Desafio da conferência global das mudanças climáticas é executar o que foi planejado

Por: Redação | Em:
Tags:
clima

As ações: acabar com o desmatamento, triplicar energia renovável, duplicar eficiência energética, transitar para os fins de combustíveis fósseis. (Foto: Envato Elements)

Um dos eventos internacionais mais aguardados do ano que pretende debater ações para combater a crise climática global, a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), acontecerá pela primeira vez no mês de novembro, num local simbólico do mundo em termos de meio ambiente: na Amazônia, em Belém do Pará.


Quer receber os conteúdos da TrendsCE no seu smartphone?
Acesse o nosso Whatsapp e dê um oi para a gente.


Na ocasião, estarão presentes líderes mundiais, autoridades, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir mecanismos ambientais. A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, aponta que o primeiro critério é lidar com a adaptação a um clima que já se modificou.

“Já tem mais seca, já tem mais enchentes, já tem mais incêndios. Então a gente tem que aprender a viver com isso. É um grande tema de negociação da COP 30. O segundo é quando a gente fala sobre combater a mudança do clima, a gente pensa que é simplesmente um tema tecnológico. Carros elétricos, painéis solares, o que é verdade, mas a gente esquece que também é fundamental preservar a natureza, preservar os nossos oceanos, as nossas florestas. O terceiro tema eu diria para a gente mudar a economia. A economia não pode mais ser assim como sempre foi. A gente tem que incorporar as preocupações climáticas no nosso modelo de desenvolvimento geral. E por fim, são as causas da mudança do clima. Toda a poluição, os gases de efeito estufa, como é que está vindo a poluição, por exemplo, de combustíveis fósseis, dos nossos transportes. Como é que a gente consegue controlar esses gases para diminuir o problema”, elenca Toni.

De acordo com a gestora, a mudança do clima acontece há dez anos, desde o Acordo de Paris, e ela projeta que o evento seja o limiar para que seja executado o que ficou acordado. “Por exemplo, acabar com o desmatamento, triplicar energia renovável, duplicar eficiência energética, transitar para os fins de combustíveis fósseis. O que a gente precisa agora é implementar. Então nessa COP, o grande mote vai ser implementação, juntos com os outros setores”, frisou a gestora.

Recuperação de florestas pode gerar emprego e renda

Uma das diretrizes que foram delineadas para serem implementadas pelos atores ambientais é a recuperação de florestas desmatadas. O Brasil terá a missão, durante a Conferência, de mostrar ao mundo, ações a serem aplicadas neste sentido.

De acordo com ato elaborado por entidades governamentais no Acordo de Paris de 2015, o país se comprometeu a recuperar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, no intuito de mitigar as mudanças climáticas. Pesquisas relatam que o Brasil tem um déficit de um milhão de hectares nos assentamentos da Reforma Agrária, e o Pará concentra 44% dessas áreas desmatadas.

O estudo do Instituto Escolhas elucida que a restauração das florestas dessas áreas pode produzir mais de 15 milhões de toneladas de alimentos e 278 milhões de mudas, além de gerar mais de 69 mil empregos e renda ao longo de 30 anos. O projeto é denominado “Recupera a floresta nos assentamentos rurais no Pará, o que o Brasil ganha com isso?”.

“O Governo precisa correr para cumprir a meta assumida do Acordo de Paris e chegar na COP 30, em Belém, mostrando que está agindo e fazendo o que se comprometeu em 2015. E o Pará é chave nessa equação por concentrar 30% das áreas de assentamentos da reforma agrária do país, 44% das áreas desmatadas em assentamentos e mais de 205 mil famílias assentadas, um recorde nacional”, reforça o gerente de Pesquisa do Instituto Escolha, Rafael Giovanelli.

Saiba Mais:

Ceará participa de conferência internacional com foco na COP30

COP 28: Mercado verde do Brasil pode movimentar R$ 1,3 tri até 2030

Top 5: Mais lidas