Energias renováveis: empresa afirma que já comprou terreno no Pecém para produção de Hidrogênio Verde

Por: Eleazar Barbosa | Em:
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A área no Complexo do Pecém que as instituições irão atuar para a produção do Hidrogênio Verde será no Setor 2 da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) – Imagem. (Foto: CIPP)

O CFO (Diretor Financeiro) da Qair BrasilGustavo Guitti, afirmou no que concerne às tramitações envolvendo os investimentos para instalação de um empreendimento de Hidrogênio Verde da empresa no Complexo do Pecém, que a corporação já adquiriu um terreno para a produção do insumo renovável na área industrial portuária cearense.


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Segundo a administração do polo, as empresas que irão produzir Hidrogênio Verde no complexo deverão ser implementadas no Setor 2 da Zona de Processamento de Exportação (ZPE). No entanto, conforme esclarecimento da gestão do ZPE, o espaço negociado da Qair Brasil não será implantado no Setor 2, mas em outra extensão do complexo.

O representante da Qair Brasil reforçou que a conexão neste sentido com o Governo do Estado de auxiliar as tratativas tem sido fundamental para viabilizar os desdobramentos burocráticos. “Nossa empresa está muito alinhada com o Governo do Estado, que tem demonstrado um compromisso forte com a temática de transição energética. Então há um alinhamento completo com os objetivos da nossa companhia, ajudado na parte de regulação e regulamentação, e tem sido imprescindível para viabilizar os empreendimentos aqui na região”, frisou Gustavo.

A Qair Brasil é uma subsidiária vinculada a multinacional Qair Internacional, e conforme Gustavo, a corporação atua somente na região Nordeste, promovendo projetos de energia solar e eólica. Ainda de acordo com o CFO, a instituição empresarial tem aplicado no Ceará até os dias atuais o montante de R$ 5 bilhões.

“Alguns dos nossos projetos têm 600 megawatts de capacidade operacional. Além desses, também estamos construindo agora mais um outro, de 189 megawatts. E temos, ainda, um pipeline de diferentes tecnologias a serem implantadas aqui na região, em mais de 13 gigawatts. Isso faz com que a gente gere de forma direta mais de 130 empregos, e indiretamente, durante a fase de construção, chegando a ultrapassar mais de 1.500 postos de trabalho. É uma empresa que tem investido muito na região e tem tudo para continuar crescendo, atuando no Nordeste”, mencionou Gustavo.

Ao que tange a adequação monetária de órgãos públicos de financiamento para propósitos de investimentos, o diretor financeiro da Qair Brasil disse que o Banco do Nordeste (BNB) é o principal parceiro e que a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) disponibiliza recursos, via Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), para objetivos relacionados aos propósitos da subsidiária na região.

A superintendente estadual do Banco do Nordeste (BNB) no Ceará, Eliane Brasil, ressaltou que o banco possui um grande funding que é o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Contudo, ela realça a conjugação de parcerias estabelecidas, como por exemplo, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e na busca de recursos via Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

“Eu acho que a iniciativa da Chamada Nordeste, que é um consórcio de bancos ou entidades financiadoras, vai dar muito certo. Teve um orçamento inicial de R$ 10 bilhões, e agora a gente conseguiu a ordem de um projeto de R$ 127 bilhões. A gente vai fazer uma peneira para saber quem vai ser financiado, mas com certeza, um grande volume desses recursos vai financiar esses projetos”, acrescentou Eliane.

No centro, Eliane Brasil, e ao lado, Gustavo Guitti. Ambos participam do ciclo de debate durante o Proenergia Summit 2025. (Foto: Sindienergia)

A vantagem da energia fotovoltaica

O analista de Regulação da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (ARCE), Hugo Oliveira, aponta o grau de maturidade nos preços do menor custo de energia na utilização do sistema solar fotovoltaico, na geração distribuída, em comparação com o que é cobrado no fornecimento convencional.

Ele destaca investimentos num intervalo de tempo de três ou quatro anos em equipamentos que podem custar em torno de R$ 20 mil, mas que a partir do aporte quitado, a energia se configura praticamente livre de gastos no consumo da potência. “Existe retorno e também benefícios com a instalação de sistemas fotovoltaicos ainda, apesar de ter entrado em vigor algumas alterações que começaram a diminuir essa margem de lucro”, enfatiza.

Hugo avalia que, de forma geral, no âmbito nacional, que o sistema de distribuição de energia evoluiu, e que, em 2012, o repasse energético ocorreu de maneira elevada, o que acarretou o comprometimento do sistema. O analista salienta que a partir de então aconteceram restrições no sentido de conter a expansão da geração distribuída, e que o quadro apenas melhorou com a aprovação da lei 14.300, em 2022.

Ceará como Hub de energias renováveis do Brasil

As declarações foram feitas em entrevista exclusiva concedida à Trends nesta quinta-feira (25) durante a Proenergia Summit 2025, no Centro de Eventos. Na ocasião, o presidente do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia Ceará), Luiz Carlos Queiroz, instituiu uma carta que estabelece o Ceará como Hub de Energias Renováveis do Brasil, com ênfase especial no enquadramento do Hidrogênio Verde, à logística da energia eólica on e offshore, e na fonte solar fotovoltaica.

O presidente do Sindienergia acentua que o momento conjuntural o qual transita o segmento de energias renováveis no Ceará delineia a transferência de um setor de consumo para um ecossistema de exportação. “O que percebo é muito investimento, como foi dito no evento pela própria Casa dos Ventos, que vai fazer investimentos da ordem de R$ 150 bilhões, somente dentro da ZPE, e mais R$ 25 bilhões em geração fora da ZPE”, pontuou.

Presidente do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia – CE), Luiz Carlos Queiroz. (Foto: Sindienergia)

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