A decisão de restringir a lista reforça a estratégia do governo de concentrar esforços nos setores mais expostos às barreiras tarifárias. (Foto: Envato Elements)
O governo decidiu não incluir carne bovina e café no programa emergencial de compras públicas criado após as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, esses produtos têm demanda consolidada em outros mercados e, por isso, não entraram na lista inicial.
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Teixeira afirmou ainda acreditar que os dois itens possam ser isentados futuramente pelo governo norte-americano, já que o mercado interno dos EUA depende do abastecimento externo de carne e café. Assim, a expectativa é que o impacto para produtores seja menor em comparação a outros setores atingidos.
O Executivo publicou a portaria que regulamenta a medida anunciada na semana passada. O texto autoriza União, Estados e municípios a adquirirem, sem licitação, alimentos afetados pela tarifa norte-americana, em um esforço para evitar perdas econômicas e garantir escoamento da produção nacional.
Entre os produtos contemplados estão açaí, água de coco, castanha de caju, castanha do Brasil, manga, mel, uva e diferentes espécies de pescado, como tilápia, pargo e corvina. O objetivo é dar destino imediato à produção, assegurando renda a agricultores familiares e exportadores de menor porte.
A decisão de restringir a lista reforça a estratégia do governo de concentrar esforços nos setores mais expostos às barreiras tarifárias. Como carne bovina e café têm maior diversidade de destinos internacionais, a prioridade foi atender produtos com menor margem de manobra no comércio exterior.
A medida também sinaliza ao mercado interno que a política de compras públicas funcionará como mecanismo de estabilidade. Para produtores, ela oferece uma alternativa de venda em um momento de incerteza, enquanto o governo ganha tempo para negociar com os Estados Unidos e buscar flexibilizações no tarifaço.
Embora a disputa tarifária represente risco ao comércio bilateral, o Executivo aposta em soluções diplomáticas. A avaliação é que a dependência americana de insumos alimentares importados poderá abrir espaço para exceções e manter ativo o fluxo de exportações brasileiras.
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