“Meta é induzir que o gasto público cresça menos do que o desenvolvimento da economia”, destaca economista

IBEF
O economista - chefe do Pátria Investimentos, Luís Fernando Lopes - imagem - avaliou a conjuntura em aspectos positivos e negativos do panorama brasileiro. (Foto: João Dijorge)

A conjuntura econômica que agrega no país o painel na equação de parâmetros estabelecida no âmbito governamental por gasto público, a definição dos juros do Comitê de Política Monetária (Copom), o resultado atual da taxa de desemprego e do Produto Interno Bruto (PIB), é uma variante de análise avaliada pelo economista-chefe do Pátria InvestimentosLuís Fernando Lopes, no escopo total como otimista.


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Luís Fernando afirma que o déficit público atual do governo federal já se obteve solução na mesma configuração no passado. Segundo o especialista, o apontamento não é cortar o gasto público, porque este fator continuará evoluindo. O critério abordado pelo economista é induzir que o gasto público cresça menos do que o desenvolvimento da economia

“Deve-se fornecer uma desaceleração na velocidade de crescimento do gasto público. Isso cria espaço para melhorar o resultado fiscal, o déficit público cai, a pressão inflacionária na economia também, a taxa de juros da mesma forma, e começa a atrair investimentos. Então é uma equação relativamente fácil com precedentes de já se ter feito algo parecido no passado. Isto posto, somos fundamentalmente otimistas, porque achar que existe uma chance maior de, em algum momento, havendo ou não troca de governo, se caminhar nessa direção”, relata Luís Fernando. 

A expectativa do especialista é que a postura do Copom continue no corte de juros por causa que o cenário atual não apresenta uma pressão inflacionária significativa. Luís Fernando exemplifica que, mesmo que ocorra uma ocasião pontual, como imputar um aumento de energia elétrica, assegura-se que outros setores econômicos estão em processo de desaceleração, provocando o controle geral inflacionário.

“A situação fiscal já foi pior, ela está ‘menos ruim’ hoje do que era há dois, três anos, e a gente acha que tendo ou não troca de governo, vai ter algum tipo de ajuste fiscal a partir de 2027, então o juro continua caindo. A diferença entre agora e a perspectiva que se tinha antes da crise geopolítica mundial é que o Banco Central podia cortar meio ponto em cada reunião, agora ele precisa cortar um quarto de ponto percentual”, acentua o economista.

Estados Unidos, acordos bilaterais e energias renováveis

No conjunto de ações gerais estadunidenses em relação ao Brasil, Luís Fernando destaca que a política externa dos Estados Unidos é extremamente errática, no aspecto das indecisões e impasses do atual presidente Donald Trump. O economista analisa o desempenho do Brasil durante as medidas do tarifaço.  

“Nesse cenário que é lidar com uma contraparte tão instável, o Brasil tem feito um trabalho consistente. E não posso impedir o aumento das alíquotas da exportação, que é uma decisão do governo americano, mas eu posso diminuir bastante a alíquota efetiva, criando isenção para muitos produtos, foi o que o governo brasileiro conseguiu fazer. Então a tarifa efetiva de importação que o Brasil paga hoje para entrar nos Estados Unidos é maior do que era antes, mas ela é muito menor do que o presidente Trump anunciou inicialmente”, reforça o especialista.

O economista ressalta que a China se transformou na principal parceira comercial do país, configuração que se evidenciou no ano passado, no sentido de que o país asiático ocupa o topo do ranking de compra de produtos brasileiros, contabilizando o índice de U$ 100 bilhões, segundo dados da consultoria do Brasil em Mapas do Centro de Inteligência de Defesa e Segurança (CIDIC).

Luís Fernando menciona que o acordo Mercosul-União Europeia é uma tratativa que endossa a estratégia na busca de novos mercados. A mais recente atualização das negociações aponta que a resolução bilateral inicia provisoriamente em 1º de maio deste ano. “Eu vou negociar o que for possível com os Estados Unidos, mas vou criar alternativas, então o Brasil junto com Paraguai, Uruguai e Argentina destravaram ou desencavaram um acordo que estava há 25 anos bloqueado. Então vamos fazer o possível com os Estados Unidos, mas vamos criar outras zonas de comércio com a Europa, e daqui a pouco pode ter algo parecido com o Oriente Médio, então mostra que tem saídas”, realça o especialista. 

Na conjuntura de firmar alternativa energética mundial ao que concerne a aplicação das fontes de energias renováveis, o economista direciona que o mundo precisa cada vez mais do recurso, motivado em tese pelo surgimento da Inteligência Artificial, que é altamente demandante de energia.

“Se está com um problema que uma parte da energia que precisa, que vem do Oriente Médio, que é energia de combustível fóssil, se está com um problema. Então na verdade a demanda por energia renováveis deve aumentar ainda mais e o investidor global vai atrás das regiões onde é mais fácil produzir. O Brasil produz bastante, e especificamente o Nordeste, e o Ceará, onde se tem uma insolação muito boa e um regime de ventos que é um dos melhores do mundo”, reforça Luís Fernando.

Luís Fernando Lopes ministra palestra no auditório Walter Nogueira, no prédio da BS Design, em Fortaleza. (Foto: João Dijorge)

Influência de conflitos internacionais na economia brasileira

Indagado sobre os impactos das guerras Ucrânia-Rússia e Israel-Irã no contexto específico econômico do Brasil, Luís Fernando salienta que o que mais pode refletir é no aumento da inflação.

No entanto, ele elucida que a política de juros implementada no país acarreta que a atividade econômica permaneça contida, impedindo que a inflação se propague. O economista diz que o efeito em consequência de aumentar a produção de petróleo e toda a cadeia relacionada melhora as contas fiscais e externas.

“Então para o Brasil, na verdade, o que está acontecendo não é ruim, e saímos da crise de 2022 melhor o que todo mundo imaginava. Acho que dessa crise também, no que diz respeito a um ambiente internacional, a gente sai melhor do que se imaginava, melhor do que a média mundial e melhor do que a média dos mercados emergentes”, frisa o especialista. 

Os esclarecimentos foram proferidos em entrevista exclusiva concedida à TRENDS no auditório Walter Nogueira, no prédio da BS Design, durante o seminário “2026: Eleições Aqui, Conflagrações Geopolíticas e Estresse de Mercado Lá Fora”, evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (IBEF-CE).

Na ocasião, o presidente do IBEF-CE, Renato Aguiar, avaliou que a palestra do economista Luís Fernando Lopes trouxe uma mensagem otimista para o panorama brasileiro, para a América Latina, na geopolítica atual, delineando uma contrapartida de ativos de negócios de menor risco pro capital mundial.

“E isso já está acontecendo, já se manifestando a critério da valorização da Bolsa, dos títulos públicos, do câmbio. No geral uma mensagem muito positiva e que, apesar das dificuldades que ele apresentou em relação a questão fiscal, também colocou como algo que não seria um ‘bicho de sete cabeças’, e que pode ser acertado no curto prazo”, frisa o gestor. 

No que tange às ações e atividades da entidade, Renato Aguiar, afirma que pretende, no respectivo mandato, implementar uma plataforma para congregar executivos que atuam em finanças em instituições de crédito. O presidente disse que a ideia, denominada de IBEF Instituições de Crédito, ainda se encontra na fase de amadurecimento de criação. 

“Nós estamos com um eixo de atuação novo, que é o IBEF Academy, e que esse ano avança em relação aos convênios com a academia, as universidades e com os cursos. Temos muitos eventos programados, o IBEF Educação Financeira foi ampliado, e também o IBEF Sustentabilidade, que amplia temas muito importantes que envolvem o ESG, a governança e a sustentabilidade como um todo. Tivemos um evento de abertura com a participação de uma pessoa no Ministério da Fazenda que trouxe uma série de insights importantes, como linhas de crédito e planos de desenvolvimento”, elencou Renato Aguiar.

O presidente do IBEF – CE, Renato Aguiar, e o economista Luís Fernando Lopes. (Foto: João Dijorge)

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