A promoção da inovação, da criatividade e da diversidade pode tornar o Nordeste um polo de desenvolvimento sustentável e próspero. (Foto: Envato Elements)
“O Sertão vai virar Mar e o Mar virar Sertão”
O Nordeste brasileiro, com sua rica diversidade de biomas e sua resiliência às mudanças climáticas, pode se tornar um exemplo global de desenvolvimento regional sustentável e governança climática. A região sabe o que significa o aumento das temperaturas e a aridez da convivência humana nessas condições. Com políticas públicas adequadas, programas de financiamento e investimentos estratégicos, a região pode, sim, se transformar em um modelo de sucesso com pilares como a transformação ecológica, incluindo a transição energética justa, a transformação digital e a economia azul.
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O exemplo global, para se concretizar em bases duradouras, tem como condição indispensável que os mecanismos de governança social e de participação popular sejam detalhados e institucionalizados. Teorias do desenvolvimento endógeno e da justiça ambiental mostram que a sustentabilidade real nasce do protagonismo local, da redistribuição de poder e da valorização de saberes não hegemônicos — especialmente de comunidades vulneráveis e tradicionais. Isso significa ir além da menção à “equidade e inclusão” e definir como mulheres, jovens, povos indígenas, comunidades quilombolas, pessoas com deficiência, populações ribeirinhas, sertanejas e costeiras serão não só consultadas, mas coautoras das decisões, dos benefícios e da vigilância sobre os impactos.
A região Nordeste, como polo do desenvolvimento sustentável, tem foco em cadeias produtivas que incluem em sua base as energias renováveis, a agricultura sustentável e a indústria criativa. A adoção de tecnologias de ponta e a promoção da inovação podem transformar a região em um centro de produção de bens e serviços de alta qualidade. Tanto na experiência do Banco Mundial em uma concepção participativa de um Centro de Inovação Global no Porto do Pecém, como nos recentes estudos para um plano de longo prazo da educação, liderados pelo Ministério da Educação, revisito tantos conhecimentos que acredito na nova lente do Nordeste: a da abundância e riqueza; e encerrar o ciclo da naturalização da escassez e da pobreza da região, tornando a equidade e inclusão reais diante de tantos hiatos.
A “nova lente” da abundância não pode reproduzir assimetrias históricas, é preciso enfrentar as relações de poder e os potenciais conflitos de interesse, evitando a instrumentalização da participação (ou seja, usá-la como formalidade para legitimar decisões já tomadas). A agência local deve orientar prioridades, critérios de investimentos e repartição de benefícios, com salvaguardas que assegurem consentimento livre, prévio e informado e a coprodução de políticas com base em saberes tradicionais e científicos.
A nova geografia econômica do Nordeste pode ser dividida em três eixos, cada um com suas próprias oportunidades e desafios. O litoral do Nordeste oferece oportunidades de desenvolvimento turístico, industrial e de serviços. A região semiárida pode se tornar um polo de desenvolvimento sustentável, com foco em setores como a agricultura sustentável e a energia renovável. A bacia do Rio São Francisco pode se tornar um polo de desenvolvimento hidrelétrico e de irrigação. Ou seja, o que pode ser, já é! E, com isso, a nova indústria do Brasil tem seu berçário esplêndido.
A promoção da conservação e restauração dos ecossistemas naturais e de transição, como o bioma da caatinga e os manguezais, pode ajudar a proteger a biodiversidade e a garantir a segurança hídrica da região. A implementação de práticas agrícolas sustentáveis pode ajudar a reduzir a emissão de gases de efeito estufa e a promover a segurança alimentar.
A transformação digital é fundamental. A região pode se tornar um polo de desenvolvimento tecnológico, com foco em setores de biotecnologia e nanotecnologia.
A implementação de infraestrutura de conectividade, com uma comunicação de alta velocidade que abranja o Nordeste em todo seu interior, e a promoção da inovação podem estimular a criação de empresas de tecnologia e a atração de investimentos. Temos que ter a geração de um ecossistema de inovação regional, alcançando 100% dos municípios e 100% das escolas.
A economia azul também é fundamental. O foco em cadeias como a da pesca sustentável, o turismo do lazer e do conhecimento, a indústria de transformação de produtos marinhos e a energia offshore. A promoção da conservação e restauração dos ecossistemas marinhos, como os recifes de coral e os manguezais, pode ajudar a proteger a biodiversidade e a garantir a segurança alimentar.
No entanto, é necessário investir pesadamente em infraestrutura para apoiar o desenvolvimento da economia azul, incluindo a construção e melhoria de portos, das condições de navegação e a criação de centros de pesquisa e desenvolvimento sobre os oceanos por toda a costa nordestina.
O turismo precisa rever sua perspectiva das potencialidades locais e específicas, com ciência, atraindo os mais diversos públicos globais. Recentemente, no Japão, participei da Expo Osaka 2025, com olhares do mundo inteiro para uma pauta do conhecimento e do futuro. O Brasil, e em especial o Nordeste, pode ser esse protagonista do turismo do conhecimento. A promoção de rotas turísticas diversificadas, incluindo aspectos históricos, científicos e paleontológicos, pode estimular a economia local e a geração de empregos. A integração intermodal e a diversidade de opções de lazer e esportes podem tornar o Nordeste um destino turístico atraente.
A promoção da criatividade e a valorização da identidade cultural podem gerar oportunidades de inovação e empreendedorismo. A criação de programas de apoio à cultura e à arte pode estimular a economia criativa e a geração de empregos.
A criação de hubs de inovação na região pode estimular a geração de empregos e a atração de investimentos.
É fundamental investir em infraestruturas digitais e intermodais, como cabos de fibra óptica, rodovias, ferrovias e aeroportos, para conectar a região e facilitar o acesso a mercados e recursos. A colaboração entre governo, setor privado e sociedade civil pode pavimentar o caminho para a criação de um ecossistema de inovação regional e a promoção do desenvolvimento sustentável.
Com políticas públicas adequadas, programas de financiamento e investimentos estratégicos, o Nordeste brasileiro pode se tornar um exemplo global de desenvolvimento regional sustentável e governança climática. A promoção da inovação, da criatividade e da diversidade pode estimular a economia local e a geração de empregos, tornando o Nordeste um polo de desenvolvimento sustentável e próspero.

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