O acordo UE-Mercosul segue como peça estratégica para ampliar exportações e reduzir a dependência europeia da China. (Foto: Freepik)
A União Europeia (UE) adiou a assinatura do acordo UE-Mercosul, prevista inicialmente para este mês, e trabalha com o novo horizonte de janeiro. A sinalização foi feita pelo chanceler alemão Friedrich Merz e por Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, após a cúpula do bloco realizada na sexta-feira (19). O impasse ocorre porque ainda não há apoio suficiente entre os Estados-membros para formalizar o tratado.
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O acordo UE-Mercosul depende da aprovação de uma maioria qualificada no bloco, mas a exigência da Itália por mais tempo de análise impediu o avanço imediato. Von der Leyen afirmou que serão necessárias algumas semanas adicionais para tratar questões pendentes com os governos nacionais. Segundo ela, o diálogo com os países do Mercosul já foi feito para ajustar o cronograma da assinatura.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que tomou conhecimento do adiamento após conversa com Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana. O Brasil deve discutir os próximos passos com Argentina, Paraguai e Uruguai, que integram o Mercosul. Meloni declarou que a Itália pode apoiar o acordo UE-Mercosul assim que preocupações ligadas ao setor agrícola sejam endereçadas.
Merz avaliou que o atraso não compromete o desfecho do processo e indicou expectativa de adesão futura da França. Para o governo alemão, o acordo UE-Mercosul segue como peça estratégica para ampliar exportações e reduzir a dependência europeia da China, especialmente no acesso a minerais e mercados consumidores.
Negociado há cerca de 25 anos, o acordo UE-Mercosul é considerado o maior pacto comercial da União Europeia em termos de cortes tarifários. Países como Alemanha, Espanha e membros nórdicos defendem que o tratado pode mitigar impactos de tarifas dos Estados Unidos. Em contrapartida, França, Itália, Polônia e Hungria mantêm restrições por temerem aumento das importações agrícolas.
Pelas regras da União Europeia, são necessários ao menos 15 países e 65% da população do bloco para a aprovação. Sem o apoio de Itália e França, esse patamar não é atingido. A resistência também se reflete nas ruas: cerca de 7.000 manifestantes, em sua maioria agricultores, protestaram em Bruxelas durante a cúpula, em atos que exigiram intervenção policial.
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