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Festivais gastronômicos impulsionam turismo no Ceará e Brasil

A selective focus shot of an appetizing lobster with a lemon slice and sauce

O turismo de experiência, tendência que valoriza a imersão dos indivíduos em uma determinada cultura, veio para ficar e a gastronomia ocupa lugar de destaque dentro dele. É ela que, por meio de aromas e sabores, transmite as raízes e vivências de um povo.


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Em especial, os festivais gastronômicos funcionam como um grande conversor de ações que movimentam a economia tanto do próprio setor quanto do de turismo. “Esses eventos são sempre uma ótima oportunidade de se conhecer novas cozinhas, novos profissionais, e são uma atividade que fomenta e enriquece o turismo do estado. Eles resultam em uma saborosa e divertida festa que fica na memória afetiva do turista, que leva consigo os cheiros, sabores e a cultura local”, afirma em nota a Setur (Secretaria do Turismo do Ceará).

Entre os festivais que aconteceram no estado em 2021 com o apoio da secretaria estão o Festival da Lagosta, em Icapuí; o Festival da Sardinha, em Cascavel; o Festival do Escargot, na Taíba; o Fartura; e o Viva la Carne, em Fortaleza.

“A gastronomia acaba impactando de forma muito contundente principalmente estados turísticos como o Ceará. Ela gera não apenas empregos diretos, mas movimenta toda a cadeia produtiva desde a indústria e a agricultura, que nos fornecem produtos, até a mão de obra, que inclui uma variedade de perfis (homens, mulheres, jovens, idosos, escolarizados ou não)”, diz Taiene Righetto, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) do Ceará.

Momento do setor

De acordo com informações da ABIA (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), entre 2009 e 2019 o setor de serviços de alimentação, que inclui bares e restaurantes, cresceu em média 11% ao ano. O setor, entretanto, sofreu forte impacto da crise sanitária gerada pela Covid-19 e viu seu faturamento despencar, com uma recuperação parcial em 2021 que ainda não corresponde aos patamares pré-pandemia.

“Nós temos hoje cerca de 70% do faturamento de antes da pandemia. Em 2021 tivemos melhoras em relação ao ano anterior até porque tivemos menos restrições, principalmente neste período de dezembro e janeiro, que em 2020 tinha grandes restrições. Com o passaporte da vacina tivemos liberação de horários e isso deu um incremento no faturamento”, informa Righetto.

Em relação aos colaboradores, o presidente da Abrasel diz que o setor, que é um dos maiores empregadores no Brasil e que no Ceará empregava 120 mil pessoas diretamente antes da pandemia, chegou a ter apenas 50 mil vagas durante a crise sanitária. No último trimestre de 2021, entretanto, teve início uma recuperação com 10 mil novas contratações, que foi interrompida pela variante Ômicron do novo coronavírus.

“Tivemos muitas falências (quase 50% no Ceará desde o início da pandemia) e endividamentos no setor e percebemos agora as pessoas muito mais alertas do que em outros períodos. Em novembro e dezembro estávamos numa crescente de contratações, mas em 2022 já vemos uma contração por receio, já que somos o primeiro setor a fechar e o último a voltar”, afirma Righetto.

35º Encontro Nacional da Abrasel no Cariri

Em novembro de 2021 a região do Cariri hospedou o 35º Encontro Nacional da Abrasel, que pela primeira vez ocorreu em cidades do interior do Nordeste (Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha). O palco do evento se situou no La Plazza Shopping, em Juazeiro do Norte, e em sua programação híbrida, com ações presenciais com capacidade reduzida e transmissão para todo o Brasil, contou com palestras, oficinas e cozinhas show com a participação de time de chefs do Cariri.

“O evento foi importante para a cultura e culinária local porque mostrou o Cariri para o mundo e tivemos palestrantes de todo o Brasil muito focados na retomada dos novos negócios. A feira também levou novos fornecedores para o interior do Ceará e capacitação de colaboradores e de novos empreendedores do setor”, explica Righetto.

Sabores do Ceará

No mês de agosto do ano passado, o Sebrae/CE realizou a segunda edição do Festival Sabores do Ceará, que em 13 dias de evento contou com a participação de 58 estabelecimentos, que criaram 114 pratos, gerando um volume de negócios de R$ 2,5 milhões.

Após uma primeira edição realizada em formato delivery por conta do cenário pandêmico em 2020, o evento adotou um formato híbrido em 2021, permitindo ao público pedir os pratos para entrega ou consumir no próprio restaurante.

“Em 2020, como forma de contribuir na geração de negócios das empresas do setor de alimentação fora do lar, realizamos o Festival de forma virtual. Para todos foi uma nova experiência realizar um festival gastronômico totalmente virtual e, para nossa surpresa, os resultados superaram nossas expectativas. Além da promoção das empresas participantes, realizamos ‘lives’ e apresentações culturais para atrair mais pessoas, ajudando também os artistas locais que foram bastante impactados. Em 2021, realizamos o festival de forma híbrida igualmente com muito sucesso”, afirma Evelynne Tabosa, analista do Sebrae/CE.

Comida di Buteco

Realizado em 21 cidades do Brasil, inclusive Fortaleza, o Comida di Buteco, maior concurso de botecos do país, fez em 2021 uma edição híbrida na qual o cliente podia visitar o estabelecimento e provar a comida ou pedi-la via delivery. “O foco foi na segurança dos estabelecimentos e do público e para isso criamos o ‘Movimento Salve os Butecos’, que arrecadou R$ 3 milhões entre dinheiro doado pelo consumidor final e insumos doados pelos patrocinadores para os botecos. Tivemos 400 mil votos, 100 milhões de mídias espontâneas e 480 botecos participantes de norte a sul do Brasil”, explica Felipe Pereira Tosta, diretor de Operações do festival.

Expectativas para 2022

Segundo o presidente da Abrasel, em 2022 a entidade pretende realizar todos os festivais normalmente previstos no seu calendário nacional. “Em maio teremos o festival Brasil Sabor, que atende principalmente restaurantes a la carte; em setembro, faremos O Quilo é Nosso, focado em restaurantes a quilo; na semana da criança, em outubro, faremos uma ação para levar crianças carentes para conhecerem os restaurantes por dentro para, quem sabe, criar uma vocação nelas em relação ao nosso setor; e, em novembro, o festival Bar em Bar”.

Qualquer retorno aos números pré-pandemia deverá ocorrer apenas no final do segundo semestre de 2022, diz Righetto. “Este primeiro trimestre estará estagnado pelo receio de novas variantes e depois é preciso ver como o poder público e o sistema de saúde irão reagir ao que acontecerá. No início do segundo semestre devemos ter um cenário mais claro e, no final deste ano, talvez com o turismo mais forte, marca registrada do Ceará, esperamos uma alavancagem maior para entrarmos em 2023 com uma situação igual a antes da pandemia”.

“Todos os festivais que procurarem a secretaria neste ano terão apoio porque eles são um ativo de experiências da cidade”, afirma Alexandre Pereira, secretário de Turismo de Fortaleza. Ele informa que a gastronomia faz parte da estratégia de turismo da capital e que está sendo elaborado um Mapa Gastronômico da cidade, além de um Roteiro da Cachaça, um Roteiro da Panelada e um Roteiro de Mercados, que deverão ser concluídos até julho deste ano.

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