O Complexo Logístico Aeroportuário pode posicionar Fortaleza como um dos principais eixos de integração econômica do Nordeste. (Foto: Divulgação)
Empreendimento de R$ 1 bilhão conectará o escoamento de cargas pela BR-116 e reduzirá custos logísticos, fortalecendo o desenvolvimento regional
Um complexo logístico de grande porte começa a redefinir o cenário econômico e urbano do entorno do Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza. Com acesso direto à BR-116, o empreendimento foi concebido para centralizar operações de transporte e armazenamento, conectando o Ceará a principais rotas nacionais e internacionais de carga. A expectativa é atrair grandes operadores globais do e-commerce.
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O projeto, conduzido pela Aerotrópolis Empreendimentos S.A., soma R$ 1 bilhão em investimentos e já movimenta cerca de R$ 200 milhões na fase inicial. A estrutura prevê sete galpões logísticos, um truck center com serviços para caminhoneiros e área de abastecimento integrada.
A concentração das operações fora das vias centrais também deve diminuir o trânsito de caminhões dentro da cidade, trazendo ganhos diretos para a mobilidade urbana e benefícios para a população, especialmente na área urbana do Porto de Mucuripe.

A Fraport Brasil – Aeroporto de Fortaleza S.A., concessionária responsável pela modernização e gestão do terminal, em nota, destacou que “buscou no mercado um parceiro de reconhecida capacidade para a construção e viabilidade de um amplo centro logístico, com potencial para se tornar um dos maiores complexos logísticos do Nordeste brasileiro.”
Localizado próximo ao novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o complexo faz parte de uma estratégia mais ampla de integração entre inovação, formação técnica e logística. A perspectiva é que o equipamento funcione como catalisador de desenvolvimento regional, ampliando oportunidades de negócios e atraindo novos investimentos industriais e tecnológicos.
O presidente da companhia, Marcos Roberto Dubeux (foto), em entrevista exclusiva à TRENDS, ressaltou que o projeto amplia a competitividade do estado e reforça o papel estratégico de Fortaleza na rede nacional de transportes.

“Nosso objetivo é posicionar Fortaleza como referência em eficiência logística, com soluções que reduzem custos, aceleram entregas e melhoram a mobilidade urbana.”
Marcos Roberto Dubeux, presidente da Aerotrópolis Empreendimentos S.A.
A implantação do Complexo Logístico, no entorno do aeroporto de Fortaleza, deve ter reflexos sobre o mercado de trabalho e a arrecadação de impostos no estado. As primeiras etapas da obra preveem a criação de 7,5 mil vagas diretas, número que deve alcançar 12,5 mil postos ao longo das oito fases do projeto.

As estimativas também apontam que o empreendimento poderá injetar R$ 250 milhões por ano em salários, impulsionando o consumo local e fortalecendo cadeias produtivas regionais. Do ponto de vista tributário, o governo do Ceará deverá arrecadar cerca de R$ 2,25 bilhões anuais em ICMS, enquanto a Prefeitura de Fortaleza poderá obter R$ 10 milhões em ISS.
O governador Elmano de Freitas (foto) avaliou positivamente o andamento das obras no entorno do Aeroporto Internacional Pinto Martins e destacou a relevância econômica do Complexo Logístico Aeroportuário para o Estado, em entrevista ao O Povo. Segundo o governador, centro logístico é fundamental para a geração de empregos e para o fortalecimento da economia.

“É evidente que um centro logístico é importante para a economia cearense, pelos empregos que vai gerar.”
Elmano de Freitas, governador do Ceará
Projetado pelo engenheiro Assis Bezerra, mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará e com mais de 40 anos de experiência em drenagem e infraestrutura urbana, o sistema do Complexo Logístico foi dimensionado para um período de retorno de 50 anos, utilizando canais abertos, galerias de concreto armado, bueiros celulares e caixas de visita interligados à rede de drenagem do aeroporto.
“O empreendimento introduz um sistema moderno e tecnicamente dimensionado, capaz de reduzir drasticamente os alagamentos e as consequências sociais que eles causam”, afirmou o mestre em Infraestrutura de Transporte, responsável por obras estruturantes como a drenagem da Avenida Alberto Craveiro e o sistema da Avenida Barão de Studart.
“Esse projeto traz um benefício comum ao aeroporto de Fortaleza, aos moradores da região e à sociedade como um todo.”
Assis Bezerra, engenheiro civil
As soluções presentes no projeto garantem o escoamento seguro das águas pluviais e evitam o refluxo para áreas residenciais, reduzindo riscos de erosão e assoreamento. Ademais, a iniciativa melhora o tráfego urbano, gera empregos diretos e indiretos e amplia os benefícios coletivos ao promover infraestrutura mais eficiente e integrada ao entorno, destaca o especialista.
Além do aspecto econômico, o complexo funcionará como ponto de integração logística entre modais rodoviário e aéreo, permitindo o escoamento mais rápido de mercadorias e reduzindo custos operacionais. A estrutura deve melhorar o acesso do Ceará aos principais corredores comerciais do país e do exterior, tornando o estado mais competitivo no setor de distribuição e exportação de cargas.
O empreendimento está situado em ponto estratégico, praticamente no centro de Fortaleza, com acesso direto pela BR-116 e ligação a 10 estados. Possui rotas diretas para as cinco regiões do Brasil e se integra à infraestrutura logística do estado, como o Porto do Mucuripe (em Fortaleza) e o Porto do Pecém, o que é vital para o transporte de cargas (Terminal de Logística de Cargas Internacionais – TECA).

A localização do Aeroporto de Fortaleza é privilegiada em relação a mercados importantes, especialmente com rotas para o Hemisfério Norte (Europa e América do Norte/Estados Unidos). Essa posição mais próxima do ponto de conexão facilita voos intercontinentais, pois permite redução do consumo de combustível e do tempo de voo, atraindo companhias aéreas cargueiras.
A operação também tende a aumentar a competitividade das empresas instaladas no Ceará, sobretudo nos segmentos industrial, comercial e de serviços. O complexo deve encurtar prazos de entrega e contribuir para que produtos cheguem ao consumidor final a preços mais acessíveis.
O projeto representa um passo importante para ampliar a competitividade do Ceará no cenário nacional e internacional, segundo Marcos Roberto Dubeux:
“O Complexo foi pensado para gerar valor além da operação logística. Ele cria empregos, movimenta a economia local e melhora a infraestrutura urbana do entorno, refletindo diretamente na qualidade de vida da população.”
Marcos Roberto Dubeux, presidente da Aerotrópolis Empreendimentos S.A.
Com o início da operação plena, o Complexo Logístico Aeroportuário pode posicionar Fortaleza como um dos principais eixos de integração econômica do Nordeste, ao conectar eficiência logística e desenvolvimento urbano, o projeto se insere em um novo ciclo de crescimento regional.
O Aeroporto de Fortaleza se destaca como maior exportador do Norte-Nordeste em movimentação de cargas, com crescimento de 22% em 2025. No ranking nacional, Fortaleza tem posicionamento estratégico e de crescimento.
Conforme dados na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) aeroporto em 2024 já superou seu volume de cargas nacionais e internacionais, se comparado há 2019 ano pré-pandemia do Covid-19.
O aeroporto é crucial para exportação de produtos cearenses (frutas, couros, calçados, pescados) para mercados como EUA, Portugal, China, Holanda e Alemanha. Na importação, destacam-se medicamentos, peças, equipamentos de trabalho e insumos.
Os relatórios da Fraport Brasil – Fortaleza mostram movimentação total (embarque + desembarque) em kg, separada em doméstica e internacional. Em abril de 2024, foram 364.997 kg na doméstica e 27.038 kg na internacional (total: 392.035 kg).

Ao fortalecer a logística de exportação e importação por Fortaleza, o aeroporto contribui para que a riqueza gerada pelo comércio internacional permaneça e se distribua mais eficazmente no estado.
O Aeroporto de Fortaleza, por meio do projeto da Aerotrópolis, consolida-se como polo logístico fundamental para integração dos modais aéreo, rodoviário e marítimo, potencializando a eficiência logística do estado e a competitividade dos produtos cearenses.
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