide
  • um robô quadrúpede
  • dois Doutor Bots
  • dois braços robóticos
  • esteiras inteligentes
  • sensores e atuadores industriais

Com isso, empresas conseguem testar aplicações ligadas à:

  • automação industrial
  • controle de qualidade
  • visão computacional
  • segurança do trabalho
  • monitoramento operacional

O Atlântico já desenvolve projetos com indústrias dos setores de alimentos, siderurgia e energia.

Plataforma Nexus usa IA para desenvolver novas soluções

Além da infraestrutura física, o projeto inclui a criação da plataforma Nexus, ambiente digital que conecta compartilhamento de dados, desenvolvimento tecnológico e automação baseada em IA.

Segundo o laboratório, a plataforma terá dois pilares principais:

  • ambiente federado de compartilhamento de dados
  • ferramentas de IA para acelerar o desenvolvimento de novos modelos

O sistema se inspira no projeto europeu Gaia-X, iniciativa voltada à governança de dados em nuvem.

Além disso, o Nexus incorpora conceitos de auto-LLM, permitindo que a própria inteligência artificial acelere o desenvolvimento de aplicações e algoritmos.

Projeto reúne universidades, startups e empresas

O Alia funciona em modelo colaborativo e abre acesso para universidades, startups e empresas parceiras. Entre as instituições conectadas ao projeto estão:

  • Universidade Estadual do Ceará (UECE)
  • Universidade Federal do Cariri (UFCA)
  • Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
  • Instituto Euvaldo Lodi (IEL)

Enquanto isso, startups podem acessar a infraestrutura por meio do programa Praia, aceleradora ligada ao Atlântico.

Finep financia maior parte da infraestrutura

O investimento no laboratório combina recursos públicos e privados. A Financiadora de Estudos e Projetos financia R$ 13 milhões por meio de edital realizado em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Desse total:

  • R$ 9 milhões financiam equipamentos
  • R$ 4 milhões custeiam bolsas de pesquisa

Além disso, o Instituto Atlântico aporta R$ 2 milhões em recursos próprios.

Atlântico quer ampliar presença nacional em IA

O Instituto Atlântico afirma que o Alia também fortalece a estratégia da instituição para se tornar um Centro de Competência em IA reconhecido pelo governo federal.

Nos próximos cinco anos, a meta é tornar o laboratório financeiramente autossustentável. Ao mesmo tempo, o Atlântico pretende ampliar parcerias com universidades, startups e empresas industriais em todo o país.

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