A vocação de Fortaleza para criação de novas empresas

Por: Eleazar Barbosa | Em:
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Dados da Prefeitura apontam que até maio deste ano se estabeleceram na cidade um total de 281.127 pequenas empresas ativas. (Foto: João Crisósthomo)

A vocação inerente de Fortaleza para o caleidoscópio de aspirações para solidificação e o surgimento de novas empresas se reflete nos dados da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico (SDE), o qual aponta que até maio deste ano, se estabeleceram na cidade um total de 281.127 pequenas empresas ativas, incluindo microempreendedores individuaismicroempresas e empresas de pequeno porte. Segundo a pasta municipal, o número representa 88,89% de todos os CNPJs ativos da capital cearense.


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A SDE aponta que nos primeiros cinco meses de 2025, foram abertas 22.846 novas pequenas empresas em Fortaleza, aumento de 8,84% em relação ao número registrado no final do ano passado. Protagonismo que realça a importância econômica da capital cearense, o qual, conforme a secretaria municipal, quase a metade (45,03%) das pequenas empresas ativas no Ceará estão sediadas em Fortaleza.

“Fortaleza consolida sua vocação empreendedora com quase 90% das empresas ativas formadas por micro, pequenos e médios negócios. Esse protagonismo não apenas movimenta a economia local, mas gera emprego, renda e oportunidades em todas as regiões da cidade – do Centro aos bairros em expansão. Somente nos primeiros cinco meses de 2025, mais de 22 mil novas empresas foram abertas, demonstrando a confiança do empreendedor fortalezense e a força dos pequenos negócios como motor do desenvolvimento econômico, social e territorial da capital. Nosso compromisso é continuar fortalecendo esse ambiente com políticas públicas que estimulem a formalização, o crescimento e a inclusão produtiva”, reforça o atual titular da SDE, Antonio José Mota.

O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, celebra o momento favorável de pujança urbana econômica no setor, porque o crescimento de mais de 10% no número de pequenas empresas em Fortaleza no primeiro semestre de 2025 comprova que a cidade oferece um ambiente cada vez mais favorável ao empreendedorismo.

Segundo Evandro, o panorama designa aumento progressivo na estatística, emergindo 29.286 novos pequenos negócios ativos até junho, o qual mostra que a conjuntura fortalece uma base que movimenta a economia local e também gera emprego e renda. Para o chefe do executivo municipal, o dinamismo proporcionado contribui diretamente para que a cidade lidere o estoque de empregos formais no Nordeste e mantenha o maior Produto Interno Bruto (PIB) entre as capitais da região.

“Sempre destaco que não me orgulha termos o maior PIB nordestino ao mesmo tempo em que somos uma cidade tão desigual. Meu principal objetivo à frente de Fortaleza é justamente reduzir as desigualdades entre as áreas ricas e os bairros que têm menos acesso aos serviços públicos de qualidade. Quero fazer de Fortaleza a capital de todos”, enfatiza Evandro.

O prefeito de Fortaleza elucida que foi lançado em julho um plano com oito eixos temáticos para direcionar 7.460 vagas até o final do ano, em cursos de capacitação para formalizar a autonomia econômica de pessoas em situação de vulnerabilidade. O projeto é denominado de Plano Fortaleza Inclusiva.

“Dessa forma, reitero que temos trabalhado para que Fortaleza seja cada vez mais reconhecida como uma cidade que impulsiona o empreendedorismo de forma igualitária. O crescimento expressivo dos pequenos negócios reflete um ambiente propício, com apoio, capacitação e incentivo. Quando fortalecemos o micro e pequeno empreendedor, estamos investindo diretamente na geração de renda, na ocupação dos territórios e na redução das desigualdades. É esse o caminho que estamos trilhando: um desenvolvimento econômico mais inclusivo, conectado com a realidade de quem empreende na ponta”, salienta Evandro.

O articulador em Fortaleza e Região Metropolitana do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)Pedro Silva, pontua que os setores promissores no englobamento definem que saúde e bem-estar permanecem em ascensão, impulsionados por uma demanda crescente por serviços acessíveis e com foco social.

Sob a ótica do gestor, as tecnologias inovadoras, como inteligência artificial, realidade aumentada, automação, internet das coisas, e-commerce e marketing digital, são ferramentas que seguem em expansão na capital cearense. “A busca por uma alimentação mais saudável e sustentável também se intensifica, refletindo o interesse dos consumidores por escolhas com maior apelo nutricional e menor impacto ambiental. Já os negócios digitais, especialmente o comércio eletrônico e os serviços online, ganham cada vez mais força, oferecendo baixo custo operacional e amplo alcance — uma tendência acelerada com a pandemia”, frisa.

Pedro Silva ressalta que áreas próximas a universidades e centros de inovação, como, por exemplo, os Campus acadêmicos do Pici e do Benfica, evidenciam a concentração de startups tecnológicas, aceleradoras e espaços de coworking. Ele afirma que os polos estão diretamente conectados a iniciativas de inovação, como o Siará Tech Summit.

O gestor relata que nos setores urbanos emergentes irrompem áreas como alimentação saudável, serviços médicos e bem-estar, especialmente em bairros residenciais de classe média. “Ao mesmo tempo, regiões comerciais dinâmicas, como Meireles e bairro de Fátima, seguem em evidência, impulsionando o desenvolvimento de novos negócios e experiências de consumo. Também é importante destacar o potencial de formação de pequenos polos econômicos em diversos bairros da capital, movimentados por negócios de gastronomiabelezamoda e serviços automotivos”, menciona.

Em termos de atuação do Sebrae no aspecto de ações para fomentar e incentivar investimentos em infraestrutura nas micro, pequenas e médias empresas de Fortaleza, Pedro acentua que o órgão tem alinhado a estratégia para fortalecer os pequenos negócios da cidade, no aspecto de fornecer preparação dos empreendedores para investir de forma planejada em infraestrutura e modernização.

“Isso inclui capacitações, consultorias e orientações que ajudam na melhoria da gestão, adequação de instalações e aquisição de equipamentos. Muitas vezes, esse preparo é o que possibilita que empresários consigam adequar instalações, adquirir novos equipamentos e expandir suas atividades com planejamento e sustentabilidade. Por meio do programa Sebraetec, por exemplo, o Sebrae facilita o acesso a soluções tecnológicas e de inovação que impactam diretamente na infraestrutura das empresas. O Sebrae também incentiva a transformação de negócios tradicionais, conectando-os a ambientes de inovação como hubs e incubadoras, além de prepará-los para acessar crédito com mais segurança, por meio de educação financeira e planejamento. Com esse conjunto de ações, a instituição contribui diretamente para tornar o ambiente de negócios de Fortaleza mais competitivo, inovador e sustentável.”

Pedro Silva, articulador em Fortaleza e Região Metropolitana, do Sebrae

Pedro Silva, articulador em Fortaleza e Região Metropolitana, do Sebrae

Economistas avaliam incentivos fiscais e economia da cidade

Os estímulos públicos para incentivar programas de incentivo fiscal de micro e pequenas empresas são redimensionados pelo economista Thiago Holanda como iniciativas da Prefeitura de Fortaleza e do Banco do Nordeste (BNB) em conexões de promoção de financiamentos a juros baixos e também o Agroamigo. “Além disso, podem implementar incentivos fiscais por meio de leis complementares, como PRODEFOR PARQFOR, para estimular investimentos em bairros de baixa renda, parques tecnológicos e cultura local”, complementa.

No entanto, o economista relata que, apesar dos esforços, ainda persistem obstáculos como a burocracia excessiva e elevada carga tributária, o que dificulta a formalização e difusão das micro e pequenas empresas. “O acesso a crédito ainda é limitado por ausência de garantias e custo alto do spread bancário. Há também exclusão digital, pois muitas empresas possuem acesso à internet, mas não a sistemas digitais avançados para gestão eficiente. E, por fim, a falta de capacitação técnica em gestão, marketing e finanças limita o crescimento e a competitividade no mercado local”, frisa.

Analisando a conjuntura do comércio atacadista da capital cearense – o que impacta na criação de novas empresas –, o economista Eldair Melo afirma que o setor vivencia um momento muito positivo, com destaque nas áreas de moda e alimentos. O especialista sublinha que o movimento atacadista, além de incitar a geração de emprego e renda para micro e pequenos empreendedores, também é um ciclo virtuoso que fortalece a economia local de forma estruturada.

“Podemos citar, por exemplo, a Estação Fashion de Fortaleza, com investimento superior a R$ 75 milhões, que está em fase final de implantação no Centro da cidade. Só esse projeto deve trazer mais de 1.300 lojas e gerar cerca de sete mil empregos diretos e indiretos, movimentando algo em torno de R$ 200 milhões em investimentos privados. Outro destaque é o setor de atacarejo de alimentos, como a expansão da mega atacadista Âncora Distribuidora. Eles fecharam o ano passado com faturamento superior a R$1,15 bilhão, um crescimento de 12% em comparação com 2022, e planejam chegar a 22 unidades no Ceará até o final deste ano”, exemplifica Eldair. 

Economistas do Corecon-CE: Perfil à esquerda: Eldair Melo, e ao lado: Thiago Holanda. (Fotos: Corecon-CE)

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