A Eletrobras informou que o desinvestimento melhora seu perfil de risco e libera capital para novas aplicações. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
A Eletrobras concluiu a venda de sua participação minoritária na Eletronuclear para o grupo J&F por R$ 535 milhões. O acordo marca a entrada da holding dos irmãos Batista no setor nuclear e encerra o vínculo da Eletrobras com um segmento do qual buscava se retirar desde a privatização.
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A operação inclui a transferência de obrigações e garantias relacionadas à estatal nuclear, além da integralização futura de R$ 2,4 bilhões em debêntures firmadas com a União.
A aquisição foi realizada pela Âmbar Energia, braço da J&F no setor elétrico, que passará a deter 68% do capital total e 35,3% do capital votante da Eletronuclear, ainda controlada pela ENBPar, estatal federal responsável pela gestão das participações nucleares. Segundo a Eletrobras, o processo de venda teve início em 2023 e contou com assessoria do BTG Pactual.
A Eletronuclear é responsável pelas usinas Angra 1 e Angra 2, que somam quase 2.000 megawatts (MW) de potência instalada, além do projeto Angra 3, com capacidade prevista de 1.405 MW. A entrada da Âmbar ocorre em um momento de desequilíbrio financeiro da empresa, que enfrenta risco de insolvência, conforme alerta do Ministério de Minas e Energia. O órgão cita dificuldades da estatal em manter compromissos ligados a Angra 3 e a bancos credores.
Para a Âmbar, o investimento amplia seu portfólio de geração, que inclui usinas solares, hidrelétricas e termelétricas. “A energia nuclear combina estabilidade, previsibilidade e baixas emissões, características fundamentais em um momento de descarbonização e de crescente demanda por eletricidade impulsionada pela inteligência artificial e pela digitalização da economia”, afirmou Marcelo Zanatta, presidente da Âmbar Energia.
A Eletrobras informou que o desinvestimento melhora seu perfil de risco e libera capital para novas aplicações. A companhia também registrou uma provisão contábil de R$ 7 bilhões no terceiro trimestre de 2025 em razão da operação. O negócio ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores para ser concluído.
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