O cenário do turismo cearense consolida-se como líder na região Nordeste e com crescimento acima da média nacional. (Foto: AdobeStock)
Reconhecido em votação espontânea de agentes e operadoras de viagem como os 5 melhores destinos do Brasil no Prêmio Globo de Ouro do Turismo 2025 juntamente com Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, o Ceará vive um ciclo de expansão turística nacional e internacional, mas ainda recuperando as perdas da pandemia. Os sinais são animadores. Somente de janeiro a outubro de 2025, o fluxo externo aumentou 25% em comparação a igual período de 2024.
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O cenário do turismo cearense consolida-se como líder na região Nordeste e com crescimento acima da média nacional. As projeções para a temporada 2025/2026 (dezembro a fevereiro) são promissoras, conforme acompanhamento oficial da Secretaria do Turismo do Ceará e da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE. A previsão é de receber 1,04 milhão de turistas, um avanço de 13,8% em relação à temporada anterior.
A expectativa é de uma injeção de R$ 7,2 bilhões na economia cearense neste verão, um crescimento de 22,3%, tendo o turismo internacional como um dos principais vetores. O fato se justifica com a expansão da malha aérea com uma programação de 1.147.376 assentos em voos de diferentes países para o Ceará (+ 12,9% sobre 2024).

O secretário do Turismo do Ceará, Eduardo Bismarck (foto), comemora o momento favorável do turismo estadual, fruto, segundo ele, de um movimento muito forte de promoção do destino e de ampliação da malha aérea. Ele exemplifica informando que apenas na alta estação de julho, mais de 515 mil visitantes chegaram ao Ceará, majoritariamente vindos de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e do próprio Nordeste. Conectados por voos semanais, igualmente cresceu o turismo internacional que vem da América do Sul e da Europa, com destaque para Argentina, Chile, França, Portugal e também dos Estados Unidos. “Só a alta de julho de 2025 movimentou R$ 3,57 bilhões na economia cearense, com gasto médio por turista próximo de R$ 4 mil”, ilustra ele.

Para a alta estação de dezembro e janeiro, a Setur/CE projeta um crescimento de 13,8% em relação à temporada anterior, devendo atrair 1,4 milhão de turistas no Ceará. A receita turística direta deve alcançar R$ 4,1 bilhões, enquanto a renda total gerada na economia do Ceará está estimada em R$ 7,2 bilhões, aumento de 22,3%.
“Foi um ano decisivo para a conectividade do estado com o anúncio de quatro novos voos internacionais (Madri, Lisboa, Montevidéu e Cayenne) e quatro nacionais (Fortaleza x Juazeiro, Belo-Horizonte, Parnaíba e Foz do Iguaçu) ampliando nossa presença em mercados estratégicos”, afirma o secretário, lembrando que a conquista aproxima o Ceará de polos emissores importantes, além do reforço de frequências em rotas consolidadas.
O secretário garante que esses indicadores impactam a área de serviços, como a hotelaria que de janeiro a setembro registrou uma taxa média de ocupação hoteleira de 76,7%, acima dos patamares de cinco anos atrás. Em julho, a ocupação em Fortaleza ultrapassou 81%, com aumento de quase 8% em relação ao ano anterior. “Vemos, também, um movimento consistente de ampliação e qualificação da oferta com novos hotéis, resorts, pousadas de charme e empreendimentos voltados ao turismo de segunda residência ao longo do litoral e em polos como Cariri, Ibiapaba e Sertão Central”, alinhava.
Como mola propulsora da economia, o turismo requer infraestrutura e planejamento. “Além da qualificação da malha viária de acesso aos destinos, temos atuado em várias frentes como melhoria de sinalização turística, fortalecimento do Centro de Eventos do Ceará, modernização dos equipamentos públicos e apoio a projetos de ordenamento de orla e espaços de grande fluxo”, ilustra ele. E acrescenta que a gestão pública do turismo atua, ainda, na infraestrutura aeroportuária tendo avançado no leilão dos aeroportos de Jericoacoara e Aracati, o que garantiu R$ 140 milhões em investimentos totais. Do ponto de vista de planejamento, o secretário Eduardo Bismark destacou a ampliação da presença cearense no Mapa do Turismo Brasileiro – hoje com mais de 100 municípios reconhecidos –, o que mostra que o turismo está sendo pensado como política de Estado, em rede com as prefeituras e o trade.
Para bem explorar os diferenciais competitivos do turismo cearense em termos de belezas naturais, a Setur/CE enfrenta desafios, como o maior deles, segundo o secretário, que é o da condução do atual ritmo de crescimento de forma equilibrada, garantindo que todo o avanço do turismo se traduza em desenvolvimento qualificado.
“As oportunidades são amplas e muito promissoras”, garante Birmark e finaliza vislumbrando um futuro promissor com mais conectividade, mais infraestrutura, mais promoção qualificada e, sobretudo, com uma visão de turismo como vetor estratégico de desenvolvimento para todo o estado.
Pelo olhar de quem acompanha a movimentação turística pelo nível de hospedagem, a presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-CE), Ivana Bezerra Rangel (foto), atesta que desde a pandemia o turismo cearense vem crescendo com destaque para 2025 que registrou avanços mês a mês, condição atribuída ao retorno dos voos internacionais, tanto em rotas como em frequência, notadamente os diretos.

O fato ganha maior relevância quando se fala em turismo corporativo e de eventos. “Aqui em Fortaleza temos várias altas estações”, afirma ela, referindo-se ao turismo corporativo que impacta o turismo de lazer, como a prática de esportes náuticos. São empresas que trazem profissionais que garantem um fluxo turístico mais regular, o que mantém a hotelaria e demais equipamentos consideravelmente ocupados.
Durante o ano, a média de ocupação hoteleira fica em torno de 65% a 70%, chegando a 100% por ocasião de congressos empresariais. “Sabemos que quando existe o acesso é muito mais fácil aumentar a procura, então a malha aérea é fundamental, nacional e internacional”, comenta.
Ela brinca que o Ceará é um “foguete que não dá ré” e ressalta que os investimentos, inclusive estrangeiros, estão se intensificando, caso da Praia do Preá e a Vila Carnaúba, um empreendimento gigante que atrai investidores, além de novos hotéis sendo inaugurados na cidade e no litoral.
Entre congressos, feiras e competições esportivas, em 2024 a cidade recebeu mais de 2.390 eventos, o que atraiu 414 mil participantes. Os dados foram coletados em pesquisas conduzidas pela Secretaria Municipal do Turismo, por meio do Observatório do Turismo, em parceria com o Visite Ceará/Fortaleza Convention & Visitors Bureaue a Universidade de Fortaleza.

Para Taiene Righetto (foto), presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-CE), a relativa recuperação do turismo cearense não se distribui de maneira uniforme na cadeia produtiva. Ele lembra que embora a alta estação seja decisiva para os negócios, tornando a demanda duas a três vezes maior do que a média dos meses de baixa, também reforça a sazonalidade extrema. “Esse fato cria picos e vales profundos e impacta na manutenção das equipes, nos preços e na estrutura ao longo do ano”, explica.

Embora aplauda a ampliação e retomada de rotas aéreas nacionais e internacionais trazendo turistas de países como Portugal, Argentina, EUA, França e Itália que geram números expressivos de movimentação financeira, o dirigente observa que o efeito real no dia a dia das empresas está em descompasso com o discurso oficial. “Se o setor tivesse crescido 6% a 10% ao ano há duas décadas, teríamos hoje o triplo dos leitos hoteleiros de 2006”, calcula.
A seu ver, houve avanços tanto em infraestrutura como em planejamento, mas pontuais e não na velocidade necessária, referindo-se à mobilidade, saneamento, segurança, qualificação profissional e ambiente de negócios. “O futuro pode ser promissor se houver responsabilidade fiscal, planejamento e políticas estáveis”, registra.
Para Taiene Righetto há enormes oportunidades como a expansão do turismo de experiências e da gastronomia cearense, maior integração entre hotéis, bares e restaurantes para criar produtos e roteiros, conectividade aérea internacional crescente, que pode ser melhor aproveitada, eventos e festivais capazes de reduzir a sazonalidade e parcerias para qualificação profissional e retenção de talentos.
Para isso, ele entende que é preciso enfrentar desafios como a ocupação média hoteleira baixa e sazonalidade elevada, pressão tributária crescente, com novas taxas e normas mensais, retirada antecipada de benefícios como o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE), mão de obra escassa, mais cara e com menos qualificação, inflação pressionando alimentos e serviços, juros altos, pouca disponibilidade de crédito e investimentos represados e, ainda, governos endividados.
Um dos setores integrantes da Associação onde a recuperação ainda não chegou é o de alimentação fora do lar, que enfrenta um dos anos mais difíceis das últimas décadas. Para superar este momento, Rodolphe Trindade (foto), diretor do Pirata Bar em Fortaleza (e também diretor da Abrasel), vem trabalhando em parceria com 120 hotéis em Fortaleza que está com uma média de ocupação baixa. E diz que pessoalmente gostaria de estar vivendo a visão otimista anunciada, listando as mesmas necessidades de ações públicas e privadas citadas pelo presidente da entidade.

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