BC sinaliza fim do ciclo de alta e manutenção da Selic em 15%

Por: Redação | Em:
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A projeção da autoridade monetária é de que os efeitos do atual nível da Selic ainda não se manifestaram integralmente nos indicadores. (Foto: Jose Cruz/Agência Brasil)

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) reforça a intenção do Banco Central (BC) de interromper o ciclo de alta da Selic, após o reajuste de 0,25 ponto percentual na semana passada. Com isso, a taxa básica de juros passa a ser de 15% ao ano. A sinalização é de que o atual patamar será mantido “por período bastante prolongado”.


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O texto destaca que a decisão de pausa permitirá avaliar os efeitos defasados das elevações anteriores. O Comitê afirma que seguirá monitorando os dados e não hesitará em retomar o aperto monetário caso considere necessário para garantir a convergência da inflação à meta.

Segundo o BC, a resiliência da atividade econômica e as expectativas de inflação ainda desancoradas justificam uma política monetária mais contracionista. A projeção da autoridade monetária é de que os efeitos do atual nível da Selic ainda não se manifestaram integralmente nos indicadores.

A manutenção da Selic em 15% por um longo período tende a postergar o início de um ciclo de cortes para 2026, como já precificado por parte do mercado. O comunicado fortalece o discurso de cautela e vigilância, com foco no controle das expectativas inflacionárias.

Selic alta reflete impacto de reformas fiscais e cenário estrutural

O BC também incorporou à ata um alerta sobre o debate fiscal em andamento. Segundo o Comitê, discussões sobre a sustentabilidade do orçamento e a redução de gastos tributários podem alterar a percepção de risco e influenciar os prêmios exigidos na curva de juros.

Essa avaliação fiscal amplia o horizonte de incerteza sobre o custo do capital no país. Para o Comitê, o ambiente de expectativas desancoradas e projeções inflacionárias elevadas exige que a taxa de juros permaneça em território contracionista.

O centro da meta de inflação para 2025 é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A avaliação do Copom é de que apenas a manutenção da Selic em níveis elevados permitirá alcançar essa meta em um ambiente de persistência inflacionária.

Para analistas do mercado financeiro, o Banco Central manteve o tom austero, indicando que não há espaço para flexibilização no curto prazo. Étore Sanchez, da Ativa Investimentos, afirmou que a autarquia deixou claro que o juro deve permanecer inalterado até meados de 2026.

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