A estimativa atual segue fora desse intervalo, o que reforça o cenário de inflação pressionada no médio prazo. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Analistas consultados pelo Banco Central (BC) reduziram, pela sétima semana consecutiva, a projeção de inflação para 2025, segundo o Boletim Focus divulgada nesta segunda-feira (14). A nova estimativa para o IPCA deste ano é de 5,17%, ligeiramente abaixo dos 5,18% da semana anterior.
Quer receber os conteúdos da TrendsCE no seu smartphone?
Acesse o nosso Whatsapp e dê um oi para a gente.
A projeção para 2026 foi mantida em 4,50%, ainda acima do centro da meta contínua de 3% estabelecida pelo BC, que admite margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. A estimativa atual segue fora desse intervalo, o que reforça o cenário de inflação pressionada no médio prazo.
Na semana passada, o Ministério da Fazenda também revisou sua projeção para 2025, estimando alta de 4,9% no IPCA, contra 5,0% em maio. Para 2026, o governo manteve a expectativa em 3,6%, indicando alinhamento parcial com o mercado no longo prazo.
As sucessivas revisões no Boletim Focus reforçam a leitura de desinflação gradual, mas ainda distante da meta, o que limita margem para afrouxamento monetário no curto prazo.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), a previsão do mercado para 2025 permaneceu inalterada em 2,23%. Já para 2026, houve leve alta na estimativa, de 1,86% para 1,89%, sinalizando expectativa de crescimento econômico moderado.
A estabilidade nas projeções sugere que, apesar do cenário de juros elevados, o mercado não antecipa desaceleração brusca da atividade econômica. Ainda assim, as taxas previstas seguem abaixo da média histórica do Brasil.
O comportamento das projeções reforça um cenário de crescimento estrutural limitado, mas com alguma resiliência frente ao ambiente monetário mais restritivo e à inflação persistente.
O Focus manteve, pela 24ª semana consecutiva, a expectativa da taxa Selic em 15% ao ano ao fim de 2025. Para 2026, o mercado estima que a taxa básica recue para 12,50%. O movimento indica percepção de estabilidade monetária no curto prazo.
Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BCl elevou os juros em 0,25 ponto percentual e sinalizou possível encerramento do ciclo de alta, mas alertou que poderá retomar elevações se necessário para conter a inflação.
Em relação ao câmbio, as estimativas para o dólar também recuaram. Para o final de 2025, a expectativa caiu de R$ 5,70 para R$ 5,65. Para 2026, houve redução de R$ 5,75 para R$ 5,70. No acumulado do ano, o dólar já recua 10,2% frente ao real.
As estimativas atualizadas mostram um cenário de inflação ainda acima da meta, crescimento moderado e juros elevados até, pelo menos, 2025. Mesmo com sinais de desinflação, a convergência para a meta permanece lenta.
A postura cautelosa do Banco Central se mantém respaldada pelas projeções, com foco na credibilidade da política monetária e na contenção das expectativas.
Para empresários e tomadores de decisão, os dados indicam um ambiente que exige planejamento financeiro conservador, com atenção especial ao comportamento dos juros, inflação e câmbio nos próximos trimestres.
Governo eleva previsão do PIB de 2025 e reduz projeção de inflação
Quais os principais produtos brasileiros afetados pela tarifa de 50% dos EUA?