Exportação de manga do Vale do São Francisco ameaça colapsar com tarifa de Trump

Por: Redação | Em:
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Exportadores de manga do Vale do São Francisco temem demissões em massa após o anúncio de tarifas de 50% sobre a fruta brasileira. (Foto: Envato Elements)

Exportadores de manga do Vale do São Francisco temem demissões em massa após o anúncio de tarifas de 50% sobre a fruta brasileira, feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida afeta diretamente a região, que responde por 90% da produção nacional e tem os EUA como um de seus principais mercados.


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Os meses de agosto a outubro concentram os embarques para o mercado norte-americano. A nova tarifa entra em vigor em 1º de agosto, coincidindo com o início da safra. A cadeia produtiva já está em operação: embalagens prontas, navios contratados e compradores mobilizados.

A região conta com cerca de 3.200 produtores e gera em torno de 200 mil empregos diretos. Com a imposição da nova taxa, representantes do setor alertam para o risco de colapso no mercado interno, caso a manga não seja absorvida no exterior.

Segundo o Ministério da Agricultura, em 2023 os EUA importaram mais de 48 mil toneladas de manga brasileira. Em 2024, até o momento, o volume caiu para 36,8 mil toneladas, fazendo do país o terceiro maior destino da fruta.

Setor de fruticultura cobra reação diplomática

Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas), afirmou que a medida tem impacto imediato e que as perdas podem atingir tanto grandes quanto pequenos produtores. Ele criticou a postura unilateral de Trump e defendeu a retomada do diálogo entre os governos.

Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas)
Foto: Divulgação

Coelho alertou que redirecionar a produção para a Europa não é viável no curto prazo, devido a limitações logísticas e à diferença de preços. Internamente, a absorção da fruta pressionaria os preços e poderia inviabilizar parte da produção.

“Não podemos pegar essa manga e jogar na Europa. O preço vai desabar e não há logística para isso. Não podemos colocar essa manga no Brasil, porque o mercado vai colapsar. Urge uma definição, urge o bom senso. Não podemos deixar manga no pé nem provocar desemprego em massa.”

Guilherme Coelho, presidente da Abrafrutas

A fruticultura brasileira ocupa hoje cerca de 2,5 milhões de hectares e gera 5 milhões de empregos, segundo a entidade. No Vale do São Francisco, a exportação de manga e uva é uma das bases da economia regional.

Jailson Lira de Paiva, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina, também manifestou preocupação. Ele destacou que os primeiros embarques da manga para os EUA estavam previstos para os próximos dias e que a falta de alternativas pode comprometer toda a cadeia produtiva.

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