O envelhecimento da população ameaça reduzir o ritmo de crescimento econômico nos países desenvolvidos, segundo relatório da OCDE. (Foto: Divulgação)
O envelhecimento da população ameaça reduzir o ritmo de crescimento econômico nos países desenvolvidos, segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta quarta-feira (9). O documento aponta que a principal preocupação atual não é mais a escassez de empregos, mas a falta de trabalhadores para ocupar vagas.
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Na zona do euro, 1 em cada 6 empresas industriais e 1 em cada 4 empresas de serviços apontaram a falta de mão de obra como entrave à produção em abril de 2025. Embora o número tenha recuado em relação ao período pós-pandemia, a OCDE avalia que a escassez persistente ante o crescimento lento sinaliza um desafio estrutural para as próximas décadas.
Com menos pessoas em idade ativa, vagas continuam abertas enquanto o desemprego permanece baixo e os salários crescem abaixo da inflação. Para a organização, a transição para uma economia com menos trabalhadores disponíveis é incerta e exige novas respostas de políticas públicas.
Além disso, o envelhecimento populacional se junta a outras duas megatendências globais — mudanças climáticas e transformação digital — como fator determinante para o futuro do mercado de trabalho.
Simulações da OCDE indicam que, mantidas as atuais taxas de produtividade, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita pode desacelerar cerca de 40% entre 2024 e 2060. A queda reflete o declínio esperado na proporção de pessoas empregadas em relação à população total.
A projeção é que o crescimento do PIB per capita caia de 1% ao ano na década de 2010 para 0,6% até 2060 na média dos países da OCDE. Isso representaria uma perda acumulada de 14% do PIB per capita em pouco mais de três décadas.
Até 2060, a população em idade ativa (20 a 64 anos) deve encolher 8% na média da OCDE e mais de 30% em ao menos um quarto dos países. A taxa de dependência de idosos, que era 19% em 1980 e chegou a 31% em 2023, deve subir para 52% no mesmo período.
Apesar dos sinais de enfraquecimento, o mercado de trabalho da OCDE mantém níveis recordes de emprego e participação, com desemprego historicamente baixo. Ainda assim, a organização observa desaceleração na criação de vagas e retorno da rigidez setorial a níveis pré-covid.
Os salários reais voltaram a crescer na maioria dos países, mas ainda não recuperaram totalmente o poder de compra perdido nos últimos anos. A OCDE destaca que a retomada pode ser interrompida por uma nova onda inflacionária ou pela desaceleração do mercado de trabalho.
Outros fatores de risco mencionados incluem incertezas geopolíticas e aumento de tarifas, que podem frear a atividade econômica global e, por consequência, afetar a geração de empregos.
Para mitigar os impactos do envelhecimento demográfico, a OCDE propõe medidas que envolvam mobilização de jovens, mulheres e migrantes, além de incentivar a permanência de trabalhadores mais velhos no mercado.
A organização também destaca a importância de acompanhar os efeitos da inteligência artificial sobre a produtividade e os empregos. Na avaliação do relatório, políticas públicas amplas e coordenadas serão essenciais para evitar um declínio econômico prolongado.
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