Buenos Aires pode hesitar em apoiar negociações com a China, especialmente se tais negociações puderem prejudicar Javier Milei. (Foto: Freepik)
O Brasil admite pela primeira vez a possibilidade de negociar um acordo comercial parcial entre o Mercosul e a China, segundo autoridades do governo federal. A mudança de postura marca uma guinada estratégica da maior economia da América Latina.
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A região historicamente bloqueou negociações formais com Pequim para proteger a indústria nacional da concorrência de produtos chineses, mas agora recalcula sua posição diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos e da busca chinesa por parcerias comerciais mais profundas na região.
A declaração conjunta emitida durante o encontro entre o presidente uruguaio Yamandu Orsi e o presidente chinês Xi Jinping nesta semana expressou a expectativa de que as negociações de livre comércio entre China e Mercosul possam iniciar “o mais rápido possível”. O bloco sul-americano reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia em processo de adesão como membro pleno.
Embora um pacto formal e abrangente permaneça distante, funcionários do governo brasileiro confirmaram que um acordo parcial entre Mercosul e China tornou-se um resultado plausível a longo prazo. A revisão estratégica responde às tarifas norte-americanas sobre produtos de parceiros comerciais, que redefiniram rotas do comércio global e alteraram alianças econômicas internacionais.
Qualquer acordo do Mercosul exige consenso de todos os seus membros, o que levanta desafios. O Paraguai mantém relações diplomáticas formais com Taiwan, país reivindicado pela China, e está entre os 12 países em todo o mundo que preservam esse vínculo, fator que complica, embora não necessariamente exclua, qualquer acordo com Pequim, segundo autoridades brasileiras.
O Paraguai importou mercadorias da China no valor de US$ 6,12 bilhões em 2025 e foi incluído nas discussões entre Mercosul e China, sinalizando que o diálogo permanece viável. O presidente paraguaio Santiago Peña afirmou que não se opõe a um pacto entre Mercosul e China, desde que o direito do Paraguai de manter relações diplomáticas com Taiwan seja respeitado.
A Argentina, terceira maior economia da América Latina, também pode dificultar o consenso. O país se aproximou de Washington sob o governo do presidente Javier Milei, que assumiu em 2023 e priorizou o fortalecimento das relações com os Estados Unidos, incluindo um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões com o Tesouro norte-americano.
A China continua sendo um credor importante e grande comprador das exportações agrícolas argentinas, mas Buenos Aires pode hesitar em apoiar negociações lideradas pela China dentro do Mercosul, especialmente se tais negociações puderem prejudicar os esforços de Milei para garantir apoio dos Estados Unidos às reformas econômicas e ao financiamento.
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