O dólar à vista operava em leve alta, influenciado por fatores geopolíticos. O movimento de valorização veio após relatos de ataques do Irã. (Foto: Envato Elements)
O dólar à vista operava em leve alta nesta segunda-feira (23), influenciado por fatores geopolíticos. Às 14h, a moeda norte-americana subia 0,14%, cotada a R$ 5,521, após atingir a máxima de R$ 5,5427 pela manhã. O movimento de valorização veio após relatos de ataques do Irã a bases dos EUA no Catar e no Iraque.
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O Ibovespa também sentiu os efeitos da instabilidade externa. O índice operava em queda de 0,91%, aos 135.868 pontos, refletindo a aversão global a risco. A tensão elevou o prêmio de ativos considerados seguros, como o dólar, em detrimento de ações e moedas emergentes.
No início do dia, o temor de que o Irã feche o Estreito de Ormuz — rota por onde circula quase 25% do comércio global de petróleo — gerou forte reação nos mercados. O risco de alta nos preços de energia e de ampliação do conflito elevou a busca por proteção cambial.
Mais tarde, o discurso de Michelle Bowman, diretora do Federal Reserve (Fed) trouxe alívio parcial aos mercados. Ela indicou que a redução dos juros pode ocorrer já em julho, caso a inflação siga sob controle, para preservar o dinamismo do mercado de trabalho dos EUA.
A fala repercutiu nos rendimentos dos Treasuries, que passaram a cair, diminuindo a atratividade da moeda americana. O índice do dólar, que mede a força da divisa frente a uma cesta de seis moedas, recuava 0,21%, a 98,710 pontos.
Com isso, o dólar passou a desacelerar globalmente, em movimento que também foi refletido no câmbio brasileiro. A menor pressão nos juros futuros dos EUA reduziu parte da demanda por dólar como ativo defensivo.
Nos próximos dias, investidores monitoram indicadores de inflação e novas declarações de autoridades monetárias nos EUA e no Brasil. A aproximação do fim da trégua nas tarifas comerciais dos EUA também pode gerar volatilidade.
O mercado segue atento a qualquer mudança no cenário externo, especialmente em relação às negociações com Japão e União Europeia. Qualquer sinal de avanço ou retrocesso pode impactar o câmbio e os ativos de risco.