O risco de bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb entrou no radar do mercado global, após ameaças do Irã e de aliados no Iêmen. A rota, localizada entre Iêmen, Djibuti e Eritreia, conecta o Mar Vermelho ao Canal de Suez e responde por cerca de 12% do petróleo transportado por via marítima no mundo. O movimento ocorre em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz, o que amplia a dependência da região. Autoridades iranianas e o grupo houthi indicaram prontidão para controlar o corredor marítimo.
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O Estreito de Bab el-Mandeb ganhou relevância recente porque passou a absorver parte do fluxo energético redirecionado do Golfo. Além disso, cerca de 4,5 milhões de barris de petróleo circulam diariamente pela rota, segundo a Administração de Informação sobre Energia dos Estados Unidos (EIA). O corredor também integra o fluxo global de gás natural liquefeito (GNL), o que amplia seu peso no abastecimento internacional e pressiona decisões estratégicas de empresas e governos.
As ameaças foram reforçadas por declarações divulgadas pela agência iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária. O grupo Ansar Allah, conhecido como houthis, afirmou que tem capacidade de assumir o controle do tráfego marítimo global no estreito. Além disso, lideranças indicaram que a decisão depende da evolução da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o que mantém o mercado em alerta.
O cenário se agravou após um ataque com mísseis lançado pelos houthis contra Israel em 28 de março de 2026. O episódio marcou a ampliação do conflito regional e reforçou o risco de interrupções logísticas. Em paralelo, os Estados Unidos emitiram alerta para possíveis ataques a embarcações comerciais, o que eleva o custo de seguro marítimo e impacta cadeias de suprimentos.
Impacto direto no petróleo e no comércio global
O possível bloqueio do estreito ocorre em um contexto de pressão no mercado de energia. O fechamento do Estreito de Ormuz já reduziu a fluidez logística, por onde passa cerca de 20% do petróleo global. Como resultado, o preço do Brent subiu de cerca de US$ 70 para mais de US$ 100 por barril desde o início da crise.
Além disso, o corredor do Mar Vermelho concentra aproximadamente um quarto do comércio marítimo mundial. A interrupção da rota impacta setores como energia, agronegócio e bens de consumo, porque aumenta prazos de entrega e custos logísticos. Empresas passaram a redirecionar rotas pelo sul da África, o que amplia o tempo de transporte e reduz eficiência operacional.
Estreito de Bab el-Mandeb
Historicamente, o Estreito de Bab el-Mandeb já registrou episódios que afetaram cadeias globais. Entre 2023 e 2024, mais de 100 navios foram atacados por houthis com drones e mísseis, o que levou companhias marítimas a suspender operações na região. Antes disso, ataques de pirataria entre 2008 e 2012 já haviam elevado custos de segurança e seguro.
A relevância estratégica da rota também se explica pela conexão direta com o Canal de Suez, inaugurado em 1869, que encurtou o trajeto entre Europa e Ásia. Países como Arábia Saudita utilizam o corredor para exportar petróleo via oleodutos até o porto de Yanbu, enquanto exportações russas também passam pela região.
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