O Ceará possui cerca 600 km de litoral e várias atividades marítimas, posicionando o Estado como referência internacional em economia do mar. (Foto: Envato Elements)

O potencial da economia do mar cearense

Por: Sara Café | Em:
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A relação entre o mar e a economia confere a esse ambiente enorme importância estratégica. Os oceanos cobrem 361 milhões de km², cerca de 71% da superfície da Terra e quase metade da população mundial (44%) vive e trabalha a 150 km da costa, movimentando US $1,5 trilhão, ou 2,5% do PIB global adicionado em 2010.


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Este valor está crescendo rapidamente, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) projeta que a economia oceânica alcançará a marca de US$ 3 trilhões até 2030. Considerado como um hypercluster, o setor congrega inúmeros segmentos, incluindo atividades logísticas e turísticas de serviços marítimos, indústria naval, recursos oceânicos, e pesquisa, extração e processamento, tanto de alimentos como de outros recursos vivos e não vivos do mar.

O Ceará voltou suas atenções de forma organizada e sistemática para o aproveitamento da economia do mar, graças à mobilização do Governo do Estado, da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e de uma série de instituições ligadas ao setor. A preservação dos mares, inclusive, é uma das pautas da Organização das Nações Unidas (ONU) que declarou o período de 2021 a 2030 como a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável.

“No nosso Estado temos uma série de vantagens e oportunidades ligadas ao mar: a localização geográfica, a possibilidade de Fortaleza ser um hub de dados global através de cabos submarinos, o espaço aéreo e navegação marítima,” afirma Rômulo Soares, membro do Conselho Estadual do Meio Ambiente e co-fundador do Winds For Future.

Indicadores e perspectivas da economia do mar

O Ceará possui cerca 600 km de litoral, dois grandes portos, um turismo já consolidado, bem como vocação para o desenvolvimento de energias renováveis, turismo náutico esportivo e um forte setor pesqueiro, posicionando o Estado como referência internacional em economia do mar.

Na Fiec, o programa para dinamização do hypercluster da Economia do Mar recebeu o nome de “Ceará – mar de oportunidades”. O programa é resultado das Rotas Estratégicas e Masterplan de Economia do Mar, iniciativas do Observatório da Indústria, que visa articular e desenvolver ações de alto impacto para posicionar competitivamente o Ceará, até o ano de 2025.

De acordo com a publicação, a Economia do Mar emprega mais de 4 mil pessoas e no segmento de Alimentos do Mar, o Ceará destaca-se nacionalmente nas exportações, com 22% de representatividade, ocupando o segundo lugar do País e apresentando crescimento nos últimos cinco anos. Somente em 2020, foram obtidos das águas cearenses US$ 67 milhões, graças à pesca e à produção de lagosta, atum, peixes ornamentais, entre outros.

Com relação à produção aquícola, o Estado participa com 16% do total do País, embora tenha diminuído sua participação nacional, ainda é o segundo Estado em volume de produção. Na atividade de preservação e industrialização do pescado, o Ceará foi responsável por 3,3% do PIB do setor, ou seja, do valor da transformação industrial, expandindo sua participação em mais de 40% entre 2010 e 2014, última informação disponibilizada pelo IBGE. No segmento de Recursos Oceânicos, a participação estadual na produção de petróleo offshore se manteve estável, representando 0,3% do total extraído no País.

Ricardo Cavalcante, presidente da Fiec, defende que o Ceará avança com diversas cadeias produtivas de origem marítima, no entanto, pontua que o desenvolvimento econômico do setor precisa ser sustentável. “As atividades precisam ser ágeis e competitivas, mas sem destruir o nosso meio ambiente. Estratégia, união e pioneirismo para discutir os principais desafios e ações futuras alinhadas ao bem-estar humano e ambiental”, disse.

A publicação Rotas Estratégicas Setoriais 2025 – Economia do Mar, traz três visões de futuro para o setor no Estado. Para cada uma dessas visões, foram indicados respectivos fatores críticos de sucesso e 268 ações a serem implementadas no curto, médio e longo prazo.

1) Alimentos do mar: busca ser referência internacional na produção e industrialização sustentáveis de produtos de pesca e aquicultura, com qualidade e inovação para o mercado global. Ricardo Cavalcante destaca que “o forte setor pesqueiro coloca o Estado entre os primeiros do ranking de âmbito nacional no que tange a produção de pescado, totalizando US$ 66 milhões em exportações em 2020.”

2) Recursos oceânicos: é um modelo no aproveitamento sustentável de recursos minerais e geração de energia do mar. De acordo com o Rômulo Soares, “Nós fazemos a explotação de recursos no mar e aproveitamento delas, como as energias renováveis e offshore”

3) Indústria naval e serviços marítimos: hub portuário consolidado, promotor do desenvolvimento sustentável da Indústria Naval e dos Serviços Marítimos. “É importante pensar serviços auxiliares à navegação, como estaleiros, reparação de containers”, finaliza o co-fundador da Winds For Future.

Tendências tecnológicas

Com o uso da ciência, tecnologia e inovação, há um grande potencial de exploração sustentável do oceano para geração de bens e serviços e atender diferentes demandas da sociedade. Mas precisa ser orquestrada com sabedoria para, muito mais do que extrair os seus recursos, resguardar a sua sustentabilidade.

“Tem-se percebido uma grande preocupação do Governo do Estado do Ceará e de toda a sociedade cearense com o mar no contexto ambiental e tecnológico. É importante aproveitarmos essas riquezas numa concepção sustentável”, relata Rômulo Soares.

Consideradas como impulsionadoras para a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação setorial, essas tecnologias precisam ser de domínio da indústria para assegurar a sobrevivência, o desenvolvimento e a competitividade do setor. No levantamento da Fiec, são apresentadas as tecnologias-chave mapeadas de acordo com as visões propostas para o setor de Economia do Mar.

A Aquicultura Multitrófica, Sustentável e aplicada à Biotecnologia, são práticas com base na sustentabilidade a fim de evitar impactos ambientais. A possibilidade de geração de energia por meio de ondas, energia térmica, fluxo das marés ou correntes marítimas será importante nesses processos. A robótica e tecnologias de monitoramento oceânico utilizaram robôs, satélites e sensores para prever, monitorar e controlar as alterações nos parâmetros oceânicos.

O Big Data, através da geração de informações dinâmicas a partir do cruzamento de um grande volume de dados provenientes de múltiplas fontes, permite a previsão de eventos e comportamentos para tomada de decisão. A Internet das Coisas (IoT) e a Realidade Virtual e Aumentada, são tecnologias que possibilitam maior interação entre o mundo real e virtual, viabilizando a coleta e transferência de dados sobre as condições físicas para efetivo monitoramento e controle.

“O oceano deve ter uma agenda global, na medida em que se faz no outro lado do mundo impacta diretamente a vida das nossas praias, a concertação desse desenvolvimento e aproveitamento dessas riquezas, deve se dar através das tecnologias sustentáveis a nível internacional”, pontua Rômulo Soares.

Estaleiro Inace

Enquanto muitos setores ainda lutam para se recuperar dos danos econômicos causados pela pandemia, o mercado náutico conseguiu a proeza de faturar R$ 2 bilhões só no ano passado, segundo dados da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e seus Implementos, a ACOBAR.

Há 50 anos, com expertise no mercado naval e solidez no comércio de barcos, a Indústria Naval do Ceará (Inace) é líder nacional na construção de iates de luxo, navios patrulha e um dos maiores fornecedores de embarcações offshore. A Inace renova seu posicionamento com o lançamento de uma nova linha de embarcações, novas parcerias e ampliação de tecnologias que garantam a competitividade da indústria naval cearense. 

O fabricante é pioneiro no âmbito na construção do alumínio naval, barra soldada a explosão e modelação 3D. São quase 900 embarcações entregues em mais de quatro décadas aliando tradição e inovação constante na construção naval.

Segundo a diretora do Inace, Elisa Gradvohl, “construímos barcos há 53 anos e entregamos mais de 660, a fabricação de rebocadores e empurradores, para commodities, se apresenta como um mercado para novos negócios. Vamos aplicar toda a nossa experiência na construção de embarcações de expedição,” finaliza.

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