A elevação da taxa Selic para 15% ao ano gerou reações negativas entre representantes da indústria, comércio e centrais sindicais. (Foto: Freepik)
A elevação da taxa Selic para 15% ao ano, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), gerou reações negativas entre representantes da indústria, comércio e centrais sindicais. As entidades avaliam que o novo patamar de juros desestimula o investimento e compromete a produção.
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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a decisão como “injustificável”. Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, os juros altos pressionam os custos de crédito e inviabilizam a recuperação econômica em um cenário de incerteza. A última vez que a Selic esteve nesse nível foi em 2006.
A Associação Paulista de Supermercados (Apas) também criticou a decisão do Banco Central. Segundo o economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz, havia espaço para manter ou reduzir os juros, o que poderia impulsionar o crescimento. Ele reforçou que, mesmo com a taxa atual, o PIB deve crescer 2,2% em 2025.
A inflação oficial, medida pelo IPCA, acumula alta de 5,32% em 12 meses até maio, acima do teto de 4,5% estipulado pela meta contínua. O novo modelo considera a inflação acumulada mês a mês e permite que o Banco Central (BC) atue de forma antecipada para evitar descontrole.
De acordo com o último relatório do BC, a projeção de inflação para 2025 é de 5,1%. Já o mercado financeiro estima um IPCA de 5,25% no mesmo período. Ambos os números indicam pressão sobre os preços, reforçando o argumento do Copom para manter juros elevados.
A autoridade monetária também projeta inflação de 4,9% ao fim de 2025 e de 3,6% em 2026. Essa visão de “horizonte ampliado” busca antecipar movimentos da economia e ajustar os instrumentos de controle de forma gradual.
A valorização do Real e a desaceleração econômica têm efeito de contenção, mas ainda não foram suficientes para trazer a inflação para dentro da meta. O Banco Central considera que os riscos inflacionários seguem relevantes, principalmente diante da expansão fiscal e expectativas desancoradas.
A alta da Selic torna o crédito mais caro, reduzindo o consumo das famílias e o investimento das empresas. Esse movimento ajuda a conter a inflação, mas também desacelera a atividade econômica.
Segundo o Banco Central, o crescimento do PIB deve ser de 1,9% em 2025, abaixo das estimativas de mercado, que apontam para 2,2%. A diferença reflete a cautela da autoridade monetária com os efeitos da política monetária restritiva.
A Selic é usada como referência nas operações com títulos públicos e baliza as taxas cobradas por bancos e instituições financeiras. Sua elevação visa reduzir a demanda e conter a pressão inflacionária.
Por outro lado, representantes dos setores produtivos alertam que juros elevados por longos períodos podem intensificar o desemprego e ampliar a pobreza, comprometendo a recuperação da economia no médio prazo.
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