Ceará registra 462,8 mil MEIs e é o 3º maior do Nordeste

Por: Redação | Em:
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A análise por faixa etária mostra que indivíduos entre 31 e 40 anos compõem a maior parcela dos MEIs no Ceará, com 30,12% dos registros. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Ceará possui 462,8 mil microempreendedores individuais (MEIs) registrados em janeiro de 2026, o que representa 2,84% dos 16,3 milhões de MEIs do Brasil. No contexto nordestino, o estado ocupa a terceira posição entre os 2,7 milhões de registros da região, ficando atrás da Bahia (821,02 mil) e de Pernambuco (497,9 mil). No ranking nacional, que inclui os 26 estados e o Distrito Federal, o Ceará aparece em 10º lugar, enquanto São Paulo lidera com 27,87% do total nacional.


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Os dados fazem parte do Enfoque Econômico Nº 312 – Perfil do MEI no Ceará (2026): Uma análise dos dados administrativos, estudo elaborado pelo assessor Técnico João Victor Batista, em colaboração com Rayén Heredia Peñaloza, e publicado pela Diretoria de Estudos Sociais (Disoc) do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). 

O levantamento, elaborado com base em informações da Receita Federal, mostra que homens representam 55,12% dos MEIs cearenses (254.447 registros), enquanto as mulheres correspondem a 44,87% (207.141 registros). As atividades de Comércio, Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas lideram com 161.164 registros (34,92%), seguidas por Alojamento e Alimentação, com 53.536 (11,60%), e Outras Atividades de Serviços, com 47.736 (10,34%).

Segundo Batista, os números indicam que os microempreendedores cearenses estão majoritariamente inseridos no setor de serviços da economia. No entanto, a distribuição das atividades por gênero revela uma concentração específica em determinados ramos, o que sugere a persistência de uma segmentação ocupacional associada a construções sociais de gênero.

Divisão de atividades

Entre os MEIs do sexo masculino, destacam-se as seções de Construção, com 19.260 registros (92,34% de homens), Transporte, Armazenagem e Correio, com 41.802 registros (90,79%), e Água, Esgoto, Gestão de Resíduos e Descontaminação, com 872 registros (78,56%).

Já entre as microempreendedoras, sobressaem Serviços Domésticos, com 3.790 registros (92,37% de mulheres), Saúde Humana e Serviços Sociais, com 1.465 registros (84%), e Outras Atividades de Serviços, com 29.788 registros (62,40%). Para a análise, foram desconsideradas as seções com apenas um registro, como Atividades Imobiliárias, Indústrias Extrativas e Atividades Financeiras.

O assessor técnico explica que essa distribuição reflete a existência de categorias de serviços tradicionalmente atribuídas a homens e mulheres. A análise também demonstra que, apesar do equilíbrio quantitativo entre gêneros, há diferenças qualitativas na inserção de cada grupo no mercado de trabalho por meio do MEI.

Faixa etária predominante

A análise por faixa etária mostra que indivíduos entre 31 e 40 anos compõem a maior parcela dos MEIs no Ceará, com 30,12% das inscrições, seguidos pelos grupos de 41 a 50 anos (24,39%) e de 21 a 30 anos (19,67%). Um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2023 aponta que, entre os MEIs formalizados em 2014, apenas 51,6% permaneciam ativos após cinco anos, além de evidenciar que quanto mais jovem o empreendedor individual, menores tendem a ser as chances de sobrevivência do empreendimento.

João Victor Batista destaca que o perfil dos registros do MEI no estado é composto, em sua maioria, por trabalhadores de maior faixa etária. Essa característica pode refletir, ao menos em parte, processos de adaptação ocupacional observados no período pós-2020, associados à deterioração do mercado de trabalho formal. 

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