Fernando Galiza – imagem – é o atual presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará – CREA CE. (Foto: Falcão Júnior)
O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (CREA-CE), Fernando Galiza, em entrevista exclusiva à Trends, considera que no campo da Engenharia no Ceará, no destaque de obras em andamento e investimentos, a prioridade é a conclusão das trabalhos em execução do Anel Viário de Fortaleza, por causa da capacidade logística e a conexão em rotas rodoviárias estratégicas.
Na seara da agronomia cearense, o presidente do CREA-CE afirma que o setor se encontra numa fase de desenvolvimento, especialmente em regiões produtoras. No entanto, ele demonstra preocupação no manejo e comercialização de agrotóxicos, no aspecto de exigir o acompanhamento técnico adequado.
Fernando Galiza é engenheiro civil com mais de 20 anos de experiência na área. Na profissão, atuou como engenheiro de obras, gerente e diretor técnico. Ele é fundador e diretor técnico da construtora G3 Engenharia. Em 2024, assumiu o mandato do CREA-CE para exercer o cargo até este ano.
Confira a entrevista completa;
Primeiramente, como surgiu sua paixão pela engenharia?
Minha paixão pela engenharia nasceu cedo, por influência do meu irmão, que já era engenheiro civil e me levava para as obras. Ali eu vi terrenos virarem hospitais, indústrias e estruturas complexas. Aquilo me fascinou e me direcionou definitivamente.
Em 2024, o senhor foi eleito presidente do CREA-CE. Como tem sido a sua gestão à frente do Conselho? Quais são as maiores prioridades e as projeções até o fim do mandato?
A minha gestão à frente do CREA-CE tem sido pautada por uma linha muito objetiva: interiorização, modernização, fiscalização inteligente e diálogo permanente com a sociedade. Desde 2024, avançamos na construção de uma cultura institucional mais próxima do profissional e mais presente no território, sem perder o foco central que é proteger a sociedade por meio da responsabilidade técnica.
Em 2025, iniciamos o ano com a posse de novos conselheiros e diretoria, definindo metas claras e um Plano Anual de Fiscalização alinhado ao planejamento estratégico do Conselho. A prioridade tem sido garantir que obras e serviços de engenharia, agronomia e geociências sejam executados por profissionais habilitados, com responsabilidade técnica registrada e compromisso com a vida, o meio ambiente e o interesse público.
Na interiorização, demos passos concretos com visitas técnicas e melhorias estruturais em inspetorias. Um marco importante foi a inauguração da Inspetoria do Baixo Jaguaribe, em Limoeiro do Norte, junto com a abertura de mais um Espaço CREA, ampliando a rede de apoio ao profissional, também fortalecida em Sobral, Tianguá, Juazeiro do Norte e Crateús.
A fiscalização ganhou ainda mais força, com presença constante em obras, empreendimentos e grandes eventos, como Fortal e Halleluya, em parceria com órgãos como o Corpo de Bombeiros. Também realizamos uma operação integrada com o CREA Piauí em áreas de fronteira, incluindo fazendas de alto impacto e unidades rurais — algo ainda mais relevante diante da liberação da pulverização aérea no Ceará, reforçando a segurança, sustentabilidade e cumprimento da legislação.
No eixo da prevenção, retomamos o debate sobre a ampliação da Lei de Inspeção Predial para todo o Estado, reforçando a importância da manutenção preventiva e da avaliação técnica qualificada. E avançamos na modernização de serviços com a nova ART Digital, com emissão em segundos, pagamento via Pix e assinatura digital, eliminando processos antigos de imprimir/assinar/escanear.
Além de tudo isso, receber a Medalha de Proteção e Defesa Civil de Fortaleza também foi um reconhecimento simbólico desse trabalho, destacando o papel do Conselho na segurança da cidade e na proteção da população. Até o fim do mandato, seguiremos aprofundando essa rota: mais presença no interior, mais tecnologia, mais fiscalização qualificada e mais valorização do exercício profissional, com o CREA-CE como parceiro estratégico do desenvolvimento sustentável do Ceará e do Brasil.
Presidente, quais são as obras estruturantes (públicas e privadas) que o senhor considera mais relevantes para o Ceará?
Eu destaco, como marcos estruturantes já consolidados, o Porto do Pecém, a Companhia Siderúrgica do Pecém – agora ArcelorMittal Pecém – e o Centro de Eventos do Ceará, que reposicionaram o estado em logística, indústria e grandes negócios.
E, no campo das obras em andamento e dos investimentos que impulsionam competitividade, eu coloco como prioridade o Anel Viário de Fortaleza, que amplia capacidade logística e conecta rotas estratégicas como BR-116, BR-020 e BR-222, gerando mais eficiência ao corredor de cargas.
Também destaco movimentos estruturantes ligados a “hubs” e nova economia — especialmente o avanço do Ceará como ambiente favorável à infraestrutura digital e data centers, apoiado por energia renovável e conectividade (cabos submarinos).
E, na dimensão urbana, considero muito relevante a requalificação da Avenida Beira-Mar, com impacto direto em mobilidade, drenagem, acessibilidade e valorização turística.
Na agronomia cearense, o que é inovador e como o CREA atua para fomentar o setor?
A agronomia cearense vem crescendo muito — especialmente em regiões produtoras —, e uma das agendas mais sensíveis e estratégicas é a segurança no uso e na comercialização de agrotóxicos, exigindo receituário agronômico e responsável técnico.
O CREA atua firmemente para garantir que esse processo aconteça com responsabilidade profissional, em cooperação com órgãos de fiscalização e defesa agropecuária do Estado, como a Adagri (Agência de Defesa Agropecuária do Ceará). Além disso, nós avançamos no uso de ferramentas de fiscalização mais inteligentes, combinando dados, tecnologia e leitura territorial, inclusive, com possibilidade de uso de imagens e monitoramento para dar escala e eficiência às ações de campo.
E com a evolução de tecnologias no campo – como pulverização por drones –, o papel do CREA fica ainda mais essencial: não é travar inovação, é garantir que ela aconteça com técnica, rastreabilidade, segurança ambiental e proteção à saúde.
Sobre tendências internacionais em insumos, projetos e aquisições: quais países se destacam no intercâmbio com o Ceará?
O mundo vive uma reconfiguração clara: projetos precisam ser planejados com resiliência de suprimentos, gestão de riscos e previsibilidade, porque os custos e a logística ficaram mais sensíveis.
Ao mesmo tempo, as grandes tendências de engenharia e construção estão puxadas por digitalização, uso integrado de BIM, Inteligência Artificial (IA), sensores, IoT (Internet das Coisas) e evolução de gêmeos digitais para planejamento e operação.
Dentro desse cenário, eu enxergo a Alemanha como referência forte pela tradição técnica, engenharia de precisão e grandes projetos, e os Estados Unidos como liderança em ferramentas, softwares e aplicações de inteligência artificial para engenharia.
Relação com outros Estados: como fortalecer a engenharia e a agronomia no panorama nacional?
Eu acredito que os CREAs estão mais unidos do que nunca. Essa integração é estratégica porque fortalece o sistema e melhora o serviço para o profissional: equipes aprendem em campo, trocam checklists, padronizam procedimentos e ganham eficiência.
A operação integrada de fiscalização que realizamos recentemente com o CREA Piauí, por exemplo, é um modelo prático de como essa conexão gera resultado: fiscalização coordenada, troca de experiências e presença territorial em áreas estratégicas.
Para finalizar, vamos falar de uma das grandes conquistas do Ceará nos últimos anos: a chegada do ITA. Qual a importância da criação de uma unidade do instituto aqui no Estado?
A chegada do ITA ao Ceará é sensacional e histórica. O Ceará é um Estado que tradicionalmente aprova muitos alunos no ITA e, com uma unidade aqui, aumentamos a probabilidade de formar profissionais de altíssimo nível e reter esses talentos no Estado, fortalecendo nossa base tecnológica e científica.
Além disso, a própria implantação da unidade no Ceará prevê cursos novos e estratégicos, como Engenharia de Sistemas e Engenharia de Energias Renováveis, ampliando capacidade técnica ligada ao futuro.
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