Manfredo Cássio de Aguiar Borges é referência nacional em recursos hídricos e foi um dos precursores da transposição do Rio São Francisco. (Foto: Reprodução)
O engenheiro civil e escritor Manfredo Cássio de Aguiar Borges, referência nacional em recursos hídricos e um dos precursores da transposição do Rio São Francisco, terá seu nome inscrito no Livro do Mérito do Confea durante a Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea). A solenidade ocorrerá nesta terça-feira (7), no Pavilhão de Carapina, em Serra, no Espírito Santo.
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Natural de Sobral e falecido em Fortaleza em 2023, aos 89 anos, o ex-diretor do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) foi indicado pelo Instituto Brasileiro de Auditoria e Engenharia – Seção Ceará (Ibraeng-CE) e pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE) em reconhecimento à sua contribuição decisiva para o desenvolvimento hídrico e social do Nordeste, consolidando uma trajetória que atravessou quase um século de dedicação à engenharia brasileira.
Cássio Borges formou-se engenheiro civil pela Escola Politécnica da Universidade Católica de Pernambuco, em 1960, e especializou-se em recursos hídricos pela Escola Nacional de Engenharia e pela PUC do Rio de Janeiro, em 1965. Sua trajetória acadêmica ainda incluiu um curso na Espanha, em 1979, sobre dessalinização da água do mar e irrigação em áreas desérticas, tema que ampliou seu interesse pelas soluções para o semiárido nordestino.
Mas foi no Dnocs, em Fortaleza, que Cássio construiu a maior parte de sua carreira. Ingressou por concurso e ocupou diferentes cargos de liderança, sempre com uma visão voltada para o impacto social das obras. Chegou a assumir vaga na Petrobras, após aprovação em concurso, mas logo percebeu que seu destino não estava no petróleo, e sim nas águas que poderiam transformar a vida de comunidades nordestinas.
Um de seus projetos mais emblemáticos foi o de Paraipaba, que alterou a realidade de famílias em situação de extrema pobreza. Ali, por meio da irrigação, colonos puderam plantar, criar animais e conquistar independência econômica. “Ele transformou a vida dos colonos que ali habitavam. As pessoas o tratavam quase como uma santidade. Porque eles não tinham nada, era uma população de extrema pobreza, e a partir de um projeto de irrigação eles puderam plantar, ter galinha, criar gado e até possuir carro próprio. Foi muito transformador. Ele tinha uma visão social à frente do tempo”, relembra Marcos André Borges, filho de Cássio.
Sua prática profissional não se limitava aos cálculos e relatórios. Borges fazia questão de visitar os canteiros de obra, caminhar pelas barragens e acompanhar de perto os resultados de seus projetos. “Ele sempre disse: ‘eu jamais vou ser um engenheiro de escritório’”, recorda Marcos. Essa postura de proximidade com o campo fez dele um engenheiro de visão prática e sensibilidade social, que via na infraestrutura hídrica um meio para promover desenvolvimento humano e regional.
A vida de Cássio Borges também foi marcada pela paixão pelo esporte. Em 1979, presidiu o Fortaleza Esporte Clube e lançou a campanha “Dois mil sócios”, iniciativa que abriu caminho para os atuais programas de sócio-torcedor. Seu olhar inovador buscava sempre inspiração em experiências de fora, tanto no campo da engenharia quanto no da gestão esportiva, refletindo sua capacidade de antecipar soluções sustentáveis.
Pai dedicado, torcedor apaixonado e profissional incansável, Cássio Borges deixou sua marca em diferentes esferas da sociedade. “Depois da família, as paixões de meu pai eram o Fortaleza e o Dnocs”, resume seu filho.
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