A atual distribuição da cota leva em consideração aspectos históricos e sociais da produção de cana-de-açúcar no Nordeste. (Foto: Envato Elements)
Usinas do Nordeste pedem ao governo federal a preservação da cota de exportação de açúcar isenta de tarifas para os Estados Unidos. O apelo foi feito durante negociações comerciais com os EUA, conduzidas pelos ministros Geraldo Alckmin (MDIC) e Carlos Fávaro (Agricultura).
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A solicitação foi apresentada por Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) e da Associação dos Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), que destacou a importância econômica da cota para a região. O sistema existe há mais de 20 anos e garante acesso preferencial ao mercado americano para 139 países.
Hoje, o Brasil tem direito a exportar cerca de 1,1 milhão de toneladas de açúcar por ano aos EUA dentro do regime tarifário preferencial. O Nordeste responde por aproximadamente 150 mil toneladas desse total, podendo chegar a até 190 mil toneladas em anos de remanejamento.
Segundo Cunha, o mercado norte-americano é estratégico para a região, que gera cerca de 270 mil empregos formais com a produção e exportação de açúcar. As divisas podem chegar a US$ 200 milhões por ano.
As usinas nordestinas alertam que uma eventual mudança na regra prejudicaria a competitividade do setor na região. Isso ocorre porque a produção local tem custos mais elevados do que as regiões Centro-Sul e Sudeste, que concentram maior escala e mecanização.
O setor defende que a atual distribuição da cota leva em consideração aspectos históricos e sociais da produção de cana-de-açúcar no Nordeste. Além disso, argumenta que o fim da isenção tarifária comprometeria a sustentabilidade financeira de pequenos e médios produtores.
Renato Cunha também pontuou que a política de cotas tem funcionado como instrumento de equilíbrio entre as regiões produtoras, contribuindo para manter o setor ativo em diferentes estados brasileiros.
A decisão final dependerá do desfecho das tratativas entre os governos brasileiro e norte-americano, que seguem em curso. O Ministério da Agricultura não comentou prazos para a conclusão das negociações.
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