De acordo com estudo do Conselho Empresarial Brasil China, o país recebeu US$ 4,2 bilhões em aportes no último ano. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O Brasil passou a ocupar a terceira posição global entre os principais destinos de investimentos chineses, tornando-se o primeiro fora da Europa. De acordo com estudo do Conselho Empresarial Brasil China (CEBC), o país recebeu US$ 4,2 bilhões em aportes no último ano, distribuídos em dezenas de projetos que vão de energia a carros elétricos.
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O levantamento mostra que o investimento direto chinês mais que dobrou em 2024 em comparação a 2023. Empresas ampliaram sua presença em setores tradicionais, como infraestrutura energética, e também ingressaram em novas áreas de tecnologia e mobilidade elétrica, reforçando os laços econômicos bilaterais.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a chegada de mais capital asiático pode estimular a competitividade industrial brasileira. No entanto, especialistas ressaltam que muitos empreendimentos ainda dependem de peças importadas da China, o que reduz a geração de empregos e limita a formação de cadeias produtivas locais.
Uallace Moreira, chefe de desenvolvimento industrial do MDIC, avalia que a entrada de recursos é positiva, mas defende avanços na integração com fornecedores nacionais. Para ele, sem esse movimento, os efeitos do investimento chinês no Brasil permanecerão restritos.
Entre 2015 e 2019, o investimento chinês no país se concentrou em grandes projetos de petróleo e energia, somando em média US$ 6,6 bilhões anuais. Agora, a estratégia se diversificou, com 39 projetos ativos em 2024, abrangendo desde logística até plataformas de delivery, como as operações da Meituan e da Didi no setor de entregas de alimentos.
O novo padrão colocou o Brasil atrás apenas do Reino Unido e da Hungria como destino global de capital chinês, após ter ocupado a nona posição em 2022 e 2023. Esse salto reflete a busca da China por oportunidades em mercados emergentes, em meio à redução de sua presença nos Estados Unidos, onde os aportes caíram para US$ 2,2 bilhões no ano passado.
Apesar do crescimento, os EUA ainda lideram como maior fonte de investimento estrangeiro direto no Brasil, com US$ 8,5 bilhões em 2024. O cenário indica que o avanço asiático ocorre em paralelo, mas não substitui o peso histórico do capital norte-americano.
A expansão, contudo, não elimina obstáculos. De acordo com o MDIC, muitas companhias enfrentam dificuldades com a tributação complexa, os custos trabalhistas elevados e a rigidez da legislação brasileira. Esses fatores elevam os gastos de operação e limitam a competitividade de novos entrantes.
Um exemplo foi o caso da montadora BYD, investigada em 2024 após denúncias de condições de trabalho análogas à escravidão em uma fábrica em construção. Embora a empresa tenha negado irregularidades, o episódio evidenciou a necessidade de adaptação das companhias estrangeiras às normas brasileiras.
Enquanto isso, os encontros entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping reforçaram a cooperação bilateral. As parcerias anunciadas visam expandir a presença de empresas chinesas no Brasil, mas também destacam o desafio de transformar os investimentos em ganhos efetivos para a indústria nacional.
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