A projeção da corretora indica ainda uma Selic em 11% ao término de 2027, com o ritmo das reduções dependente do controle de gastos públicos. (Foto: Freepik)
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta terça (27) e na quarta-feira (28) para decidir sobre a taxa Selic, atualmente em 15%. Há consenso no mercado de que a taxa será mantida neste patamar, mas economistas da XP projetam o início de um ciclo de cortes a partir de março, com cinco reduções consecutivas de 0,50 ponto percentual e uma pausa para reavaliação no segundo semestre, levando o juro a 12,5% ao final do ano. A projeção da corretora indica ainda uma Selic em 11% ao término de 2027, com o ritmo das reduções dependente do controle de gastos públicos.
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Em relatório assinado pelo economista-chefe Caio Megale e pelos economistas Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, a XP aponta que os indicadores econômicos permaneceram estáveis desde dezembro. A taxa de câmbio manteve-se em patamar similar ao fim de 2024, enquanto as expectativas do mercado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da inflação apresentaram pouca variação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2024 em 4,83%, dentro da margem de tolerância da meta de inflação de 3%, que pode oscilar 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Os núcleos da inflação permanecem entre 3,5% e 4%, e os preços ao produtor, medidos pelo IPA-FGV, mostram desaceleração, sinais considerados positivos pelos economistas para as próximas leituras do IPCA. Por outro lado, a desaceleração gradual da atividade econômica aliada a dados recentes do mercado de trabalho colocam pressão sobre os preços, e a alta das commodities no início deste ano representa um fator adicional de preocupação.
A corrida eleitoral de 2026 passa a integrar o cenário econômico deste ano, com foco especial nos gastos do governo e na perspectiva de reforma das contas públicas em 2027. No cenário-base da XP, há expectativa de que o próximo governo “implementará algumas medidas de contenção das despesas”, mas insuficientes para cobrir a relação entre dívida pública e PIB, o que limitaria os cortes de juros em 2027.
Os economistas destacam que cenários alternativos dependerão da condução da política fiscal a partir de 2027. Caso nem os “ajustes insuficientes” do cenário-base sejam materializados, o Banco Central provavelmente não encontrará espaço para reduções adicionais de juros no próximo ano. Se houver implementação de um conjunto mais abrangente de ajustes fiscais, a taxa Selic poderá convergir para seu nível neutro, estimado pela XP em torno de 5,5% em termos reais.
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