A vegetação da Caatinga, adaptada a longos períodos de seca, responde rapidamente a variações de precipitação. (Foto: Reprodução/Thomas Griggs)
A Caatinga, bioma que cobre cerca de 10% do território nacional, foi responsável por até 50% da remoção de carbono da atmosfera em anos com maior volume de chuvas entre 2015 e 2022, segundo estudo da Unesp. A pesquisa destaca o papel do bioma no balanço de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil, apontando sua eficácia em capturar CO₂ em comparação com outros biomas.
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A vegetação da Caatinga, adaptada a longos períodos de seca, responde rapidamente a variações de precipitação. Quando chove mais, o aumento da fotossíntese acelera o sequestro de carbono, o que foi comprovado por dados de fluorescência da clorofila analisados pelos pesquisadores. Esse comportamento contrasta com o da Amazônia, onde a atividade fotossintética tende a se estabilizar mesmo com mais água disponível.
O estudo utilizou dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, e do Climate TRACE, consórcio internacional que monitora as emissões por satélite. Também foram cruzadas informações de precipitação e atividade fotossintética para medir a capacidade de captura de carbono em cada bioma brasileiro. A pesquisa foi publicada na revista Science of the Total Environment.
Os autores destacam que preservar a Amazônia continua essencial por seu estoque de carbono, mas a Caatinga merece atenção como importante sumidouro, especialmente pela rápida rebrota da vegetação. Em anos mais úmidos, o bioma respondeu por cerca de 40% das remoções nacionais, evidenciando seu potencial para estratégias de mitigação climática.
Apesar dos ganhos naturais, as emissões brutas do Brasil continuam elevadas devido ao desmatamento e à mudança no uso da terra. Em 2023, o país lançou 2,3 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente (GtCO₂e), conforme dados do SEEG, uma queda de 12% em relação a 2022.
O desmatamento, especialmente no arco próximo à Amazônia e na região do Matopiba, segue como principal motor das emissões. Dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram queda de 33% na Amazônia no primeiro semestre de 2023, mas aumento de 21% no Cerrado. A agropecuária e o setor de energia aparecem como os setores mais emissores após o uso da terra.
Historicamente, o Brasil reduziu significativamente suas emissões líquidas com fiscalização ambiental, passando de 1,8 GtCO₂e na década de 1990 para cerca de 0,2 GtCO₂e em 2012. Porém, a retomada do desmatamento após esse período elevou novamente os índices, mantendo o país entre os principais emissores do mundo nessa categoria.
A pesquisa reforça a importância de políticas públicas que considerem a heterogeneidade dos biomas e suas respostas ambientais. Valorizar a Caatinga como um ativo climático pode contribuir para equilibrar o balanço de carbono nacional e orientar investimentos em conservação.
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